Fernando de Sousa (1949-2014)


Luís Naves,

Tive o privilégio de conhecer Fernando de Sousa, que faleceu em Milão, aos 65 anos. Guardo dele uma imagem de serenidade, de competência e simpatia. Era um jornalista cheio de confiança e boa disposição, com larga experiência, que incluía rádio, televisão e imprensa, sendo bastante raro encontrarmos alguém que faça bem as três coisas. Na televisão, funcionava segundo a escola da BBC. Na imprensa, o Fernando era um dos melhores exemplos da escola do DN, tradição obcecada pelo rigor e a precisão dos factos, distanciamento emocional, poupança de adjectivos e frases sem ornamentação. Ele era também um dos jornalistas portugueses com mais conhecimento sobre União Europeia, um labirinto onde ele se movia com enorme habilidade e onde é tarefa difícil conseguir transformar o importante no interessante. O Fernando era um mestre a descodificar a complexidade: morreu a fazer o seu trabalho, a dar notícias objectivas, que todos compreendiam, rigoroso até ao fim, um senhor.

4 comentários em “Fernando de Sousa (1949-2014)”

  1. Fizeste bem em lembrar aqui o Fernando de Sousa, um jornalista que a título excepcional mereceu hoje a homenagem póstuma de representantes de todas as forças políticas portuguesas. Uma justíssima homenagem, sublinho. Como bem destacas, era um jornalista sempre mais preocupado com o rigor dos factos do que com adornos de qualquer espécie, fiel à escola da BBC, onde trabalhou vários anos e ganhou aquela entoação tão específica. Foi aliás lá que o conheci, em 1989, no majestoso edifício da Strand, quando estive a um passo de aceitar uma proposta de trabalho na secção portuguesa da BBC, de tão boa memória. O Fernando, que viria a reencontrar anos depois na redacção do DN, era um jornalista sem peneiras, acessível a qualquer um, disposto a ajudar todos os colegas. Alguns, com metade do currículo e da experiência dele, andam por aí armados aos cucos, ostentando uma importância que nenhum leitor ou telespectador lhes outorgou.
    Morreu com as botas calçadas, a trabalhar. Honra à sua memória.

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