Os governantes e seus auxiliares, deputados, políticos de carreira, funcionários superiores da administração pública quando dependam de confiança política, dirigentes de bancos e grandes empresas, públicas e privadas, quando pertençam à casta da dança das cadeiras, professores universitários de carreira – vivem num aquário.
Com isto quero dizer que estão segregados em meios onde a concorrência é feroz (agradar ao eleitorado, cortar as pernas à concorrência interna e manter debaixo de olho a externa, no caso dos políticos; agradar a quem é preciso, passando a mão pelo lombo do poder, dividir a responsabilidade e comprar solidariedades para garantir proveitos pessoais obscenos, no caso dos gestores; e defender ferozmente o lugar e a reputação, publicando paper atrás de paper, mesmo que significando nada, ou significando asneiras pedantes se forem do ramo de algumas ciências sociais, no caso dos professores universitários).
É pouco provável que toda esta gente tenha um passado de imersão na economia real, cujos mecanismos e realidade conhecem apenas de leitura ou de oitiva, mesmo quando são bancários (sobre empresas a ignorância do bancário distingue-se da do cidadão comum porque o segundo nem sempre julga que sabe do que está a falar) ou economistas (que tendem a achar que a realidade económica é modelizável, e divergem nas trinta mil maneiras de influenciar positivamente as variáveis que por puro preconceito escolheram como determinantes na dinâmica da criação de riqueza).
De políticos nem é bom falar: as pessoas que se atrevem a lançar empresas, em Portugal, salvo nos casos em que a proximidade do poder garante o sucesso, não são pessoas comuns: se fossem inteiramente conscientes do que as espera dificilmente se abalançariam; e as qualidades que para esse efeito se requerem não são as mesmas que garantem sucesso na carreira política, tal como o talento para gerir o país não é o que se encontra num capitão da indústria – há muitas outras variáveis em jogo, que não apenas aquelas que fazem o sucesso empresarial.
De modo que o problema com que o país se defronta hoje, de cotejo entre os danos que a covid pode causar às pessoas e os causados à economia (e portanto ao bem-estar e sobrevivência de quem não tem proveitos garantidos) pelas medidas para combater os primeiros dificilmente poderia encontrar na classe política, muito menos de esquerda, bons avaliadores, assim como também é difícil encontrá-los na floresta de conselheiros que nesta maré é auscultada, e que consiste sobretudo em personalidades saídas das coudelarias acima referidas.
A tarefa é reconhecidamente difícil: Consciência razoável do que o escavacar da economia faz à vida das pessoas não há; e avaliação serena, no mar de opiniões desencontradas dos especialistas em epidemiologia, virologia, pneumologia, intensivismo, matemática (que deveria ser, para este efeito, ancilar, mas cujos cultores têm tido grande audiência como se estivessem a fazer cálculos com todas as variáveis perfeitamente conhecidas) também dificilmente pode haver.
Numa conversa entre confinocépticos (existem, e são alguns, e têm boas cabeças mas pouca audiência), de um lado, e confinófilos, do outro, escrevi o seguinte:
Os prós e contras que os governos estão a pesar não são os do confinamento/danos para a economia/incidências no progresso da pandemia. O que pesam é a popularidade com confinamento versus a popularidade sem confinamento. E como a ausência de confinamento parece inércia e a opinião pública o que quer é acção, faz-se o que a opinião pública quer, e ela quer o que a comunicação social a induz a querer porque o problema só aparece nas notícias sob vestes trágicas e chocantes, que são as vestes que vendem.
É. E ademais os danos ao país, às empresas, ao emprego e por conseguinte às pessoas, poderiam apenas ser um pouco diminuídos: com o mundo meio paralisado a nossa pequena economia, tributária das outras, teria sempre de sofrer de qualquer modo.
Resta portanto esperar que por toda a parte as notícias das unidades de cuidados intensivos comecem lentamente a ser substituídas pelas notícias das manchas de miséria; que as vozes serenas e pouco inclinadas ao drama histérico do fim dos tempos comecem a ser ouvidas; que os hospitais se armem até aos dentes de equipamentos supranumerários, que a indústria já está a produzir a mata-cavalos; e que a mesma opinião pública que por toda a parte reclamou a abdicação dos direitos de cidadania, e a transformação dos Estados em Estados-policiais benevolentes, tenha a mesma veemência a reclamar o regresso ao status quo ante – mesmo que com uma mole de desempregados e um himalaya de dívida.

Os noticiários televisivos estão impossíveis. Já estavam (com os directos que nada acrescentam) mas agora parece que estão empenhados em semear o pânico. Mudo de canal e é sempre o mesmo: corona, corona…. Deixei de ouvir ou só começo de pois de deixar passar meia hora sobre o início.
Na TV aparece cada maduro a dar palpites como se fosse ciência certa. Médicos a falarem de Estatística e etc. como se percebessem alguma c coisa de Estatística ou Probabilidades…. A quem faz o noticiário tudo serve para espalhar o medo e o pânico (terrorismo noticioso?).
