A afirmação ontem feita pelo Presidente do PSD e actual primeiro-ministro de que encontrou um “desvio colossal” nas contas públicas tem de ser objecto de adequada concretização por parte de quem proferiu essa afirmação. Desde logo, porque o primeiro-ministro quando esteve na Assembleia da República a apresentar e discutir o Programa de Governo não só disse que não iria falar do passado, o que contradiz o que referiu aos senhores conselheiros sabendo que as paredes têm ouvidos, como não alertou o País para a situação de “desvio colossal” que encontrou. Mas mesmo admitindo que só tivesse efectuado essa “descoberta” depois de ter estado no Parlamento, e mesmo a tempo da reunião do Conselho Nacional do PSD, os portugueses, quanto a esta matéria, não terão menos direitos do que os conselheiros da sua agremiação. Como uma afirmação deste jaez não é inocente, sendo previsível que mais tarde ou mais cedo fosse de todos conhecida, e porque não se pode andar a brincar às contas públicas, sublinho a necessidade do primeiro-ministro esclarecer rapidamente de onde resulta o “desvio colossal” que confidenciou, entre portas, aos membros do seu partido, mostrando quais os números em que se apoia e em quê que isso se traduz, já que é fundamental sabê-lo para que se possa concluir a “accountability” do anterior Governo e começar a olhar o futuro. Sob pena de, se não o fizer, Passos Coelho ficar desde já catalogado como mais um fala-barato que em nada se distingue, como eu suspeito, dos anteriores que ainda por aí assobiam.
Governar Portugal não é o mesmo que dirigir a JSD com os compadres Relvas e Macedo. Os portugueses não são verbo-de-encher para o pagamento de impostos e se ele não souber ou não puder responder, então que mande o ministro das Finanças fazê-lo, já que aparenta ser homem parcimonioso, mais rigoroso e menos desbocado do que ele.

Esta “notícia” já não se encontra na 1ª pág. do jornal, mas fica o “innuendo”…
E até vai servir para mais cortes em quem não se pode defender…
e agora como é que ficamos??
http://utopiarealista.blogspot.com/2011/0 6/para-memoria-futura-pedro-passos-coelh o.html
Sabe, Sérgio, o 1.º Ministro anda em “competição” com o Ministro das Finanças para ficar bem claro que quem manda é ele.
E se Vítor Gaspar – Ministro das Finanças – se contentou com os 180 segundos que a União Europeia lhe deu para expor a situação de Portugal, Passos Coelho quis demonstrar todo o seu poder e competência e numa rajada de (apenas!) 10 segundos – record abosuto – expeliu esta “pérola”.
De coelhadas percebe ele e de uma só cajadada matou 3 coelhos: 1.º) mostrou-se mais ele próprio (a nódoa que é…se alguém ainda tinha dúvidas); 2.º) bateu aos pontos os 180 segundos de Vítor Gaspar, e 3.º) apelidou de incompetente a troika que, afinal, não viu o desvio colossal ou o colossal desvio das contas públicas!
Que grande merda que é a troika!
Ops!… as paredes têm ouvidos… isso é um blogue meu, caro Sérgio. Abraço.
Isso quer dizer que é mais um a visitar, caro João. Garanto que não estive à escuta. E retribuo o abraço.
Pois.
E, já agora, conviria que Pedro Passos Coelho tomasse nota de que afirmações como essas, após propaladas pelos mídia, aquém- e além-fronteiras, têm alguma probabilidade de enervar ainda mais os mercados.
É devido a líderes políticos que, desta forma, falam para o povo e para os seus apoiantes sem notarem que os microfones mediáticos estão ligados, e transmitem aos “mercados” tudo aquilo que eles dizem, que a Europa chegou à linda situação em que se encontra.
Certeiro, Sérgio.
Infelizmente , há indícios que a tropa-fandanga está por todo o lado no zoo político constituído pelo arco do poder.
Ao reflectir no que afirmo faço a introspecção necessária e pergunto-me se não é uma aceleração aquilo que pretendo.
Não há GPS. Seja em Portugal seja na UE.
Habituámo-nos a 65 anos de calmias moderadas, economias a crescerem, pobrezinhos a verem que ser pobre não é uma inevitabilidade.
Habituámo-nos a ter seguro contra os azares da vida: desemprego, dinheiro para a educação dos mais novos, subsídio de doença, reforma.
Habituámo-nos a viver com mil e trezentos euros, ou com dois mil ou até quatro mil.
Habituámo-nos a ver parasitas, adolescentes incapazes intelectualmente, a serem beneficiados.
Habituámo-nos a ver um Estado com negócios.
Habituámo-nos a ir ao banco e ter!
A bolha não é só imobiliária, como alguns anteviam mesmo no espaço dos “socialismos”.
A bolha somos todos nós com a nossa solidariedade de coisa nenhuma.
Pois é Sérgio, os técnicos do FMI, o BCE e a UE são um bando de incompetentes que só viram os “pentelhos” do outro senhor. Os “iluminados” chegaram para trazer a má nova ao mundo, expondo os esqueletos que estão há décadas no armário. Falta saber quem os pôs lá.