“Presos políticos” portugueses segundo o conceito de Puigdemont


Pedro Correia,

Carles Puigdemont, ex-presidente do executivo autónomo catalão, exigiu num hotel de Bruxelas a “libertação dos presos políticos” em Espanha, considerando que a detenção dos seus antigos companheiros de governo em Barcelona, por decisão de uma juíza de instrução em Madrid, “revela um clima de repressão e prisões políticas sem precedentes e inaceitável na Europa democrática do século XXI”.

Puigdemont está enganado quanto aos precedentes. Em anos recentes, em Portugal, também houve pelo menos três personalidades vítimas da “repressão” e de “prisões políticas inaceitáveis”. Nenhum de nós se esquece delas.

 

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Isaltino Morais

 

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 Duarte Lima

 

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 José Sócrates

40 comentários em ““Presos políticos” portugueses segundo o conceito de Puigdemont”

  1. não percebo os jornalistas que designam estas prisões na Catalunha como prisões politicas, estes tem o dever e a obrigação de saber que só foram detidos porque violaram flagrantemente as leis…simplesmente aberrante!! existem leis…

      1. Eu diria que ainda mais a jeito se pôs quem as violou. E não foi por falta de aviso: os juristas do parlamento autonómico catalão bem avisaram a senhora Forcadell e respetiva comandita que a coisa ia dar raia…
        Um exemplo: sou de esquerda (ou sou um fascista), ferro uns balázios num fascista (ou numa pessoa de esquerda), assassinando-o. Sou preso. Que protesto eu? Sou um “preso político”, porquanto o que me motivou foi a minha ideologia… Sacana da Lei que me não permite assassinar impunemente por motivos políticos. Não há direito!

        1. Essa sua argumentação é semelhante a esta:

          Presunto faz beber. Beber tira a sede. Portanto o presunto tira a sede.

          1. Não, caro Vlad, quem, pelos vistos, andou a beber muito “Cava” foi o genial Fuigdemont. Quanto a presunto, prefiro-o – mil vezes o prefiro – às papas com tomate.
            Volte a ler o primeiro parágrafo do meu último comentário e vai ver que essa sua gracinha tautológica se ceva na lógica da batata.

          2. Monsieur Montaigne lá tinha os seus dias – à semelhança das não menos infelizes sonecas do grande Homero – menos felizes. Como todos nós, aliás.

          3. E o Sr. Fuigdemont está acordado (ou alguma vez o esteve) para poder dormir?

          4. Ouça outra vez:sso eram as arengas eleitorais que o Sr. Fuigdemont estava a ensaiar agora que se declarou candidato “in partibus incertibus”.

  2. São permitidos na Catalunha Partidos/Movimentos Independentistas?

    Sim.

    Quais são?

    Organização Civil:

    Assemblea Nacional Catalana, Òmnium Cultural, Sobirania i Progrés, Plataforma pel Dret de Decidir, Cercle d’Estudis Sobiranistes

    Grupos de Pressão:

    Catalunya Acció, Free Catalonia, Endavant, Moviment de Defensa de la Terra, Reagrupament

    Grupos Jovens de Pressão:

    Maulets, Coordinadora d’Assemblees de Joves de l’Esquerra Independentista, Joventuts d’Esquerra Republicana de Catalunya

    Partidos Políticos (separatistas ):

    Candidatura d’Unitat Popular (na Catalunha); Esquerra Republicana de Catalunya (na Catalunha, Ilhas Baleares, e na Catalunha Francesa, chamado Esquerra Republicana del País Valencià no País valenciano), membro da Aliança Livre Europeia; Estat Catalão (na Catalunha).

    São os deputados, dos Parlamentos, representantes da Vontade Popular, legitimados pelo seu voto e respetivo Programa Eleitoral?

    Sim.

    O que pretendem, os Partidos da Coligação Governamental Catalã?

    Sendo Separatistas, a secessão do Estado Espanhol.

    E o Estado Espanhol permite que tais partidos participem eleitoralmente?

    Sim.

    E o Estado Espanhol permite que os ditos Partidos Separatistas cumpram os seus propósitos eleitorais, legitimados pelo voto popular ?

    Não

    Hmmmmmm……

    O Estelionato eleitoral é crime?

    Sim, mas….não. ….

    Existe risco de fuga dos políticos catalães presos?
    Segundo a juíza, sim.

    Onde estavam?
    Decidiram desde o início deste processo permanecer na Catalunha, comparecendo sempre, voluntariamente, junto das autoridades judiciais.

    Existe risco de destruição de provas?
    Dificilmente. O Governo Autonómico foi destituído

    Então porque os prendem preventivamente? Alarme social?

    Dificilmente. A maioria dos catalães é contra a sua prisão e a favor do independentismo.

    Então porquê a prisão preventiva?

    Diria que Carmen Lamelas é uma agente dupla, pró catalã, especialista em criar “mártires”.

        1. E esta, em latim macarrónico – “Alea jacta est, ergo ad Bruxelorum fugatum sum” – não conhece?

  3. Presos políticos :

    Um preso político é um indivíduo encarcerado numa prisão pelas autoridades de um país por exprimir, por palavras ou atos, a sua discordância com o regime político em vigor.

