Paulo Pedroso: «Eu queria simpatizar com o PEC mas não consigo. (…) O Governo do PS, em que votei, vai introduzir um tecto de despesa nas prestações sociais não contributivas, o que quer dizer que quando ele estiver esgotado, quem receber, por exemplo, o subsídio social de desemprego ou o complemento solidário para idosos, apesar de ter direito à prestação já não a receberá. (…) Hoje sinto-me particularmente feliz por não ter sido candidato a deputado nesta legislatura.»
Pedro Adão e Silva: «Quem vai sofrer mais com o PEC não são as classes médias, são os mais pobres. É dramático, mas o maior contributo para a diminuição da despesa é dado pela redução das transferências do Orçamento do Estado para a segurança social. Ou seja, as políticas que formam a rede de mínimos sociais verão o seu financiamento muito limitado (do complemento solidário para idosos ao subsídio social de desemprego, passando pelo rendimento social de inserção). Não falo do modo como esta opção contradiz o programa eleitoral com que o PS se apresentou às eleições, nem sequer do que esta escassez de recursos representará num país pobre como o nosso, quando o desemprego se manterá a níveis socialmente intoleráveis. O que está em causa é também uma questão de identidade partidária.»
Tiago Barbosa Ribeiro: «Tenho sérias reservas em relação a algumas privatizações (CTT, energia, entre outras) e discordo do plafonamento da despesa com as medidas sociais, sem perceber o critério para a medida. Esgotado este tecto, quem tiver direito ao RSI ou ao Complemento Solidário, só para dar dois exemplos, não será elegível por falta de orçamentação. Num contexto de crise, é uma factura muito pesada para os mais pobres e muitos portugueses poderão ficar sem qualquer apoio do Estado.»
João Pinto e Castro: «Uma das coisas que mais me engalinham no PEC é a facilidade com que se concebem e disparam políticas definitivas que, nunca tendo sido objecto de discussão, não foram obviamente amadurecidas e ponderadas. Um exemplo. A mim, não me faz espécie uma eventual privatização dos CTT, mas estranho que a decisão apareça assim caída do céu, como se fosse a coisa mais natural e inquestionável do Mundo.»
Porfírio Silva: «Este pode ser o momento de viragem deste governo. Ou Sócrates toma a coisa a peito, mostra quem manda e mostra que o programa eleitoral é para cumprir – e pode recuperar a iniciativa política, redesenhando a equação própria do PS e os desafios que ela deve colocar aos outros partidos e forças sociais (incluindo sindicatos e patronato); ou o PS, Sócrates, o grupo parlamentar e os fazedores de opinião socialista calam a boca por conveniência – e acabou a festa, pá. A partir daqui será sempre a cair.»

Secretário-geral adjunto da OCDE, Pier Carlo Padoan (na foto), elogia PEC português e diz que o crescimento económico vai regressar.
Que bom.
É no terreno da argumentação política e no combate ideológico que deve ser confrontada uma liderança.
Sem dúvida. E nestes textos há argumentos importantes, que convém reter.