«Não pensamos nisto todos os dias, mas as entidades políticas acabam. A União Soviética acabou – quem o imaginaria um par de anos antes? Acabaram grandes impérios como o Austro-Húngaro – e também em pouco tempo. A Gran Colombia partiu-se em Colômbia e Venezuela. Um exemplo mais adequado seria o da Sociedade das Nações, fundada após a I Guerra Mundial para garantir a paz perpétua, especialmente na Europa. A paz perpétua durou somente trinta anos; reparações de guerra economicamente insustentáveis, a degradação social das democracias e o desmantelar do sistema financeiro baseado no padrão-ouro levaram a uma nova guerra mundial.»
Rui Tavares, no Público

E a “União” Europeia já devia ter acabado…
A ‘União’ Europeia não é eterna, João. Longe disso, como percebemos em cada dia que passa.
A primeira vez que estive em Berlim foi em 1984, o Muro ainda se encontrava sólido. A presença do poderio soviético era muito forte, a fronteira muito controlada, uma pessoa tinha um medo terrível de dar um passo em falso. Era algo poderoso e ameaçador, metia respeito, para não dizer medo, era um mundo totalmente diferente. Controlavam a fotografia do passaporte tal e qual como se via nos filmes (e no videoclip da Nikita). Atravessava-se o Muro e tinha-se a sensação de se ter aterrado noutro mundo, a milhares de quilómetros de distância. Era imponente!
A segunda vez que estive em Berlim foi em 1992, o Muro tinha caído há dois anos e meio. O que restava do poderio soviético e da imponência de meter medo eram uns vendedores de relíquias. Vendiam, entre outras coisas, aqueles bonés muito largos dos uniformes soviéticos, que se viam nos filmes sobre a Guerra Fria. Qualquer pessoa podia comprar um boné desses, por meia dúzia de marcos. E os vendedores encontravam-se na zona que havia sido a fronteira. As barreiras pareciam terem-se literalmente esfumado, andava-se de um lado para o outro, à vontade. Era, simplesmente, de pasmar!
A minha memória inicial de Berlim é de 1983. Com o Muro, claro. E o cenário aterrador do lado de lá. Digno dos livros do Le Carré – mas bem real. Jamais esquecerei essa visita, o meu baptismo de ‘socialismo real’.
Idem!!!