Álvaro Beleza, membro da Comissão Política do PS:
«O Bloco e o PCP não aceitam a Europa em que nós estamos. São dois partidos que não defendem a economia de mercado. Nós somos sociais-democratas e aí há uma linha vermelha.»
Ana Gomes, eurodeputada do PS:
«Mais do que uma vitória da coligação há uma derrota do PS. O partido, mais do que nunca, tem que fazer uma análise nos órgãos próprios.»
António Galamba, ex-deputado e membro da Comissão Política do PS:
«Depois de quatro anos de vale-tudo à direita, a tentação de um vale-tudo à esquerda. Uma solução sem respeito pela vontade popular, ao arrepio dos valores republicanos e democráticos.»
Ascenso Simões, deputado, cabeça-de-lista do PS por Vila Real e ex-director de campanha de António Costa:
«Deve o PS assumir os riscos de uma gestão dificílima em que, sem qualquer linha de contacto à direita, se confrontaria, logo no primeiro orçamento, com o inevitável aumento da despesa e a circunstância previsível de incumprir as obrigações europeias? Que condições encontraria na concertação social perante uma UGT fragilizada e uma CGTP mais robustecida?»
Augusto Santos Silva, ex-ministro da Defesa, da Educação e dos Assuntos Parlamentares:
«A Constituição dá uma margem grande ao Presidente para interpretar os resultados eleitorais. O critério relevante deve ser o do grupo parlamentar mais numeroso. É este que deve assumir as responsabilidades de formar governo.»
Carlos Silva, secretário-geral da UGT:
«Não me parece que as forças à esquerda do Partido Socialista dêem garantias de estabilidade em relação ao futuro.»
Carlos Zorrinho, ex-líder parlamentar e eurodeputado do PS:
«Os eleitores que confiaram no PS não perdoarão uma troca dos seus votos por cargos de poder. Esperarão, antes, o uso desses votos para concretizar melhorias concretas na vida do País e nas suas vidas.»
Eduardo Marçal Grilo, ex-ministro da Educação do governo Guterres:
«O País está entalado. Governo à esquerda será um enorme desastre.»
Eurico Brilhante Dias, deputado e ex-membro do Secretariado Nacional do PS:
«Quem perde as eleições deve ir para a oposição. Um governo minoritário do PS que substitua um governo minoritário da coligação, tendo esta ganho as eleições, é politicamente pouco sustentável e é um governo que começa politicamente fragilizado – se assim for. O mais razoável é que a coligação e o PS cheguem a um entendimento.»
Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa:
«A esquerda não pode propor ao País, face a uma solução minoritária que é em si mais instável, outra solução minoritária, com a desvantagem de não ter o partido mais votado.»
Francisco Assis, ex-líder parlamentar e eurodeputado do PS:
«Quanto à perspectiva de se constituir uma maioria assente num apoio parlamentar dos partidos de esquerda, mantenho o cepticismo que sempre tive. Entendo que subsistem divergências de tal modo insanáveis que não vislumbro a possibilidade de se constituir um Governo de coligação – o que me parece absolutamente impensável.»
Francisco Seixas da Costa, ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus:
«Não tenho a menor confiança – e reivindico essa liberdade – de que seja possível garantir que o PCP e o BE sustentem, ao longo da legislatura, um apoio contínuo que, por exemplo, permita aprovar eventuais medidas, de natureza institucional ou em matéria de política financeira, que possam vir a ser indispensáveis para garantir a continuidade da nossa presença no euro.»
Helena Freitas, deputada e cabeça-de-lista do PS por Coimbra:
«Passos Coelho ganhou as eleições e tem todo o direito a governar. (…) Uma maioria que não se apresentou aos eleitores e portanto, para efeitos de governo, não existe, não é legítima.»
João Proença, ex-secretário-geral da UGT:
«O PS está a subverter os resultados eleitorais e isso é perigoso.»
José Lello, ex-ministro e deputado do PS:
«Esses indivíduos do BE e do PCP não estão a ser sérios. Há 15 dias diziam uma coisa totalmente diferente. Não vão aceitar o euro nem o Tratado Orçamental nem coisa nenhuma. Eles mudaram assim tanto?»
José Luís Carneiro, líder do PS-Porto, a maior distrital socialista:
«Quem ganha as eleições deve ter condições para governar.»
José Vera Jardim, ex-ministro da Justiça e membro da Comissão Política do PS:
«Vejo o diálogo com a coligação PSD/CDS. Com a esquerda não vejo capacidade nenhuma de diálogo.»
