Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O debate com o primeiro-ministro O País Pergunta, que a RTP transmitiu no passado dia 9 de Outubro, teve o grande mérito de demonstrar como, no quotidiano entorpecente das nossas televisões, os programas sobre política são um dos responsáveis pelo crescente afastamento dos cidadãos face às questões socio-políticas. Nas discussões diárias sobre crise, défice, troika, resgate e “inverdades”, os diversos canais apresentam sempre os mesmos comentadores — alguns deles antigos dirigentes partidários — que se entretêm a falar entre si através de recados escondidos, ou se empertigam com o recurso a frases técnicas incompreensíveis para a maioria da população. Se pensarmos que a gente nova há muito deixou de ver televisão e que grande parte dos mais velhos não tem conhecimentos suficientes para caminhar entre as minúcias da análise económica, depressa compreendemos que o discurso popular do “lá estão eles às turras” ganha cada vez mais adeptos.»

Daniel Sampaio, no Público

8 comentários em “Reflexão do dia”

  1. 1. Discordo de Daniel Sampaio quanto`ao “economês” de que o analfa-tuga é indiferente.

    2. Cada vez mais, percebe-se do homem comum o interesse no “economês” e uma grande maioria já percebeu que a grande escola económica é a da … cozinha.
    (o “economato”, diz-se nos hoteis, raio do étimo!, independentemente da linguagem do “business”), sem muitas equações polinomiais, conversa adverbial, nem cálculo infinitesimal, nem modelos econométricos de “exceles”, mas somente …aritmética (a da boa!, sob a vetusta administração do tabefe …sem traumatismos inventados por algum -ólogo) só havendo taxa de juro (no modelo queinesiano: preço que resulta da perda de liquidez para quem tem capital, isto é, os “bifas” lá de fora) na banca, para a casa!, fugindo a nossa mariazinha de semelhantes mercearias, e quando vê na rosa “vida moderna” a sonsa da Teresa Melconde (é verdade! assim o pensa, com uma pontinha de inveja…a nossa mariazinha, mas invejazinha que não rouba a ninguém, nem se manda, por via do pecado capital que sentiu nos ossos, de manif em manif, ou no “buóto” no que der mais rebuçados e coisinhas) nos bijagós ou de riquexó na Conchichina, hoje Laos ou Vietnam, alegra-se sonhando.

    3. É! A nossa mariazinha licenciou-se com a tese “analogias do Possível no Poder: quereis mais ilusões?”

    4. Pena é que o tuga não tivesse seguido o “economês”, não agora, mas nos últimos 20 anos. Agora, só tem a atenção porque lhe vão ao bolso por mais uma década. O tuga vê, julga, sente sempre o mundo consumado.

    4. Não, não se julgue que a nossa querida doméstica, pós-doutorada na vida da escassez do bife de alcatra, ou na teoria da escolha entre coentros, louro ou oregãos, com mestrado feito em receitas, olhando a princípios pré-positivos que nem a proporcionalidade (regra intemporal do Direito) alcança (o princípio da confiança: dias ímpares, sopa, dias pares peixe ou carne; princípio do adquirido : tudo nela na mariazinha veio ao mundo foi-se amontoando e transformando, até o labrego do moço com quem foi a banhos foi adquirido; princípio da equidade : os rapazes, farinha, chispe e feijão, as meninas fruta, couve, canja, e se S. Bárbara quiser frango-do-campo, os mais velhos uma sardinha dividida a dois com batata e azeite, no final creme de leite com flocos de aveia para todos!) dizia, leu o discurso de 33 do Sebastião de Santa Comba! Nada , nada disso, sabe que há um princípio que todo o ser conhece, e só quem chega ao poder esquece: a reserva do possível, a medida do visível (assim sem juros!), e a do desejo sempre impossível.

    1. Monge… parece-me que isso ficou tão hermético, que o meu nariz não tem all-facto para tanto. De qualquer forma, cheira-me que és bem capaz de ter razão.

