A democracia nacional


fiodeprumo,

 

Apenas 56% dos portugueses consideram que “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”, de acordo com o estudo “A Qualidade da Democracia em Portugal: a Perspectiva dos Cidadãos”, da autoria de António Costa Pinto, Pedro Magalhães, Luís de Sousa e Ekaterina Gorbunova.

Alguém esperava mais?

18 comentários em “A democracia nacional”

  1. “A ditadura, pode ser a pior forma de governo. E a melhor”.
    Ideia que guardei, do tempo escolar, sobre os antigos gregos.
    Pelo estado do Estado português, com três décadas de democracia, uma verdade inconveniente?

  2. Os remanescentes, sabem lá o que isso é !

    Conheço alguns que pensam que democracia rima com ribaldaria .

  3. O “apenas” do título do jornal é fantástico.
    Estranho conceito de democracia, estranho “jornalismo”…
    Como quem diz: apenas a maioria.
    É obra!

  4. Todo isso está inquinado por um erro fundamental: os autores do inquérito partem do princípio de que em Portugal há democracia. Não há. Há um formulário copiado «lá de fora» e que preenchemos com algumas manhas para mostrar a quem nos paga. Em Portugal não tem a mais ínfima possibilidade de controlar o seu deputado, de lhe pedir contas (nem ele, aliás, as dá, apenas dependente do chefe para garantir o lugar), nem de controlar eficazmente as decisões. Todos os instrumentos normais nas democracias avançadas foram dificultados aqui, através de armadilhas legalistas – sendo o número exigido para desencadear um referendo, por exemplo, em proporção muito superior ao de qualquer democracia europeia.
    Essencialmente, o país vive o prolongamento de um regime autoritário que se tornou completamente corrupto e perdeu, por isso, qualquer réstea de dignidade. Como é particularmente inepto, de poucas letras e voraz levou o país à falência.
    Quem pede um regime autoritário está, no fundo, a suplicar por aquele mínimo de dignidade e “gravitas” do estado que, logo ali a partir de Badajoz, permite ter como adquiridas coisas tão simples como a data de um feriado nacional ou que a ortografia da língua não seja objecto de negociatas ou de delírios terceiro-mundistas.
    É isso que querem: não é um regime autoritário, mas autoridade, lealdade, firmeza, decência e respeito, o que tudo se encontra muito pouco nisto a que, por vergonha, se crismou de democracia.

    1. Gostei do seu comentário.
      Ainda só dei uma breve espreitadela ao “estudo” mas já percebi que o título é muito inexacto.
      Os portugueses criticam a má legislação e a desigualdade na justiça que isso permite.
      Em vez da democracia, poderia estar a avaliar-se a república. Por exemplo, como dizia o senador latino Publius Cornelius:
      “Corruptissima re publica plurimae leges”
      (Num Estado corruptíssimo são muitas as leis)

      1. Muito obrigado.
        O regime português é, no seu melhor, um regime formalista para-democrático.
        Na substância estamos reduzidos ao poder de alguns gangs mais ou menos corruptos. Não sei se, visto de fora, isto será muito mais democrático e muito menos corrupto do que a Rússia.

  5. Mas é muito preocupante tantas dúvidas sobre a democracia, até porque o problema está mais nas políticas que seguimos e políticos que tivemos que no modelo democrático.

  6. Democracia?!

    Espraio o olhar pela planície profana(da)
    sentindo na pele a força da terra plana
    enebrio-me com o aroma que da terra emana
    tento resistir ao hipnotismo que me chama

    A seara ondulante, dança-me nos sentidos
    a sombra dos sobreiros, parados, adormecidos
    convida-me a escutar os sons já esquecidos
    chorando a memória perpétua daqueles já idos

    E tu, impávida, esquecida do rolar circundo
    poisas o teu olhar sonhador no horizonte
    sorrindo da loucura humana lançada pelo mundo
    debruças teu colo, fantástico na fresca fonte

    Não chegam a ti os sons preocupantes
    arautos da derrota vil, de um povo
    para ti, nada muda, tal como d’antes
    cada dia renasce, ao aprecer o sol de novo

    Abandono-me assim, ao teu embalo,
    desejo esquecer de e para onde vou,
    esta angústia que a todo o esforço calo
    este desassossego que quase me matou.
    😉

  7. Esta Democracia não tem Limites Económicos ao seu Poder. É esse o problema e não é problema único de Portugal mas sim de muitos outros países.
    Logo todos podem votar para no presente endividarem as gerações futuras*, impostarem quem não gostam ou apenas onde há dinheiro, e criar as mais diversas regulaçãos a protegerem a sua coutada.
    Não há Republica Económica nesta Democracia que proteja os cidadãos da gula de outros cidadãos e esse é o problema.

    *como nem sabem fazer contas para só lixarem as gerações futuras parece que o “longo prazo” de que falou um tal Keynes de que gostam tanto chegou e afinal ainda não estamos todos mortos.

  8. No Império Romano, os grandes latifundiários interessados em chegar ao Senado pagavam os votos dos romanos capazes de votar, tratados assim como seus “clientes”. Havemos de concordar que a democracia política sempre terá conseguido ampliar um pouco as suas hostes de clientes: banca, grande indústria e comércio e hostes partidárias, com a ilusão geral dos eleitores.
    Assim se vê como de caixa bancário na província e de cartão partidário, se chega a ministro ou administrador de um grande banco, com rendimentos mensais de 100 mil euros, com a plebe condenada aos 400 euros.
    PS: A ‘ilusão’ do poder, entre os eleitores, faz o resto.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *