Certos defensores dos animais esgotam as limitadas doses de compaixão nos quadrúpedes enquanto proclamam: “Há humanos que deviam ser abatidos!” São sujeitos sensíveis, ma non troppo.
Vale a pena ler, aliás, esta caixa de comentários na íntegra.
Encontra-se lá de tudo um pouco: desde a donzela que garante aos quatro ventos ser incapaz de auxiliar um ser humano com doença contagiosa (“porque tenho animais e não os ia sujeitar a isso”) até aos apologistas do suicídio obrigatório e compulsivo. Passando por alguém que assegura: “Tenho uma cadela e posso dizer-lhe que gosto mais dela [do] que [de] muita gente até da minha família!” E pelo fulano que grita: “Eutanasiemos o indivíduo.” Espero ao menos que tenha sido vacinado contra a raiva…
Já chegámos a este ponto em matéria de inversão de valores. Mas não tenhamos dúvidas: isto está muito longe de terminar aqui.

Concordo integralmente com este post.
Há também que ver que hoje em dia as pessoas não têm filhos e que, portanto, deslocam o seu amor para animais de companhia. O amor que os pais têm aos filhos, muitas pessoas hoje em dia têm-no a animais. Com a vantagem, evidentemente, que os animais são em geral mais obedientes e fiéis do que as crianças.
Algumas pessoas consideram admissível a existência, na mesma frase, de manifestações de imenso carinho por animais e do desprezo mais absoluto por seres humanos.
Jamais deixarei de me indignar com isto.
Subscrevo completamente, o post e o comentário. Não compreenderei nunca isto. Não é preciso dizer mais nada. Bom fim de semana, Pedro.
Para si também, AE.
Há pintos de que não gosto mesmo nada:
http://www.publico.pt/politica/noticia/m arinho-e-pinto-recusa-dizer-se-recebeu-s ubsidio-de-reintegracao-de-54-mil-euros-d a-ordem-1672327
Interrogo-me se essa sua aversão será extensível a outro Pinto. Da Costa.
Há esse e ainda outro Pinto. De Sousa. Pintos dão-me galo.
Antes o Oliveira. Da Figueira.
Qual a surpresa?
A maioria dos jornais e jornalistas existe para criar culpa.
O Greenpeace, ambientalistas foram propagandeados acriticamente pelos jornais.
Da culpa do Homem branco inventada pela Esquerda para tomar o poder passou-se à culpa do Homem tout court.
A culpa é a narrativa política pois a culpa silencia e fica mais fácil tomar o poder.
Quando começarem a existir blackouts de energia na Europa por causa dos “verdes” e ocorrerem mortes directas vamos começar a ver os resultados.
Você tem uma notável capacidade para saltar de tema. Desta vez fez um duplo mortal à retaguarda, ao jeito do Nani quando marca um golo. Tenho uma rotura muscular que me impede de o acompanhar nessa proeza.
Lol Pedro 🙂 O que é que os jornais e a política têm a ver com isto??
Esse tipo de comentários é, obviamente, idiota. Mas é preciso não esquecer que decorrem de uma decisão (até, ou em especial, cientificamente) não menos idiota: http://lishbuna.blogspot.pt/2014/10/o-ho rrendo-lado-selvagem-da-iberia.html
Não ponho isso em causa, João. Nem quero pronunciar-me sobre a questão de fundo: teria que me informar mais sobre a matéria. Acho no entanto chocante que zelosos defensores de animais usem essa causa legítima para defender o “abate” de seres humanos.
Não é a primeira vez que acontece, não será a última.
Frases como as que destaquei (e várias outras, do mesmo género) são pronunciadas por gente supostamente instruída. Mais: por gente que fala como se estivesse investida de superioridade moral e não admite sequer debater: parte para a discussão recorrendo logo à arma do insulto.
O bicho homem é fascinante.
Por vezes é uma besta.
Que consegue desumanizar-se de uma forma impressionante. Faltam tantos espelhos neste mundo. É isso que me deixa espantado. Como é possível não verem que são exactamente como o que criticam! Depois de ler «1984» cada vez mais acho que o «duplopensar» é algo bastante real. Daí o fascinante.
Aqui a literatura ensina-nos muito. Desde o homem transformado em insecto (Kafka) até ao porco que se vai transformando em homem (Orwell).
Eu tenho um gato e uma gata. Sou uma cat’s person e adoro os meus bichanos. Já perdi dois. É a vida.Tudo nasce, tudo morre… um deles tinha o mesmo problema no coração que vitimou o Feher… Chorei rios, mares, sei lá.
Revolta-me saber que há pessoas capazes das maiores atrocidades para com os animais… but then again… há também pessoas capazes das maiores atrocidades para com os seus iguais o que ainda me deixa mais revoltada.
Para além disso, tomo os meus medicamentos para a tensão arterial, para o colesterol, para a ciática e as hérnias discais, sem pestanejar nem pensar que são todos eles, os comprimidinhos coloridos e maravilhosos, testados em animais… posto isto só posso ser uma hipócrita dos quatro costados.
Eu gosto muito de animais e sempre tive animais nas diversas casas onde vivi, em três continentes. Mas jamais deixarei de me chocar com aqueles “defensores de animais” que, em simultâneo, advogam o extermínio de seres humanos.
Esses fazem-me sempre lembrar aquele oficial nazi, responsável por um dos mais tenebrosos campos de concentração da Alemanha hitleriana, que revelava um desprezo criminoso pela espécie humana enquanto adorava o canário que tinha lá em casa.
Esta inversão valorativa parece estar muito nítida em sujeitos que, por um lado, vocalizam o “sim” ao aborto – em casos em que a “mera vontade” pode prevalecer sobre um embrião humano (uma vida) -, e que, por outro lado, defendem quase sem limites a vida do animal não humano…
Nunca consegui perceber a racionalidade e o fundamento do pensamento em causa (provavelmente porque os não tem) mas questiono-me se não terá que ver com as “vantagens da irresponsabilidade”…
Enquanto é fácil falar dos animais (curiosamente, em muitos casos, tentando mandar no destino dos animais dos outros), parece ser bom facilitar um descartar da responsabilidade pela gestação de uma criança (argumentando que não se pode mandar no destino da barriga de alguém)… Mundo estranho…
De facto, alguns “defensores dos direitos dos animais” têm a estranha obsessão de mandar nos animais dos outros. Dá matéria para outro ‘post’.
“A deriva de antropomorfização dos animais acaba por zoomorfizar o ser humano”.
Anónimo
É bem verdade, meu caro. Há quem diga que a culpa de tudo isto é do senhor Walt Disney.
As circunstâncias favoreciam manifestações demagógicas. E tudo isto as favorecerá por ainda mais tempo. Desde o fundamentalismo pró-animal, ao fundamentalismo oposto (e nunca se ignore este fundamentalismo), passando pelo aproveitamento político – em repugnante desrespeito pelas vítimas desta doença -, pois que tudo serve, bem se sabe, para atacar governos, exigir demissões, desgastar o poder presente.
De resto, parece-me perfeitamente possível respeitar, gostar (amar, como se queira denominar) humanos e animais. E, não perdendo certas noções básicas de bom senso, gostar verdadeiramente de animais e lutar pela sua defesa perante uma humanidade que, de facto, perante eles é amiúde capaz da mais aflitiva barbárie. A que chega a dar o respaldo de “cultura”.
Não sou capaz de afastar, sem mais, a ideia de que quanto mais se conhecem os homens, mais se gosta dos animais. Porque a vida dá-nos facilmente exemplos de quão fundada pode ser tal afirmação. Nem aceito a posição daqueles que rasgam as vestes, ofendidíssimos, considerando inaceitável que se apliquem recursos em prol da defesa dos animais, ou que se tenha uma simples atitude de respeito e carinho por eles, porque há milhões de pessoas com fome e sem cuidados de saúde. Como se o sofrimento de uns desautorizasse sem mais o sofrimento dos outros e o carinho, a decência, a consideração – a “humanidade”, enfim – que sempre nos devem merecer esses outros, mesmo quando o seu destino é o nosso estômago.
O critério será simplista e dado a interpretações abusivas (são-no todos, ou quase, creio), mas acredito que de facto o grau civilizacional de um povo se mede – se mede também – na forma como trata os seus animais.
No bom senso, enfim.
Costa
Inteiramente de acordo consigo. Para mim só é inaceitável ouvir proclamações de amor aos animais enquanto se incentiva o ódio a seres humanos.
Muito bom comentário. Totalmente de acordo. Um amor não invalida outro. Tudo o que é radical, perde totalmente a razão.
Diz bem, Anita: um amor não invalida outro.
Se um velhote cair na rua ?. Se ao seu redor estiverem 10 pessoas e 10 cães. Quem é que voces acham que o ajuda a levantar?
Quiem trata os animais como pessoas trata as pessoas como animais.
Alguns identificam-se tanto com animais que chegam a ladrar, a urrar, a rosnar, a guinchar e a uivar.
Se um dia destes, Pedro, alguém chamar cão ou cadela, ou burro ou burra ou qualquer coisa mais ligado a cavalos a um destes indivíduos que aponta em seu post, receberá de volta um: obrigado pelo elogio.
Devo dizer-vos que tenho um cão porreirito. O bicho é muito macho. Para além das cadelas não o largarem (já vi uns cachorritos malhados que indicam possuir seus genes) o animal vai-se a outros cães que o chateiem e que entrem em seu território. Não faz mal a pessoas, só exige que estas peçam por favor para entrar no território que lhe está destinado. Ele é muito educado e só autoriza a entrada se estiver de bom humor.
Adora a veterinária e quando está junto dela começa com aqueles olhares de bonzinho como se se tratasse de um bicho incapaz de partir um frasco de compota, e só ela é capaz de me transmitir suas angústias existenciais. Adora nozes, caju e amendoins, e quando me sento vem logo para próximo de mim e faz uma guerra danada enquanto eu não puser a mão sobre ele. Senta-se e não aceita que a tire. O gajo é mesmo chato com estas exigências.
Só há uma coisa que ao longo destes doze anos de convívio não consegui modelar: o bicho, sempre que regresso de minhas ausências, chora e grita que nem um cabrito desmamado e urina-se todo. Tenho de andar em volta dele uma boa hora para conseguir acalmá-lo.
Creio que alguém lhe terá ensinado alguma coisa. É que ele também, sempre que regresso, cheira-me todo. Quando o tipo funga ou espirra é sinal que as perguntas vão iniciar-se.
“Se queres um amigo em Washington arranja um cão.” Eis uma boa frase, do ex-presidente Harry Truman.