Luís Bernardo, ex-assessor de António Guterres e ex-director de comunicação de José Sócrates:
«O PS tem de virar a página. Terminar este seu ciclo santanista com uma liderança sustentada por uma elite que a todo o custo se quer perpetuar na política.»
Manuela Arcanjo, ex-ministra da Saúde e ex-secretária de Estado do Orçamento nos executivos de Guterres:
«O PR deverá começar por indigitar Passos Coelho mesmo que venha a existir uma moção de censura que chumbe o seu programa de governo. Alguns argumentam que tal seria uma perda de tempo. Pois que seja. Outros defendem que existe uma maioria absoluta à esquerda. Lamento, mas o que existe é uma maioria aritmética de deputados dos partidos que representam as diversas esquerdas.»
Rui Paulo Figueiredo, deputado do PS:
«Não acredito numa solução de entendimentos pontuais do PS com os partidos de esquerda.»
Sérgio Sousa Pinto, ex-líder da JS e membro do Secretariado Nacional do PS:
«Os comunistas não querem ir para o governo. Como também não o quer o Bloco. Não lhes interessa partilhar o fardo de governar. Querem um governo fraco do PS, para derrubarem quando for oportuno.»
Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças dos executivos Sócrates:
«Pelo maior alinhamento que existe nas questões europeias entre a coligação [Portugal à Frente] e o PS, diria que à partida um acordo que envolvesse estas forças políticas teria maior probabilidade de garantir estabilidade.»
Vasco Cordeiro, líder do PS-Açores e presidente do Governo Regional açoriano:
«Mais importante do que os resultados das construções técnico-jurídicas de transformação de votos em mandatos, é o respeito pela vontade popular. E a vontade do povo, da mesma forma que foi clara nos Açores, foi clara a nível nacional.»
Victor Baptista, ex-deputado e ex-líder do PS-Coimbra:
«O PS alienará um capital de confiança política conseguido ao longo dos 40 anos de democracia. O centro-esquerda que deu vitórias ao PS, futuramente, afastar-se-á. E muitos cidadãos que votaram no PS nas legislativas de 4 de Outubro desejavam a vitória do PS e um Governo constituído por quem ganhasse as eleições. O PS não as venceu.»
Vital Moreira, constitucionalista e ex-deputado do PS:
«Trazer o PCP e o BE para a esfera do governo pode ser uma receita para o desastre.»
Vitalino Canas, deputado do PS:
«Não ouvi do BE ou do PCP uma única palavra da linha europeia. Esse é uma parte essencial do programa do PS. Vale a pena estabelecer linhas de actuação: o PS estabeleceu as suas, outros partidos não o fizeram.»
Vítor Ramalho, membro da Comissão Política do PS:
«A direita, tendo tido mais votos que o PS, deve governar.»
Edição revista e muito ampliada
Alguém é parvo se pensa que Cavaco Silva vai aceitar uma caixa de fruta de rebusco arrebanhada em aflição de última hora sem um mínimo de garantia de obediência a calibres e certificação de qualidade. Para salvar a pele do vendilhão de megafone em riste nem eu arriscava, e não passo de um modesto calceteiro marítimo. Cavaco faz muito bem indigitar Passos e deixar que o parlamento se pronuncie deixando então Costa em estertor final, mostrar o cartão vermelho á coligação PSD/CDS. Sendo então certo que numa próxima já não será ele o cabeça de cartaz do seu partido a ser brindado com uma derrota em que nenhum peditório os salvará de um afundanço mestre com um cabaz repleto de vermelhos.
Cavaco vai indigitar Passos. Este tem a obrigação de reunir nomes qualificados para um governo que o PS terá o ónus de derrubar na sede própria da democracia, que é o plenário da Assembleia da República. E ficará com esse ónus atravessado por muitos e bons anos. Como teve Constâncio em 1987 ao derrubar o governo minoritário de Cavaco, em alegre parceria com o PC e o defunto PRD.
Espero que tenha razão.
E espero que nesse debate Costa seja confrontado com a necessidade de conquistar os votos favoráveis de PS+BE+PAN+PEV (além da abstenção do PCP) para aprovar o seu orçamento de estado, e instado a explicar como o vai fazer.
Não é aceitável que empurre a coligação vencedora para a oposição para depois contar com esta para a aprovação do orçamento.
A PàF elegeu 107 deputados. O PS 86, com o BE 105. Precisa de mais 3 votos favoráveis e 18 abstenções. De forma consistente, ao longo da legislatura.
Uma coisa era ter ganho e piscar à esquerda e à direita consoante o tema. Outra é ter perdido, ingnorar sobranceiramente o vencedor, deitar fora o acordo de regime que construiu a nossa democracia, mas esperar cordialidade do outro lado.
