Apenas 56% dos portugueses consideram que “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”, de acordo com o estudo “A Qualidade da Democracia em Portugal: a Perspectiva dos Cidadãos”, da autoria de António Costa Pinto, Pedro Magalhães, Luís de Sousa e Ekaterina Gorbunova.
Alguém esperava mais?


“A ditadura, pode ser a pior forma de governo. E a melhor”.
Ideia que guardei, do tempo escolar, sobre os antigos gregos.
Pelo estado do Estado português, com três décadas de democracia, uma verdade inconveniente?
A melhor ou a pior. Tudo depende do que se faça em nome dela. Veja-se Chavez!
Os remanescentes, sabem lá o que isso é !
Conheço alguns que pensam que democracia rima com ribaldaria .
Eu também…
O “apenas” do título do jornal é fantástico.
Estranho conceito de democracia, estranho “jornalismo”…
Como quem diz: apenas a maioria.
É obra!
Aí dou-lhe toda a razão!
Uma maioria absoluta
O último está enterrado em
Santa Comba Dão…e a OLIVEIRA pega de estaca!!!
Todo isso está inquinado por um erro fundamental: os autores do inquérito partem do princípio de que em Portugal há democracia. Não há. Há um formulário copiado «lá de fora» e que preenchemos com algumas manhas para mostrar a quem nos paga. Em Portugal não tem a mais ínfima possibilidade de controlar o seu deputado, de lhe pedir contas (nem ele, aliás, as dá, apenas dependente do chefe para garantir o lugar), nem de controlar eficazmente as decisões. Todos os instrumentos normais nas democracias avançadas foram dificultados aqui, através de armadilhas legalistas – sendo o número exigido para desencadear um referendo, por exemplo, em proporção muito superior ao de qualquer democracia europeia.
Essencialmente, o país vive o prolongamento de um regime autoritário que se tornou completamente corrupto e perdeu, por isso, qualquer réstea de dignidade. Como é particularmente inepto, de poucas letras e voraz levou o país à falência.
Quem pede um regime autoritário está, no fundo, a suplicar por aquele mínimo de dignidade e “gravitas” do estado que, logo ali a partir de Badajoz, permite ter como adquiridas coisas tão simples como a data de um feriado nacional ou que a ortografia da língua não seja objecto de negociatas ou de delírios terceiro-mundistas.
É isso que querem: não é um regime autoritário, mas autoridade, lealdade, firmeza, decência e respeito, o que tudo se encontra muito pouco nisto a que, por vergonha, se crismou de democracia.
Gostei do seu comentário.
Ainda só dei uma breve espreitadela ao “estudo” mas já percebi que o título é muito inexacto.
Os portugueses criticam a má legislação e a desigualdade na justiça que isso permite.
Em vez da democracia, poderia estar a avaliar-se a república. Por exemplo, como dizia o senador latino Publius Cornelius:
“Corruptissima re publica plurimae leges”
(Num Estado corruptíssimo são muitas as leis)
Muito obrigado.
O regime português é, no seu melhor, um regime formalista para-democrático.
Na substância estamos reduzidos ao poder de alguns gangs mais ou menos corruptos. Não sei se, visto de fora, isto será muito mais democrático e muito menos corrupto do que a Rússia.
Mas é muito preocupante tantas dúvidas sobre a democracia, até porque o problema está mais nas políticas que seguimos e políticos que tivemos que no modelo democrático.
Gostava muito de ter essa certeza. Mas não tenho.
Democracia?!
Espraio o olhar pela planície profana(da)
sentindo na pele a força da terra plana
enebrio-me com o aroma que da terra emana
tento resistir ao hipnotismo que me chama
A seara ondulante, dança-me nos sentidos
a sombra dos sobreiros, parados, adormecidos
convida-me a escutar os sons já esquecidos
chorando a memória perpétua daqueles já idos
E tu, impávida, esquecida do rolar circundo
poisas o teu olhar sonhador no horizonte
sorrindo da loucura humana lançada pelo mundo
debruças teu colo, fantástico na fresca fonte
Não chegam a ti os sons preocupantes
arautos da derrota vil, de um povo
para ti, nada muda, tal como d’antes
cada dia renasce, ao aprecer o sol de novo
Abandono-me assim, ao teu embalo,
desejo esquecer de e para onde vou,
esta angústia que a todo o esforço calo
este desassossego que quase me matou.
😉
Ó Bartolomeu ainda não me recompus da veia poética! Que surpresa.
Agradeço a sua generosidade, Helena mas, a minha poesia não vai além de um mero e minúsculo vaso capilar.
;)))
Esta Democracia não tem Limites Económicos ao seu Poder. É esse o problema e não é problema único de Portugal mas sim de muitos outros países.
Logo todos podem votar para no presente endividarem as gerações futuras*, impostarem quem não gostam ou apenas onde há dinheiro, e criar as mais diversas regulaçãos a protegerem a sua coutada.
Não há Republica Económica nesta Democracia que proteja os cidadãos da gula de outros cidadãos e esse é o problema.
*como nem sabem fazer contas para só lixarem as gerações futuras parece que o “longo prazo” de que falou um tal Keynes de que gostam tanto chegou e afinal ainda não estamos todos mortos.
No Império Romano, os grandes latifundiários interessados em chegar ao Senado pagavam os votos dos romanos capazes de votar, tratados assim como seus “clientes”. Havemos de concordar que a democracia política sempre terá conseguido ampliar um pouco as suas hostes de clientes: banca, grande indústria e comércio e hostes partidárias, com a ilusão geral dos eleitores.
Assim se vê como de caixa bancário na província e de cartão partidário, se chega a ministro ou administrador de um grande banco, com rendimentos mensais de 100 mil euros, com a plebe condenada aos 400 euros.
PS: A ‘ilusão’ do poder, entre os eleitores, faz o resto.