O local fez-me lembrar o Faial. As encostas junto ao vulcão dos Capelinhos. Mas o mar era mais turquesa e mais mexido. Não tive tempo para contemplar a vista. Logo ouvi alguém que não conhecia dizer o meu nome em voz alta e perguntar a quem estava se algum dos presentes era eu. Apresentei-me e fiquei a saber que estava ali um senhor à minha espera. Tommy Monteiro, 1,80 m de pele negra num sorriso imaculadamente branco. Tinha sido contactado para me acompanhar durante a minha permanência na ilha e tinha a obrigação de me levar até onde eu queria ir, até os fundos marinhos onde se abrigam os tubarões-gata, “as gatas” no linguajar dos pescadores de S. Pedro.
Combinei um primeiro mergulho exploratório para as 16h e fui preparar o equipamento. Pouco depois sou confrontado com um telefonema que me informou da impossibilidade de se arranjar um barco para esta tarde. O Mike, nick name que lhe fora dado por ser parecido com Michael Jackson, dera conta de não poder sair. Os dois filhos ainda estavam no mar e ele não queria partir sem que eles chegassem. Era razão mais do que suficiente para eu aceitar a justificação e acertar as horas para amanhã.
Depois, aproveitei para olhar à minha volta e dar um primeiro mergulho nas águas quentes e cristalinas da baía. Com 27º C, dentro e fora da água, apenas com uma ligeira brisa, a coisa prometia.
Quando à noite me deitei, iluminado pelo luar prateado, tendo a meus pés a violenta sinfonia provocada pelas ondas e os acordes distantes da “Rainha Estrela” de Tito Paris, dei comigo a pensar na sorte que Deus me deu. Se a ASAE existisse naquele lugar a praia teria sido encerrada. O barulho semelhante ao ribombar de um trovão provocado de cada vez que as ondas se esmagavam na praia e contra as rochas seguramente que excedia os limites aceitáveis da lei do ruído.


Uma maravilha, hem?
Abaixo a ASAE! Viva a vida!