José Gomes Ferreira
António José de Almeida, um dos políticos mais conceituados dos anos iniciais do regime republicano, exerceu o jornalismo – a tal ponto que em 1911 chegou a fundar o vespertino República, jornal que atravessou todo o período da ditadura como o principal órgão da oposição ao salazarismo e viria a morrer, por amarga ironia, em tempos de liberdade ainda precária. O sequestro pela extrema-esquerda, em 1975, apressou-lhe o fim. E confirmou o seu último director, Raul Rêgo, como um intransigente lutador contra os extremismos de todas as cores – ele que também foi um jornalista seduzido pela política, ao ponto de ter sido ministro da Comunicação Social do I Governo Provisório, logo após o 25 de Abril, e deputado do PS durante longos anos.
Serve este intróito de enquadramento à proto-candidatura presidencial de José Gomes Ferreira, um dos mais populares jornalistas portugueses dos nossos dias, presença regular nos ecrãs televisivos a descodificar as atribuladas contas da nação, seja no Jornal da Noite seja como apresentador e entrevistador no programa Negócios da Semana.
Aqui há uns tempos surgiu até um movimento espontâneo nas redes sociais para o impulsionarem a dar o passo – às vezes muito curto – que separa o jornalismo da política. Este nativo de signo Virgem, nascido há meio século numa aldeia do concelho de Tomar, fez logo constar que não estava interessado. Mas nunca se sabe: talvez um dia a tentação seja mais forte.
Prós – Tem nome de escritor, o que ajudaria a mobilizar os intelectuais. Em contas ninguém o supera: tal como Cavaco Silva, faz questão em distinguir a boa moeda da má moeda. Pouparia muito dinheiro na campanha eleitoral: basta-lhe aparecer no ecrã a explicar o que significa “risco sistémico” ou “espiral recessiva” para os taxistas dizerem aos seus clientes: “Aquele homem da SIC é que percebe disto.”
Contras – Um candidato natural à Presidência da República seria o próprio patrão da SIC, Francisco Pinto Balsemão, o que talvez suscitasse algum conflito de interesses lá para as bandas de Carnaxide. Clara de Sousa e Rodrigo Guedes de Carvalho deixariam de poder tratá-lo por tu quando o entrevistassem. Não faltam jornalistas mal sucedidos quando decidem fazer o teste das urnas – de Manuela Moura Guedes a Vicente Jorge Silva, que mal chegaram a aquecer os lugares no Parlamento, passando por Paulo Portas, que fundou e dirigiu O Independente, ou Carlos Carvalhas, que foi director do Notícias da Amadora.

![N10630-FC579133[1].jpg N10630-FC579133[1].jpg](http://7.fotos.web.sapo.io/i/B34147272/18438318_JJbwT.jpeg)
José Gomes Ferreira tem do seu lado uma das principais caracteristicas de alguns politicos de muito sucesso.
Consegue falar durante bastante tempo sobre assuntos de que nada percebe, transmitir independência onde apenas existe preconceito, transformar ignorância pensada em sapiência apregoada.
Ler o livro que escreveu, humildemente intitulado “o meu programa de governo”, é um enomre sofrimento tal a sucessão de banalidades e inanidades, ao nivel do que, como bem refere, qualquer taxista pode debitar.
É deprimente ouvi-lo sempre que encontra um interlocutor capaz e que não o deixa escapar com bitaites e balelas. Tem, nestes casos, a esperteza para mudar rapidamente de assunto….
A sua popularidade é grande e facilmente teria milhares de seguidores no Facebook. Terreno ideal para evidenciar as suas (poucas) capacidades e receber muitos likes, logo a seguir á fotografia da comida e antes do gatinho do dia.
Em resumo, como as coisas andam, se ele quisesse é provavel que o sucess fosse grande.
miguel
Hoje há avião da TAP para Cuba, e de lá à Coreia do Norte vai-se num instantinho. Kim Jon Un até costuma dar boleias no seu Ilyushin IL-62 privado. Ah, e não gaste dinheiro com bilhete de ida e volta: de ida chega perfeitamente.
https://books.google.pt/books?isbn=97220 56077
Percebe-se bem que incomodem capítulos como:
AFINAL, QUEM SÃO OS CULPADOS?