Excelente comentário.
Eu atualmente quando vejo um noticiário televisivo parece-me que regressei aos tempos da ditadura: só se ouvem opiniões de acordo com a do governo (ou então com uma muito ligeira dissensão, muito velada e como que pedindo desculpa). Toda a gente está de acordo com a quarentena e pede mais. Toda a gente diz que vai ficar tudo bem, como se o sofrimento fosse redentor.
Concordo na íntegra com este seu postal. O drama histérico, potenciado pela comunicação social, vai ser substituído, mais dia menos dia, pela miséria real. Só tenho pena que certas castas se venham a manter imunes em relação às dificuldades que o comum dos mortais vai ter de enfrentar. Mas muitos daqueles para os quais a moda do confinamento tem sido gira, e que parecem não ter vontade nenhuma de voltar ao trabalho, vão piar bem fininho. E desses não vou ter pena nenhuma.
O desastre no Ocidente continua com o falhanço em toda a linha dos enormes Estados construídos pelo complexo politico-jornalistico para as clientelas do dia a dias e não para as emergências.
Jornalismo que ajudou a desviar ingentes quantidade de recursos para controlar a economia usando a teoria do “aquecimento global” forçando o esquecimento de verdadeiros perigos.
Organismos que têm uma função – do rico CDC americano , ao europeu do qual se demitiu o seu responsável, à nossa DGS que é capaz de afirmar certezas sem fundamento técnico, falharam clamorosamente.
Esta descredibilização do Ocidente, dominado por uma aspiração de privilégio aristocrático por via Socialista era inevitável, só chegou é mais cedo.
Diminuindo a sua influência mundial com vantagens positivas para todo o mundo. Veja-se hoje no mundo onde a manipulação da Linguagem se transforma num livro de George Orwell : Na escola e Universidade , nas redacções de jornais e TV’s Ocidentais monoculturas de controlo Marxista.
As continuadas asneiras dos “especialistas” e cientistas, também ajudam a um saudável cepticismo.
lucklucky
A sua única certeza, com fundamento técnico, é ver numa maçã uma peça de fruta marxista. Não tem covid, espero, mas tem um grave ou grande distúrbio mental – Personalidade Obsessiva
Excelente, no deslindar da súcia de incapazes que nos governa e da corja de imbecis que os sustêm.
Bravo!
” deslindar da súcia de incapazes que nos governa e da corja de imbecis que os sustêm.”
Em certos meios estes são os nomes que se costumam chamar a quem governa se não for da nossa área política. Até parece que fez copy and paste do que se dizia (por outras pessoas, claro) de Passos Coelho há uns anos. Quando mudar serão outra vez os outros a vier fazer copy do que você agora escreve, etc. ad infinitum. Não haverás críticos com ideias?
Socialista ofendido? Não se preocupe, a súcia é intemporal neste país, como já percebeu.
Logo, nada se diga.
Quando os jornaleiros começarem a ficar com fome, a agulha muda. A direcção do dn já era , a coisa já se está a compor para a mudança.
Entre os iluminados cientistas e os iluminados economistas verifico que suas cogitações apontaram para um regresso ao óbvio, isto é: na situação que hoje vivemos não há ciência nem economistas que tenham solução.
E o óbvio é simples:
1 – Foi necessário algum tempo de confinamento para evitar o colapso de um sistema de saúde, que já antes colapsava perante filas de marcação para cirurgias que não respeitavam as dores da população que desta necessitava;
2 – O confinamento preparou as pessoas para aceitarem viver e conviver com uma realidade que veio para ficar: o bichinho;
3 – Os países, mesmo aqueles que aparentavam alguma riqueza, encontraram através de seus dirigentes políticos o pretexto ou o cenário ideal para justificar sua inépcia na transformação de um cenário que já antes era horroroso (aos poucos, e não seriam os únicos, os ingleses demonstraram que não queriam ir pelo esgoto em conjunto; e sucedeu o Brexit. Nos USA Trump actuou contra duas frentes, China e UE, para não cair no mesmo charco. A leste Polónia e Hungria revelavam em suas políticas de demarcação do sistema que não pretendiam o mesmo destino).
Tive oportunidade de aqui reflectir, afirmando que só depois do depois viria o momento de algum alívio. E isto levará muito tempo. Mas o que agora se verá, por acção de pouco mais de dois meses em que um bicho reinou, nada mais é que a constatação do colapso dos “enfermos” que se encontravam nos cuidados intensivos com doses insuficientes de ventilação, onde se inclui a própria Alemanha.
Concretizando: alimentando-se um sistema financeiro que fez colapsar a economia revelou-nos que a solução para o efeito criada comportava-se como sanguessuga que proporcionou esvair de recursos as pessoas e a economia, não lhes deixando réstia de espaço para que caminhassem em situação ainda mais apertada. E devemos estar gratos ao bicho que a todos tivesse revelado inequivocamente esta realidade.
