A vingança já não se serve fria. Agora, emprata-se desconstruída e acompanhada por espuma de mirtilo com gelatina de chalota, hortelã e rúcula.
Pérolas de sabedoria para uso quotidiano
Rui Rocha,
A vingança já não se serve fria. Agora, emprata-se desconstruída e acompanhada por espuma de mirtilo com gelatina de chalota, hortelã e rúcula.
Isso é um amuse-bouche que custa 50 aereos, e sem direito a bubida.
Nem um corta-sabores.
E xarém, não tem? (ou é xerém? ou charém?)
Não. Mas pode ter tempura.
Mas não basta, não basta, meu caro! Terá ainda que ser em cama de qualquer coisa e com redução de outra qualquer. E servida com abundância de maneirismos, naturalmente.
Costa
Também pensei nisso, caro De Costa: Cama de faquir? Péssimo.
Redução de ar líquido a cento e setenta graus negativos? Ainda pior, portanto acho que é isso.
E nitrogénio líquido. Também falta nitrogénio líquido.
Sim. E também faltou um crumble.
Eu rúcula gosto imenso, até como à mão sem lavar nem nada, que não posso esperar. Adoro. A chalota é muito bonita alongada e em tons mais pastel que a vulgar cebola, mas em gelatina deve ficar a matar, de certeza. Já tomei nota, obrigadíssima.
Hortelã por acaso apanhei no domingo porque me cheirou logo assim que passei, e queria dizer que plantas que cheiram assim deviam ser obrigatórias em cada rua.
A espuma de mirtilo deixo no prato. Ainda a espumar, se não se importa.
Só falta a vingança que, entretanto, se estava ali, arrefeceu por causa da conversa desconstruída (mas gira). Só que eu de vingança não percebo nada, nunca como, acho muito mau aquilo.
É, a vingança ataca o estômago.