As regras constitucionais estão a ser cumpridas. E é bom que isso suceda, a partir de agora, com total clareza e transparência – em clara dissonância com o sucedido na recente campanha eleitoral.
Ao responsabilizar-se pela primeira vez, em sede parlamentar, pelo chumbo de um governo constituído pela força política vencedora das eleições, rompendo uma prática constitucional de 40 anos que permitiu viabilizar cinco executivos (4 do PS+1 do PSD), o partido liderado por António Costa assume todo o ónus consequente. Juntando os seus votos aos do PCP+BE+PEV para chumbar um Governo que dispõe de mais dez lugares no Parlamento do que tinha o executivo Sócrates viabilizado em 2009, o PS embarca numa aventura sem precedentes no quadro da sua família política europeia e de toda a sua tradição anterior – iniciada por Mário Soares em 1976.
Com isto António Costa volta a inovar. Já o tinha feito na noite eleitoral, quando não aplicou a si próprio, enquanto derrotado nas legislativas, a ética da responsabilidade que tinha exigido em Junho de 2014 ao vencedor das europeias, António José Seguro. A entrada no Governo pela “porta dos fundos”, como acertadamente o qualificou Sérgio Figueiredo, é quanto basta para Costa se aguentar momentaneamente no periclitante poder interno socialista – o que parece ser a sua principal motivação para firmar uma “maioria de esquerda” nunca sequer sugerida aos eleitores durante a campanha.
Dure esse hipotético executivo o tempo que durar, assegura-lhe a curto prazo o estatuto de ex-primeiro-ministro – uma via verde garantida em Portugal para atingir estatuto senatorial seja a quem for. Tem toda a conveniência pessoal nisso, portanto. Resta saber se é do interesse do PS. E – muito mais importante – se é do interesse do País. Mas nada como deixar passar o tempo, esse implacável e definitivo juiz.
E porque não o PAF apresentar governo, programa e orçamento e os mesmos passarem com a abstenção violenta de 8 deputados do PS e o único do PAN.
Ou alguém deitar o Costa abaixo.
P.S.- Mas lá que isto dá gozo, dá, ver os Pafistas todos desesperados e a oferecerem tudo e mais alguma coisa, só lhes falta adoptarem o programa do PS.
Você não deve ter reparado, mas das 25 pessoas que aqui estão citadas, com direito a hiperligação, nenhuma delas é ‘paf’.
Eu vejo muita gente neste futebolês – que julgo que não toca ao WW – da azia, dos direitolas e do desespero, mas sinceramente o que me desespera é o que aí vem para o país e a incapacidade destes o perceberem. De resto também estou a achar divertido ao suicídio assistido da esquerda em Portugal.
Lista já subiu para 26. Com tendência para aumentar.
Tem razão T o futebolês não me toca, tento sempre fazer uma discussão elevada e com argumentação minimamente credível sobre tudo aquilo em que possa trazer alguma luz aos problemas (incluindo Futebol) mas por vezes os interlocutores não permitem e tem de se optar em alguns casos pela retórica sem valor, por mastigar os argumentos ou então não dar troco.
A minha posição é clara, Costa deveria ter saído, o PAF formar governo e pelo menos o 1º orçamento passar com a abstenção do PS sendo que o PAF deveria agora provar se saberia governar em minoria e fazer pontes com outros partidos (PS). Costa numa atitude incomum, precipitada pela própria sobrevivência e da entourage do PS que o suporta fez o que fez, agora é ver no que dá, também no máximo dura um ano e num ano não se pode destruir tanta boa obra deste governo aliás segundo eles Paf ) está tudo bem.
Obviamente que sei que o País está péssimo ou não o referisse amiúde aqui no DdO e sei que só uma politica de Verdade e Justiça pode levar Portugal e os Portugueses a terem alguma esperança no futuro mas eu já pensava assim em 2011 e se com este governo foi o que foi e tinha tudo para fazer bem, agora não poderá ser muito pior.
Quando muito mais um resgate imposto por Bruxelas para vergar o Podemos, aqui ao lado em Espanha que o Canadá fica longe e não convém saber noticias de lá, só pelo EuroNews .
“Vergar o Podemos”? Quem “vergou o Podemos” foi o eleitorado catalão. Você não reparou que houve eleições na Catalunha a 20 de Setembro?
Pela resposta vejo que entendeu o alcance do meu P.S..
O voto (sentença) desses 25 vale tanto como os de quaisquer outros 25 anónimos, é a democracia a funcionar.