    Hmmmmm…..parece-me que foi o que sucedeu na Catalunha.

    Corrupção :

    Na esfera das relações humanas em particular, está relacionado ao suborno; acto ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negócio onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. Busca oferecer ou prometer vantagem indevida a qualquer pessoa, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de oficio.

    Hmmmm….parece-me que isto sucedeu em Portugal

  4. O Pedro Correia está a confundir “presos políticos” com “políticos presos”.

    O que importa não é a pessoa que é presa. O que importa são os delitos que lhe são imputados.

    Crimes como “sedição” são essencialmente crimes políticos.

    1. Quem confunde políticos presos com presos políticos é Puigdemont, o foragido de Bruxelas. Repetindo o que Sócrates já tinha dito por cá.
      Quando aos crimes de que são indiciados pela Procuradoria espanhola, um deles é o de peculato.

      1. O dinheiro, da Generalitat, foi usado para a realização do Referendo de Outubro e não para proveito pessoal.

        1. Ai sim? Pois parece-me esse um belíssimo argumento de defesa: não só desviaram o dinheiro das funções primárias a que se destinava – Saúde, Educação, Saneamento… – como o aplicaram na realização de um referendo… ilegal. Haja pão… Haja, pelo menos, tanto pão quanto fartura de circo temos.

      2. O crime de peculato é por terem organizado o referendo, que foi precisamente o programa com que foram eleitos. Qualquer jurista considera esta acusação uma anedota, mas em Espanha pelos vistos é levada a sério. Tudo o que não seja para promover a unidade de Espanha é dinheiro mal gasto. Isto diz muito da justiça espanhola.

        1. O crime de peculato não é crime de peculato: é crime de desvio ilegal de verbas para algo que, ainda por cima, era ilegal. Se eu desviar dinheiro e o oferecer aos pobrezinhos, desse dinheiro não usufruindo um cêntimo, qualquer juiz, em qualquer parte do mundo, absolver-me-á?
          Veja se entende uns quantos pormenores de uma vez por todas: o parlamento autonómico catalão aprovou, contra o próprio estatuto de autonomia, contra a constituição espanhola e infringindo as próprias regras desse parlamento e os direitos da oposição, uma lei de referendo ilegal; a Generalitat fez uma caricatura de referendo (ilegal) e o seu Presidente declarou, com base nos resultados ilegais de um referendo ilegal, uma independência ilegal. O que é que não entendeu?

          1. O problema é mesmo esse. Quaisquer declarações de independência, proclamadas por quaisquer Movimentos Separatistas costumam ser ilegais para a Parte da qual se pretende sair. Uma viagem pela história do século XX

          2. Curioso é ver aqueles que urraram contra a independência unilateral do Kosovo sejam agora os primeiros a urrar a favor da independência unilateral da Catalunha.
            Vá-se lá saber porquê.

          3. O catavento Pereira? O vento, aquando das diversas profissões de fé, soprava de quadrantes diferentes…

          4. Pois. A questão é que ainda há quem não compreenda a distinção essencial entre “movimento separatista” e “movimento independentista”.
            Separatistas são o PDCAT, a ERC e as CUP. Separatista foi a ETA (para além de organização terrorista dentro de um Estado democrático). Independentistas foram o MPLA, a Frelimo, o PAIGC ou, num caso já um pouco peculiar, a FRETILIN, lutando, uns e outra, contra sanguinárias ditaduras coloniais.
            Confundir uma região que jamais foi independente (foi-o durante os quatro dias que demorou aos catalães porem-se sob a asa do rei de França, em 1640, o que lhes custou a perda do Rossilhão), com regiões militarmente submetidas a uma longínqua metrópole numa situação colonial é obra.
            O victimismo catalão calou fundo em boa parte da população portuguesa, pelos vistos. Como poderemos nós explicar tal posicionamento?
            Tentemos.
            Se quiser ver a coisa de forma benévola, poderei dizer que tal se deve a uma muito atual confusão entre reivindicação identitária (não raras vezes exclusivista, racista e xenófoba) e reivindicação democrática. Se optar por uma leitura mais ácida, só poderei dizer que essa colagem ao choradinho catalão é fruto de algo tão racional e progressista como a nossa multissecular hispanofobia, hispanofobia essa aliada a uma nossa não menos multissecular dor de cotovelo pela grandeza alheia e uma queda fatal para considerar a desgraça alheia a nossa maior alegria. E de uma inenarrável ignorância da História. Depois de juntar todos os anteriores ingredientes, a coisa tem curto nome: chama-se mesquinhez.

  5. não esquecer os fascistas presos depois do 25.iv
    levou Quito a dizer ‘finalmente percebo o que é a reacção em cadeia’

  6. A alegria é tanta com a prisão de políticos catalãs, que os seus argumentos caem no limite de demagogia barata. Comparar situações diferentes é mesmo de um ‘democrata’, pois, é. É fartar vilanagem!

    Rui Mateus.

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