Pela negativa


Pedro Correia,

Se bem entendi, pela voz da própria em entrevista à SIC Notícias, o Bloco de Esquerda avança com a candidatura presidencial da simpática Marisa Matias apenas para “derrotar o candidato do PSD”. Uma vez mais, o combate faz-se pela negativa. Depois queixam-se de perderem o debate de ideias.

0 comentários em “Pela negativa”

  1. Ainda bem que o Bloco estava disposto a apoiar um candidato único da esquerda:

    http://observador.pt/2015/04/15/bloco-esquerda-disposto-apoiar-candidato-presidencial-unico-da-esquerda/

    … mas enfim, a Marisa Matias devia de estar com ciúmes do protagonismo recente das outras meninas.

    Pedro, curiosamente o seu comentário combateu Marisa… pela negativa!

    1. Não “combato” pela negativa. Nem sequer a critico. Limito-me a sublinhar um facto que me parece óbvio: o quadrante em que o BE se insere actua segundo a lógica do gueto, de recuo em recuo. Cada qual com a sua capelinha. Enquanto apregoam a “construção da unidade de esquerda”, seja lá o que isso for, multiplicam-se em candidaturas como cogumelos com o objectivo declarado de “travar o passo à direita”: só na última semana já vão duas. Ambas de gueto, nenhuma de verdadeiro bloco.
      Com isso partem logo como semiderrotadas para a corrida presidencial. Prestando assim, involuntariamente, a melhor homenagem a Marcelo. Este só pode agradecer, com um sorriso cada vez mais largo.

      1. «Não “combato” pela negativa.»
        Teve piada, começar logo com uma negativa…

        Sob essa conversa de forma, do ser positivo ou negativo, bla, blá… ultimamente o PSD anda com esse discurso político mariquinhas, que certamente importou dos larilas das agências de comunicação.

        1. Não sei se o Millôr Fernandes percebia muito ou pouco de agências de comunicação, mas há uma frase dele de que sempre gostei: “É impressionante a altura a que um homem pode subir apenas não descendo de nível.”

          1. Caro Pedro Correia,
            não sei se esqueceu ou não de aprovar um comentário que aqui deixei anteontem:

            ———————————
            Pois, mas Marcelo não resiste à tentação da serpente, com uma língua viperina…

            Sendo a observação algo pertinente, sob a forma, é ilusória pelo que informa.
            Se a comunicação amaricada vive hoje da forma, há ainda quem prefira o jornalismo que informa. Como referi acima, o exagero no preceito da forma é uma conhecida mariquice.

            Digamos que mais facilmente é carismático o bronco da taberna, do que o delicadinho do salão de chá.

            Se Marcelo subiu em popularidade foi muito por não ser sempre politicamente correcto. Adianta-lhe zero os deslizes de Marisa, se houver um Nóvoa que não cometa um único deslize.

            O único inimigo que Marcelo tem que combater, é ele próprio.
            ————-

    1. Essa foi a lógica de há 30 anos, José Manuel. Quando toda a esquerda queria travar o passo a esse “perigoso fascista” que era o professor Freitas, que acabou como ministro do governo Sócrates e em comícios ao lado de Louçã. As voltas que a vida dá…
      Meu caro, o mundo mudou imenso de então para cá enquanto a táctica política à esquerda permanece rigorosamente imutável. Faz-me alguma impressão regressar a 1985 (o ano do filme ‘Regresso ao Futuro’).

  2. Qual debate de ideias ?

    A ideia de que não existe alternativa e que essa alternativa não admite erros ou discussão, se esse é o ponto de inicio obviamente não é possível debater nada.

    Espero sinceramente que os restantes candidatos obriguem o Professor Marcelo a cometer erros e gaffes, apesar de toda a sua eficaz retórica ele vai enganar-se e sinto que não serão favas contadas como muito pensam e desejam.

    1. Qual debate de ideias?
      Pois: essa foi precisamente a questão que eu aqui levantei.
      Como pode haver debate de ideias quando o programa de uma candidatura recém-surgida se resume a “derrotar o candidato do PSD”?

  3. Pedro:
    Então o caro tornou-se especialista em apresentar provas da sustentabilidade de um governo das esquerdas.
    É que, de facto, um tal governo sustentado em 5 candidaturas das esquerdas tem muito mais hipóteses de ter êxito.
    Não o sabia tão amigo das esquerdas para lhe estar a dar constantemente argumentos que só validam a sua «unidade».
    Indo agora um pouco mais além:
    Veremos se o A. Costa consegue dar a volta ao texto e não sair completamente queimado do seu propósito de ganhar espaço político através deste simulacro de negociação à esquerda, ou se ele está (esteve) ingenuamente convencido de que conseguiria formar tal governo com durabilidade além de meados de Abril.
    O Viriato Soromenho Marques escreve um texto magistral no DN: «O actor perdido na personagem».
    A não perder.

