Provincianismo


Sérgio de Almeida Correia,

O João Carvalho já tinha feito o favor de sublinhar. Mas eu confesso que é algo que  ultrapassa a minha capacidade de compreensão.

Jesualdo Ferreira sempre me pareceu um homem sério e razoável, que via futebol com alguma distância e suficiente capacidade de análise para perceber quando é que a sua equipa jogava bem ou jogava mal. Saiu do Benfica da forma que nenhum treinador gosta, mas depois disso fez um bom trabalho em Braga, antes de ingressar no FC Porto. 

O problema é que, à medida que os anos foram passando, Jesualdo foi-se tornando mais num adepto dos Superdragões do que num treinador de futebol com estatuto e currículo. Começou a não fazer as digestões e de cada vez que a sua equipa não rendia queixava-se da arbitragem e de tudo e mais alguma coisa. As entradas violentas e à margem das leis do jogo de Bruno Alves, de Meireles e de muitos outros, incluindo Rodriguez, passaram a ser sempre perdoadas. A culpa era dos outros.

Esta época, depois de perder com o Sporting, de ter feito um jogo miserável com o Olhanense e de ter levado 5 do Arsenal, veio dizer que a culpa era do cansaço. 

Ontem o FC Porto encaixou mais 3 de um Benfica que vinha de duas deslocações difíceis à Madeira e a Marselha, onde despachou um dos grandes de França com toda a limpeza na 5ª-feira passada. Se alguém se podia queixar de cansaço nesta altura era o Benfica.

No Estádio Algarve, a equipa de Jesualdo Ferreira levou um verdadeiro banho de futebol, não conseguiu construir uma jogada que se visse de bom futebol, beneficiou  da escandalosa complacência do árbitro, árbitro do Porto, convém não esquecê-lo, que abusou da dualidade de critérios, sempre em prejuízo do Benfica, manteve em campo Bruno Alves – tenho vergonha como português de ter um tipo destes na selecção nacional – depois das violentíssimas entradas sobre os jogadores do Benfica, e ainda mostrou cartões amarelos com o maior despropósito, como aconteceu com Aimar.

No fim, Jesualdo Ferreira veio dizer que “nenhuma equipa se superiorizou à outra“. Pois não, mais 3 ou menos 3 é exactamente a mesma coisa. A isto chama-se provincianismo, pequenez, mediocridade. As gentes do Porto mereciam melhor.

10 comentários em “Provincianismo”

  1. Tirando um Bruno Alves, que joga sempre assim. (Já Fernando Couto era assim), dizia eu tirando o Bruno Alves, que até nem faltou ao respeito ao árbitro (acidentalmente a TV mostrou – Já parecia o jogo Porto-Estrela da Amadadora , há uns anos), O cartão ao Aimar . Os três golos sofridos, o frango do Nuno, O Raul Meireles, as equipas foram iguais. A diferença está nos golos. Foram equipas iguaizinhas. O jogo que Jesualdo viu, foi diferente do jogo do pessoal que viu no Estádio e na TV. Não admira, com a distância só hoje o jogo vai chegar ao Porto. Só aí Jesualdo vai tomar consciência do que se passou.

  2. Bom dia Sérgio,
    De acordo com sua análise.
    Pena ver uma pessoa, que também considero séria, como Jesualdo Ferreira não ter capacidade de reconhecer o óbvio.
    E uma correcção : o Marselha não é o campeão francês…é o Bordéus.
    Cumprimentos

  3. “Jesualdo foi-se tornando mais num adepto dos Superdragões “, à imagem e semelhança daqueles dois senhores dirigentes do FCP que dão pelo nome de Reinaldo Teles e Pinto da Costa. As gentes do Porto merecem melhor.

  4. A bola também não me tira o sono, apesar do meu coração Vermelho, mas assistir à vergonha do que se passa fora do campo é… inenarrável.
    Alguém devia fazer alguma coisa, urgente e a começar pelas atitudes dos dirigentes, primeiro, e eu sou dos que penso que se não existisse pinto da costa no nosso futebol, as coisas eram bem melhores, e depois no comportamento dos jogadores.
    Atitudes de um capitão de equipa, como as que ontem assistimos, só fomentam a ira. E ouvir adeptos dizer que o Benfica é O inimigo…. está tudo dito.
    Na vida ganha-se e perde-se.
    Este ano calhou ao Benfica ganhar.
    Custa assim tanto aceitar isso?

  5. Obrigada Sérgio, de facto são sábias as suas palavras, não me ocorreria uma explicação melhor para os factos.

    Também ontem, dei comigo a pensar, que vergonha será como portuguesa assistir a um comportamento tão anti desportista por parte daquele rapaz de nome Bruno Alves, de longe o pior elemento em campo ontem.

    Não é possivel que aquele rapaz arruaceiro, possa jogar ao lado de outros colegas, esses sim desportistas, auferir ordenados elevadíssimos e comportar-se daquela forma.

    Ninguém gosta de perder é um facto, percebe-se nas palavras do treinador, que chega a provocar pena, de facto acho que o futebol é uma profissão muito ingrata, hoje és tudo ,amanhã um farrapo na sarjeta, não é justo, mas o que é intolerável é o mau perder, que leva ao desespero e á agressividade…

    O futebol não é uma festa, é uma arena de digladiação, não podemos permitir isso, temos que nos insurgir, contra isto, castigar, castigar, castigar, para educar, educar, educar…

    Fiquei triste por estes acontecimentos, mesmo sendo benfiquista, é impossível tolerar esta nuvem negra que paira no futebol português.

    Entretanto, para todos os portistas que não se revejam na agressividade de ontem, parabéns porque é no saber perder que se encontram as grandes pessoas!

      1. toca-lhe sim João, porque você também é uma pessoa boa e um grande defensor do que é justo… e também porque é do Porto…

        Já viu ? afinal podemo-nos entender, mesmo eu sendo benfiquista e do Alentejo, é isto que é importante, não é a exacerbação desmesurada que coexiste á volta dos clubes.

        Porque não é assim com os outros?

        1. Dou-lhe inteira razão. Uma das melhores coisas que temos na vida é esta capacidade extraordinária de nos entendermos na diferença. Porque as semelhanças entre pessoas de bem são sempre muito mais do que as diferenças.

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