«Durante séculos, a majestosa cidade de Braga especializou-se na produção de um produto: padres. Basta percorrer as monumentais ruas da cidade para perceber a importância que a religião e a Igreja Católica têm para a região. São edifícios e mais edifícios (muitos deles de grande dimensão) dedicados à produção e formação de sacerdotes. Hoje em dia, a indústria de produção de sacerdotes bracarenses está em declínio”. (…) Porquê? (…) A grande causa do declínio da Igreja Católica em Portugal é simplesmente a falta de competitividade. A indústria de produção de padres perdeu competitividade, pois os custos de produção de novos sacerdotes são demasiado altos e o preço do sacerdócio é extremamente elevado.»
Álvaro Santos Pereira, O Medo do Insucesso Nacional
Citado por António Cândido de Oliveira, professor da Universidade do Minho, em artigo publicado hoje no “Público”.
Via Entre as Brumas da Memória.
É certo que a Nossa Senhora de Fátima até já está no Facebook e o mundo avançou muito, mas produção de padres? E podemos franchisá-los como os pastéis de nata?
Também aqui.

Mas em termos de regalias, é melhor que ser piloto da TAP.
Pudesse eu voltar atrás e era para padre que eu estudava.
Não faça isso que nos sai muito caro.
Há uma coisa estranha neste texto, pelo menos para mim: o autor a fugir de uma repetição como o diabo da cruz. Vê-se muito disto e geralmente o resultado é péssimo. Aqui padres e sacerdotes vão alternando, produzindo um efeito que leva até a pensar em mau português e confusão. Mesmo assim há quem faça pior, quem por certo seria capaz de neste texto além de padres e sacerdotes usar abades, clérigos e religiosos, por exemplo.
Curiosamente, já não noto a mesma preocupação em relação à palavra «produção», repetida não digo até à exaustão (porque o texto é pequeno) mas pelo menos até causar um certo cansaço – com a cereja no topo, ou antes, logo no início, da «produção de um produto».
Muito mais, é claro, haveria a dizer sobre o texto.
Padres 2
Sacerdotes 3
Amém .
Estás a exigir muito do Álvaro, António.
Ó Leonor, mas tens de convir que os nossos são melhores que os estrangeiros.
Temos uma produção estandardizada que dificilmente se obtém em qualquer outro país!
Desculpe Helena, tem conhecimento do produto polaco?
Concorre, de facto, com o nacional.
Mas eu sou patriota!
Anda a escapar-me algo, estou a ver.
A sério, Helena? Se assim é…
Não, Leonor, o inefável Cândido não tem razão, porque não são os custos de produção que subiram especialmente. O produto (típico) em si é que deixou de ter procura no mercado e ninguém investe. Vai lá ver se os jesuítas sofrem de crise… é o sofres 🙂
E o produto em si é capaz de já estar adulterado também, logo é preciso melhorá-lo e sai caro 🙂 Será que têm linha de montagem? Virão por peças?
Não, é que aqui também há griffes, Leonor… A nata. E para essas há sempre clientes, como sabes.
“A grande causa do declínio da Igreja Católica em Portugal é simplesmente a falta de competitividade.”
E o que é a competitividade?
“A indústria de produção de padres perdeu competitividade, pois os custos de produção de novos sacerdotes são demasiado altos e o preço do sacerdócio é extremamente elevado.”
E eu a julgar que a dita falta de competitividade da Igreja era a sua incapacidade para combater a concorrência, bem mais atraente, da vida pecaminosa, e não os custos de produção dos padres. Sempre a aprender com os economistas!
Diz o Álvaro que não há concorrência mas concordo contigo. Nos últimos tempos a concorrência tem sido feroz com tanta animação noutras igrejas, não necessariamente o pecado, cruzes credo. Não é só o futebol que é um mundo oculto, a economia e finanças andam por caminhos obscuros que escapam aos ímpios como eu, mas sempre vão dando para escrever uns posts 🙂
Leonor, olha que também é de ímpios que a Igreja precisa…
Será? Sinto-me cada vez mais longe.
Estou decididamente com uma crise existencial: ‘será?’ duas vezes assim de repente 🙂
A concorrência pode afectar a opinião sobre o preço tornando-o caro ou barato.
tivesse o artigo sido publicado antes da assinatura do “compromisso para a competitividade e etc e tal”, e eu acreditaria que teria sido este exemplo, dado pelo álvaro santos pereira sobre competitividade ou falta dela, o responsável pelo clique que aconteceu na cabeça do joão proença, e o convenceu a assinar o tal acordo, sem dizer primeiro “água vai” aos associados dos sindicatos da ugt.
almas gémeas, afinal.
Extraordinária esta terminologia. Nunca tinha visto os padres nesta perspectiva, mas há sempre uma primeira vez.
O Álvaro é um criativo.
Mais meia hora de orações por dia e a linha de montagem ganhava logo outro vigor. Era capaz de produzir até mais meio padre por mês, quem sabe… coisa mesmo para concorrer com o Vaticano, o primeiro produtor do ranking!
(o Álvaro é um criativo mas não tem o dom da palavra, coitado)
Coitados de nós, Ana. O que me preocupa é que a ausência de dom da palavra me parece ter correspondência a outras ausências.
Quando for necessário evangelizar os marcianos, a indústria será reactivada e potenciada.
Entretanto, é necessário esperar pelo navegador que descobrirá o buraco negro que facilitará a viágem intergalácticasupersónicaatómica.
Agora só mesmo os marcianos, Bartolomeu.