Se ler com atenção a crónica de Pacheco Pereira (aka Torquemada de Carnaxide segundo você) de dia 17 no Publico encontra lá muitas respostas.
Não frequento Torquemadas, tenha paciência.
De facto só cita atrasados mentais. Não percebo o critério de escolha, sobretudo tendo em conta que houve milhões de eleitores com cabeça. Foi logo escolher essa dúzia de anedotas…Parece de propósito.
E eis que entra um Robocop a pés juntos, corajoso como qualquer anónimo de boa cepa, a chamar “atrasados mentais” a outros. Um “debate de ideias” à portuguesa, com certeza.
Verifico que o Pedro Correia já está a mudar, já apela ao debate de ideias, o que se seguirá ?
Vem cá picar o ponto, mas chega tarde. Debate de ideias sempre existiu neste blogue desde a fundação, vai fazer sete anos.
http://causa-nossa.blogspot.pt/2015/10/a-r esponsabilidade-historica-do-ps_67.html
Se quer caracterizar a opinião de Ana Gomes sobre um “governo Costa Jerónimo”, só a título de exemplo, porque não escolher o que ela diz sobre o assunto, em vez de escolher o que ela diz sobre os resultados das eleições?
Não me dei a esse trabalho mas suspeito que não faltarão exemplos semelhantes na sua lista…
O que está dito, está dito. E com clareza.
Recapitulando:
«Ana Gomes afirmou-se “chocada” com os resultados [uma frase semelhante ao “estado de choque” em que António Guterres ficou em 1991 quando Jorge Sampaio foi derrotado por Cavaco Silva]. “Mais do que uma vitória da coligação há uma derrota do PS”, afirmou a eurodeputada para quem o partido “mais do que nunca tem que fazer uma análise nos órgãos próprios”. Ana Gomes afirmou que a “culpa” dos resultados “tem a ver com a estratégia de toda a direcção do PS que tem de ser analisada rapidamente”.»
Face a estas declarações, mandaria o cumprimento da mais elementar ética da responsabilidade que o “derrotado” das legislativas, com assumida “culpa” própria pelos resultados em função da “estratégia” errada que adoptou, nem se mantivesse em funções – quanto mais vir a formar governo, com Jerónimo ou sem Jerónimo.
Caso contrário, o “choque” que a eurodeputada fez questão de transmitir ao País inteiro não faria qualquer sentido…
Presto a Ana Gomes a homenagem de presumir que quando fala é para as palavras serem gravadas em pedra e não registadas num monte de areia.
Governo Costa-Jerónimo?!
Este Pedro Correia… uma vez machista, sempre machista. Mas disfarçado, claro, como são todos. Só fala do Jerónimo, ui, cuidado, eles vêm aí!
Coitadas das mulheres que escrevem neste blog com um ser superior como o Pedro Corria. Caladinhas, mulheres, o vosso lugar é na cozinha. Desprezível.
Natália: peço humildemente perdão por me ter esquecido de Heloísa Apolónia, presumível futura Ministra do Ambiente. Mas funcionando o PCP como barriga de aluguer dos verdes, a parte neste caso está sempre implicitamente subsumida pelo todo. ofissao-deputada-7804106
Aliás, de algum modo, procuro redimir-me desse lapso com um texto inteirinho que acabo de dedicar-lhe (não a si, mas à camarada Apolónia):
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/pr
Arre! ainda por cima é lento.
Então na formação de um governo de esquerda só existe o Jerónimo? A Catarina Martins até ficou à frente do PCP! Eu compreendo, é mulher, logo, para um machista retrógrado se é mulher não existe. Quanto mais fala, mais esse “trogloditismo” se vê.
“A Catarina Martins até ficou à frente do PCP”.
Ainda bem que você é rápida. Pena que seja rápida no disparate.
Como é que uma pessoa só, homem ou mulher, consegue ficar “à frente de um partido político”? Enfim…
Há para aí alguns que dificilmente podem estar em qualquer classificação e que não esperava ver citados porque, além de darem uma má imagem do PS há dezenas de anos, são mais do tipo “eternamente carreirista e ‘tachista’ sempre que possível”.
Alguns haverá, Sérgio. Aliás existe carreirismo em todos os partidos, incluindo no PCP, onde os deputados (só para dar um exemplo) são, na prática, funcionários do partido, sem existência profissional autónoma.
Sou sensível a esse argumento mas reconheço que se apenas vivessem de adesões momentâneas e espontâneas, sem um ‘corpus’ organizado, os partidos seriam estruturas frágeis e invertebradas, à mercê de qualquer maré populista que os fragmentasse e mutilasse a qualquer momento.