O MITO DA FALÊNCIA DA SEGURANÇA SOCIAL
EXTERMINAR AS PPP E OUTRAS NEGOCIATAS
Azarucho…
No seu caso, recomendo vivamente a leitura das Obras Completas de Sir John Maynard Keynes, traduzidas para a língua portuguesa – e anotadas – pelo Exmo. Sr. Prof. Dr. Artur Baptista da Silva, com a colaboração do Exmo. Sr. Nicolau Santos
No seu caso, recomendo vivamente a leitura das Obras Completas de Sir John Maynard Keynes, traduzidas para a língua portuguesa – e anotadas – pelo Exmo. Sr. Prof. Dr. Artur Baptista da Silva, com a colaboração do Exmo. Sr. Nicolau Santos.
O Professor Doutor Artur Baptista da Silva, a avaliar pelo seu notável currículo académico e pelas pertinentes ideias que expressa, também seria presidenciável.
Por poucos ou quase nenhuns concidadãos (fora das minhas relações pessoais/familiares) tenho a CONSIDERAÇÃO que nutro pelo Sr. José Gomes Ferreira, que há muito, muito tempo vem mostrando um pensamento próprio, muito trabalhinho (e de investigação) sobre o que interessa, e só infelizes completamente destituídos de testa o têm vindo por vezes a acusar de estar ao serviço do actual governo, que, aliás, TEM CRITICADO MAIS QUE MUITAS VEZES, e não é do meu conhecimento que tenha aceite qualquer tacho ou sinecura do dito.
(Tenho a vaga impressão de que Clara Ferreira Alves tem um especial gosto em não o deixar acabar o que pretende explicar – o que, para quem repara nos extensos minutos que o “telejornal” perde com autênticos chouriços, surpreende. Mas isso é um pormenor.)
Passe a publicidade, tenho adquirido logo que posso os livros da sua autoria (até agora 2, sendo que a edição que li do primeiro – O Meu Programa de Governo – tinha bem merecido uma revisão mais cuidadosa – isto para não dizerem que só faço elogios), e neles aprendi imenso. Aguardo os que estiverem para sair.
Por sinal, ontem não tive a menor paciência para a entrevista com um fundador do CDS, feroz adversário de Soares nas presidenciais de 1991, e que foi agora a presidente da Câmara de Sintra pelo PS – há nojos irreprimíveis.
Desabafadas estas considerações (provavelmente irrelevantes), entendo que faz muito bem em prosseguir com o óptimo trabalho jornalístico que vem desenvolvendo e que ignore (embora educadamente) o tal “movimento espontâneo”.
Por mim, terá o meu voto mais entusiasmado mesmo sem se candidatar a qualquer lugar no mundo da política.
Clara DE SOUSA, obviamente.
Não há problema: estou certo de que Clara Ferreira Alves faria a mesmíssma coisa ou ainda pior.
Clara de Sousa é uma das melhores jornalistas da SIC. Direi mais: da televisão portuguesa.
Se me permite a observação própria de uma Sexta-Feira, acho-a um bocado para o anafado e com umas pernas claramente deselegantes.
(se não permitir a observação, “amigos como dantes”)
É, de facto, uma observação própria de um Sexta-Feira. Ao avistar o Robinson Crusoe.
Se o Pedro quer sugerir um jornalista para Presidente da República, sugira a Maria Flor Pedroso, que, essa sim, tem categoria para o efeito.
Fique descansado: JGF não será o único jornalista a passar por cá.
Caro Pedro Correia: parabéns por esta sua incursão pelo humor. Mas imitar o “Inimigo Público” pode ter um preço, não se esqueça!
Bem sei que há sempre um preço a pagar, de um lado ou de outro. Por excesso de ironia ou excesso de sisudez. Estamos no país do respeitinho, convém não esquecer.
Mas garanto-lhe que entre as personalidades que ainda aqui desfilarão até ao fim da série há pessoas que o meu caro amigo muito preza.
Ainda iremos ter Nicolau Santos desfilando de lacinho?!
Mais facilmente teríamos o Professor Doutor Artur Baptista da Silva, coordenador de uma equipa de economistas do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento dos Países do Sul da Europa.