Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Ao fechar a porta ao diálogo com a coligação de direita, na base de alegadas divergências políticas, António Costa (AC) parece cada vez mais perdido dentro do personagem que construiu para se esconder da sua derrota eleitoral de 4 de Outubro: o pacificador das esquerdas. O personagem que tomou conta de AC é um futuro primeiro-ministro capaz de sarar um século de feridas entre mancheviques e bolcheviques, com algumas reuniões amenas e sorrisos amáveis. O problema é que a distância entre a direita e o PS, em Portugal e nas respectivas famílias europeias, é de quantidade, enquanto a diferença com os partidos à sua esquerda é de visão do mundo. É ontológica. Tem muito sangue, suor e lágrimas pelo meio. As esquerdas de que AC se sente tão próximo são feitas de fibras, memórias, sonhos, visões de futuro para a Europa que não permitiriam sobreviver mais de um semestre a um governo minoritário do PS.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Ao Costa fiasco não é mais prejudicial o fiasco das pantomima que o próprio fiasco Costa. O país é que ficaria ao desbarato á conta do obreiro de tamanha fiascada em serviço e para rendimento próprio. Uma desgraça que se elevou á sua expressão mais miserável.

  2. “Um macaco ferido na floresta, por mais esperto e ágil que pretenda ser, mais cedo ou mais tarde, é devorado pelas hienas”!

    Ditado : Katagunga do Norte

  3. Convém ser rasteiro – Costa está num ajuste de contas ressabiado onde inclui o actual Presidente da República. Ou seja,algumas reuniões amenas e sorrisos amáveis não tem como propósito “sarar um século de feridas entre mancheviques e bolcheviques” ainda que tal possa servir para as bazófias do tipo “é como se estivéssemos a deitar abaixo o resto do muro de Berlim” para inglês ver ou ler ou para fantásticas confabulações pseudo-académicas como, por exemplo, as que ouvimos ontem ao prof. Gil ou ao Dr. Paz Ferreira ou ainda as “narrativas” que encantam os ‘bocas abertas’ que convidam e hossanam o Sr. Varoufakis em salas das academias.
    Ou seja explica-se melhor se o Dr. Costa for, para o Presidente, “cigarrar” como precedente aquela estória de hoje na ‘prensa’ desportiva contada pelo Jardel – “O vento atirou-me ao chão e o árbitro marcou penálti”, “sugerindo-lhe”, comn aquela arrogância de ‘animal feroz’, que poderia fazer a mesma coisa!

  4. Agora mesmo, à saída da reunião com o PR, Costa parece fechado no seu pensamento — que é um pensamento redondo, equivocado e cheio de si.

    Não lhe bastando a sobranceria ao estilo de Santos Silva (o Saruman da política portuguesa), continua a produzir impunemente uma falácia gigantesca, própria de um obscurantismo social-fascista e não de um democrata: a “vontade inequívoca” de mudança expressa pelos Portugueses. Ora, a existência dessa vontade, a mim, não me parece nada óbvia.

    Para não entrar numa discussão constitucional sobre a inexistência do conceito de “continuidade política” (o que impede que 2 ciclos legislativos possam ser comparados de forma absoluta — e na verdade correspondem a legislaturas com numeração distinta) basta pensar que Costa (e a mirabolante “esquerda”) se arroga no direito de ser o verdadeiro intérprete dos Portugueses e da sua vontade: como se o programa do PS, e os outros programas partidários, não tivessem sido derrotados face ao programa da PàF. Eu posso dizer que o resultado das eleições expressa, precisamente, a vontade dos Portugueses em manter a MESMA política uma vez que o programa das forças políticas que governaram anteriormente foi a que ganhou as eleições.

    Acho que não é preciso afirmar quão perigoso é entregar o poder a quem se põe a intrepretar a realidade a seu jeito invocando uma difusa “vontade” generalizada.

    Como se a produção de um discurso deste tipo não fosse razão suficiente duvidar das capacidades legalistas e democráticas do actual secretário-geral do PS, Costa ainda propõe ao PR (na verdade ameaça-o) que não perca tempo a empossar um governo minoritário porque será chumbado na Assembleia: ficamos a saber que só poderá haver governos maioritários no futuro e que toda a actividade parlamentar é irrelevante e não é possível trabalhar para chegar a acordos de incidência parlamentar ou a posições de consenso — e ficamos a saber que Costa, no limite, manda na consciência dos seus deputados e que todos os deputados se vergam à sua vontade e à sua interpretação.

    AC, derrotado nas eleições, falaccioso na opinião e manipulador na acção, está a dar um péssimo exemplo ao País, a incorrer num profundo desrespeito pelos eleitores, pelos seus colegas, pelo Parlamento e a colocar o PS no terreno perigoso do social-fascismo.

    Eu estaria surpreendido se alguma vez AC tivesse sido um bom político — mas na verdade nunca o foi e acho que está na hora de abandonar a direcção do Partido Socialista. Afinal, eu também posso interpretar a realidade à minha maneira, ou não posso?

    1. Estas eram as eleições em que, perante os esforçados 4 anos de legislatura, qualquer pivot de rega ou pino ganharia as eleições à Coligação.
      António Costa “conseguiu” perder para Passos Coelho e Portas. Jeeez..
      Aliás, perante esta conjuntura, o PS “conseguiu” ter menos mandatos do que o PSD.
      Dassss, isto é que foi rejeição!
      Mas pronto, o homem prefere ser rei por um dia do que príncipe uma vida inteira, mesmo que à custa (ou por causa) do país que o recusou.
      Professor Chibanga prevê uma maioria de direita em menos de um fósforo….

  5. Isso é tudo muito bonito, mas se a Coligação tem a certeza que tem a maioria no Parlamento, que apresente um programa que não seja chumbado. Se calhar faltam-lhe deputados.

    É cansativo ver gente que não conseguiu fazer um acordo para governar estar em bicos de pés a falar em vitórias morais e a tentar que o seu presidente de serviço lhe faça o favor de os nomear para serem chumbados pelo Parlamento.

    E não me venham falar de estabilidade na coligação das irrevogáveis demissões.

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