  4. Nada como desbaratar o mandato que lhe deram para o Parlamento Europeu. Quer dizer, no fundo não o vai desbaratar porque não vai ganhar, é apenas o que fica implícito…

    1. Lamento ver uma competente eurodeputada, de uma geração jovem, sair à liça com argumentos velhos e que me parecem incompetentes – talvez por imposição da disciplina partidária. Como este de “derrotar o candidato do PSD”.
      Ouvindo coisas como estas, até parece que a política está reduzida a um jogo de futebol com cachecóis de diferentes cores agitados nas bancadas.

  5. Penso que a descrição da Marisa Matias como “simpática” só pode ser uma ironia.
    É uma pessoa com um aspeto e uma voz tão desagradáveis que creio que até os aficionados do Bloco vão ter dificuldade em votar nela.

  6. Pode haver boas razões, do ponto de vista do Bloco, para não apresentar a candidatura de Marisa. Mas não é a que apresenta. Ou será que uma candidatura da direita não é para derrotar as outras? Pode haver mais razões e, em geral, há.
    Para os autores de escritos da direita desesperada, que por acaso abundaram neste blogue, sugiro a leitura do artigo de hoje (dia 20 de Outubro) de Paulo Rangel no Público. Finalmente aparece alguém que faz uma análise séria (embora eu discorde devido a diferenças ideológicas) e deixa de lado o ridículo vocabulário do golpe de estado (esta faz rir) e das ratazanas, etc. etc.

    1. “Da direita desesperada”? Caramba, homem! O que é que você bebeu ao almoço?

      A alusão ao “golpe de Estado”, tanto quanto eu saiba, foi feita apenas por uma pessoa: Manuela Ferreira Leite.
      http://www.ionline.pt/artigo/417240/manuel-ferreira-leite-considera-que-governo-a-esquerda-e-um-golpe-de-estado?seccao=Portugal_i
      Por sinal a mesma pessoa para quem Costa tanto se derramou em elogios ainda há bem pouco tempo:
      http://observador.pt/2015/08/20/antonio-costa-admite-ha-uma-identidade-muito-significativa-entre-ele-e-manuela-ferreira-leite/
      Por sinal a mesma pessoa que assinou o célebre Manifesto dos 70, juntamente com Louçã, Rosas, Mariana Mortágua e Sampaio da Nóvoa.
      http://www.dn.pt/politica/interior/saiba_quem_sao_os_subscritores_do_manifesto_3731562.html
      Por sinal a mesma pessoa que o Pedro Adão e Silva gostaria de ver em Belém:
      http://www.dn.pt/politica/interior/adao_e_silva_propoe_manuela_ferreira_leite_para_belem_4401009.html

      Está a ver como você erra quando se apressa a colar rótulos às pessoas? A realidade não cabe em etiquetas, meu caro.
      Faça uma boa digestão.

      1. “O que é que você bebeu ao almoço?” Não bebi nada mas tive uma meia hora livre para dar uma olhadela em posts e comentários deste blogue (que aliás gosto de frequentar).

  7. O Pedro poderia ser mais caridoso e fazer a seguinte análise:
    (1) Candidata-se quem quer.
    (2) Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém decidiram candidatar-se. Ninguém os pode impedir disso (ver o ponto anterior).
    (3) Posto perante essas duas candidaturas, o PS só podia decidir não apoiar ninguém.
    (4) Posto perante a decisão do PS, o PCP percebe que não pode haver candidatura unitária da esquerda e decide, naturalmente, apresentar um candidato próprio.
    (5) Posto perante as decisões do PS e do PCP, ao Bloco nada mais resta do que apresentar, também ele, uma candidata própria.

    Resta explicar porque é que a candidata do Bloco é Marisa Matias. A razão é que o Bloco prossegue com a estratégia, que tão bom resultado deu nas legislativas, de fazer política no feminino. Dar o protagonismo às mulheres. Funcionou maravilhosamente nas legislativas.

  8. Sinceramente, estamos num país em que a classe politica não pensa em ocupar cargos para melhorar a condição e situação do país.
    Preocupam-se demasiado com clubismos, melhor partidarismos, lobby’s, etc.
    O que pode uma candidatura como esta pode acrescentar num processo governativo responsável e com espírito de missão? A meu ver nada…
    Já chega de circos… Não queiram destruir mais o país do que ele já está.
    O cargo de Presidente da Republica Portuguesa, merece de todos nós o maior respeito que, não vejo com esta postura de propósito de candidatura.
    Antes das eleições todos podem ser eleitos e só porque um é mais favorito, não ganhou as eleições. São os Portugueses que escolhem.
    Quem for inteligente ao ver esta postura de falta de crença de quem se candidata com um discurso de derrota irá pensar numa forma útil de votar, não temos dinheiro para desperdiçar com segundas voltas. Com tanto discurso anti Marcelo começo a achar que só existe uma alternativa, ele próprio.
    Mostrem o que valem com propostas Constitucionalmente Válidas e com Fundamentos e Propósitos Válidos. Viva a Democracia, Viva Portugal, abaixo a Incompetência.

    1. Pois, se o único mote das candidaturas que vão surgindo é “o discurso anti- Marcelo”, ele quase não precisará de fazer campanha. A propósito: o que será feito do Professor Zombie da Nóvoa?

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