Marcelo Rebelo de Sousa no domingo cantou o fado. A propósito das nomeações para a EDP/ Águas de Portugal disse que Passos Coelho não fez mais do que perpetuar uma tradição de troca de favores entre poderes que vem desde D. Afonso Henriques, tlim tlim. Vinda de um homem que está no inner circle do poder político, esta afirmação é muito mais deprimente do que conversa de taxista. Foi só uma forma mais sofisticada de cantar: “Eles (nós) são (somos) todos iguais”. Quase que se podia ouvir gemer a guitarra em fundo. Ele, ligeiro e triste, assegurava que não temos remédio. Tlão, tlão. Pensei em como são injustos os que criticam a lamúria do povinho. Com elites destas, o povinho sabe que não vai longe. Foi certamente da consciência desta inércia que nasceu o fado, a expressão da impotência nacional. E o desespero inspirou a lenda do D. Sebastião, o nosso Godot. O pior é se um dia destes ele aparece mesmo, com ar façanhudo, para salvar-nos da democracia. Tenho a impressão que já faltou mais.
O fado, o professor Marcelo e o D. Sebastião
Teresa Ribeiro,


Muito bem apanhado… ainda me ri (apesar do assunto não ter piada)..
Tudo isto existe, tudo isto é triste, mas mais vale rirmo-nos da desgraça, Vergueiro, sem dúdiva.