Finalizando, o único profeta que nos revelou que apesar de caminhos difíceis seria necessário percorrê-los leva por nome Varoufakis. E este foi abatido também por conivência dos seus que antes o apoiavam.
Serve isto para demonstrar que quer os puristas da direita quer os puristas da esquerda não passam de anedotas.
E sim, atingimos os “últimos dias” e “o fim dos tempos”. Os caminhos da renovação serão dolorosos. Espero que no entretanto não surjam eventos naturais e outros por acção humana que transformem tal dor em dor ainda maior.
No quadro português espero que quer o PR quer o executivo aproveitem bem o estado de emergência para decretar o abaixamento das rendas de casa, onde se inclui as rendas (juros e amortização) pagas aos bancos, e as rendas pagas pelo comércio, suspendendo qualquer acção de despejo até ao final do ano. Que delibere urgentemente sobre uma lista de bens essenciais, incluindo medicamentos, que não poderão estar sujeitos a mexidas especulativas dos preços.
Mas que use também as verbas que seriam destinadas ao novo aeroporto para subsidiar os novos desempregados e financiar produtores agrícolas, mesmo os pequenos produtores, para a produção de bens necessários.
Nota: Existirá certamente nesta área a necessidade de reconverter espaços de produção excedentários (penso no sector vitivinícola que se tornará excedentário. Mas existirão outros) em cultivo de novos produtos alimentares.
Mas também dever-se-á pensar na estimulação do sector pesqueiro nacional.
A terra e o mar voltou a ser território de subsistência e sobrevivência da sociedade.
Quanto à dívida externa: que se foda.
Estou totalmente de acordo com este post. Muito bem!
Os seus últimos parágrafos enunciam, com um jeito para resumir que me falta, precisamente aquilo que penso sobre este assunto. Por isso, vou “roubá-los” (com a devida vénia).
“O que pesam é a popularidade com confinamento versus a popularidade sem confinamento”
O que pesa na consciência de qualquer governante ou cidadão neste estado de excepção, que é uma pandemia, é evitar, ao máximo, o número de mortos. Numa situação de emergência é isto que se deve fazer. Pensar em vidas e não no dinheiro. É uma obrigação moral. Quem inverte as prioridades está doente, mas não de covid. De outra agente infeccioso, ubíquo, e sem vacina ou tratamento eficaz. (Seria como se numa guerra um general limitasse o número de balas disparadas, por soldado, num conflito incerto mas que se quer, a todo o custo, vencer).
O outcome, económico, ninguém imagina como será, pois a economia depende das leis, regras que os líderes políticos decidirem seguir. Recordando Passos Coelho até poderá haver nesta destruição económica alguma vantagem, “oportunidades”, nomeadamente na transformação do tecido empresarial português. Em vez de peúgas para a Alemanha começamos a produzir ventiladores, equipamentos high tech. Temos mão de obra qualificada, ao contrário dos idos 80, quando aderimos à CEE. Aliás, penso que o Estado Português deveria ter, como o Estado Chinês, planos quinquenais que obrigassem o sector privado, a economia, a seguir numa direcção que não a habitual mas do interesse nacional (ex: criação de uma indústria automóvel nacional, computação e informática, e não serviços de viagens e calças para a Salsa)
O melhor era mesmo livrar-nos dos velhinhos e outros fulanos em condições de risco. O confinamento, creio eu, só existe para proteger esta camada improdutiva e consumidora dos nossos preciosos recursos. A maior de nós passa por isto como por uma mera gripezinha.Para evitar o descalabro do SNS só entrava nos hospitais do SNS quem tivesse expectativa de ainda vir a ter uma vida produtiva ( p.ex. menos de 60 anos ou ausência de condições de risco). Claro que aqueles tiveram uma vida bastante produtiva, a quem a nossa sociedade tudo deve (abnegados empresários, etc..) teriam um pé-de-meia que lhes permitiria recorrer a hospitais privados). No fim evitava-se esta fantochada toda. Teriamos uma sociedade muito mais forte ( sobrevivência dos mais aptos), evitavamos os efeitos nefastos :dívida astronómica, equipamentos supranumerarios( onde já se viu)…Os ganhos que daí adviriam para a segurança social poderiam ser aplicados em amortização da presente dívida e em cortes fiscais para os nossos abençoados empresários ( o número de empresários a viverem em condições degradantes em bairros da lata é absolutamente astronómico)
Tudo isto acontece porque estamos entregues à bicharada de esquerda ou esquerdalhada: Trampa(este tinha ideias similares

à do nosso admirável blogueiro, a realidade estragou tudo), Boris, Putin(nhas), Macron, Merkel (estes dois são dois perigosos europeus, uma corja).
José, veja bem a enormidade do que afirma. Não pode pensar exclusivamente usando a razão ou produzirá, nos seus textos, monstros razoáveis, misérias cheias de lógica.
Veja a diferença (vai senti-la e só depois pensá-la, devendo, nós, avaliarmos o bom pensamento pelo bom sentimento que o primeiro nos traz – córtex frontal não está desligado da ínsula cortical)
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