  2. Então e os constantes e intermináveis programas sobre futebol em que lá estão às turras? Também provocam o crescente afastamento do pessoal face ao jogo da bola? Ou o cidadão mais velho já percebe bem a minúcia da linguagem e o mais novo estudou aquilo na escola?

  3. Pergunta que eu gostaria de ter feito: O senhor 1º ministro ainda não percebeu que com um exército de pessoal do jornalismo, da vida política velha e nova, comentadores da sardinha assada ao molho de tubarão, especialistas da mosca até ao moscardo, e até da sua tralha caseira de mobília empenada a contestá-lo, tudo a debitar soluções expeditas cá para o rectângulo, patrioticamente já devia ter pedido a demissão e passar a loja a quem sabe?

  4. Reparei hoje que estreou, creio que a 13 de Setembro,
    o filme “MACHETE KILLS”:
    http://www.youtube.com/watch?v=cwARA6PW7Do

    parece coisa do wehavekaosinthegarden.com, mas não, é mesmo anúncio de filme de Hollywod, com Robert Estevez, Mel Gibson, Lady Gaga, Sofia Vergara… enfim, parece um mimo caótico kitsch!

    Tratando-se mais um filme de Robert Rodriguez, era de esperar que este “Machete Kills” tivesse tido alguma difusão entre nós, quando mais não fosse por razão do comentário mordaz… ou será que a ida ao Panamá foi para rodagens de uma sequela?

    Fui eu que estive distraído, ou a população anda assim tão alheada que nem esta coincidência hollywoodesca fez sair os habituais gracejos nas redes sociais?

  5. Concordo com o Dr D.Sapaio

    Todavia, contudo, porém, ele devia também preocupar-se com a dose massiva de comentadores médicos e paramédicos que nos levam à loucura doentia:

    hemorroidal — figadeira — Avc — diarreia — dor d’ossos — diversas faltas e excessos de apetites —depressão — doenças sexuais transmissíveis… o Viagra e a crise , etc etc.

  6. Este discurso é mais um exemplo do camaleonismo da esquerda. Em outro dia é capaz de estar a criticar a falta de “cultura” na TV que dá 2% de espectadores e falar da educação e criação de públicos…

    Também mais uma vez se demonstra que a Economia não é “cultura” para a Esquerda…

    “Se pensarmos que a gente nova há muito deixou de ver televisão e que grande parte dos mais velhos não tem conhecimentos suficientes para caminhar entre as minúcias da análise económica,”

    Agradeça à Educação Publica Forçada . Não estaria a pensar que a educação alguma vez iria perigar o Populismo-Keynesianismo do regime?
    O mais importante da Educação Publica é tornar possível que o Poder possa aumentar salários 5% e ter inflação de 20% sem ninguém do povo saber fazer contas.
    Onde aliás estaríamos se a elite do regime não fosse ainda mais Narcisista do que Populista ao entrar para um clube de ricos.

  7. O afastamento dos cidadãos relativamente à política deve-se, em minha opinião, entre outras causas e antes de mais, às seguintes (ordem arbitrária):

    – falta de cumprimento de promessas eleitorais
    – proclamar-se uma coisa quando se é oposição e fazer-se o contrário quando se é governo (e vice-versa)
    – falta de seriedade ao afirmar-se uma coisa num dia e outra completamente diferente passados dois ou três
    – corrupção, amiguismo, compadrio
    – perceber-se que são protegidos os interesses dos mais poderosos e não os do “mexilhão”
    – arrogância, falta de decoro e de capacidade de reconhecer os erros
    – espectáculo dos debates inúteis e ocos que acontecem na AR, onde os deputados se levantam ou não conforme mandam os chefes dos partidos, e existe o abandono dos mandatos sem razões determinantes
    – se calhar e antes de tudo, não haver por aqui grande coisa a decidir, dada a pré-bancarrota que fez chamar a Troika e haver países mais poderosos, por um lado, e burocratas de Bruxelas, por outro, a mandar em nós

    A lista de comentadores que me fazem imediatamente mudar de canal é longa, mas não localizo aí o maior dos males.

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