Avenida de Roma, Lisboa. Véspera de Natal, à hora do almoço. Oito pessoas agrupam-se em fila, com caixas e sacos, à frente de uma caixa multibanco. Uma senhora, no topo da fila, desdobra-se em pagamentos, o que vai enervando os outros. Começam a ouvir-se desabafos de irritação, gera-se celeuma, protesta-se contra a mulher, esta protesta contra quem protesta.
A escassos 50 metros, há outra caixa multibanco. Sem ninguém. Dirijo-me para lá, levanto o dinheiro e olho para o lado. A fila anterior mantém-se, a confusão também. Pergunto-me se custará assim tanto sermos um pouco mais atentos, um pouco mais precavidos e um pouco mais organizados nos mais elementares actos do nosso quotidiano. Facilitaríamos a vida de toda a gente – a nossa e a dos outros.
Feliz Natal.

O extraordinário da “coisa”, é que as pessoas procuram o aglomerado em detrimento do isolado. Deverá ser uma tendência portuguesa!
Não sei se é só portuguesa, meu caro. Mas é portuguesa, com certeza. Um abraço. Boas Festas.
Boas Festas, Pedro Correia. Com dias [em série ;)] muito bons, cheios de cor e aconchegos mil.
🙂
Obrigado, Maria do Sol. Desejo-lhe um Natal com as prendas de que mais gosta.
Isso dá muito trabalho e reclamar sempre desopila o fígado. Feliz natal, Pedro
Pois é, Leonor. As pessoas adoram inventar chatices, como se não bastassem já as que não podem ser evitadas.
Um beijinho. Natal feliz.
Quem sai do BM na Av de Roma devia ter um multibanco só para si …(não só na Av de Roma pois o desrespeito pelos outros concidadãos é geral neste país de gente muito ocupada, com pressa para produzir riqueza…mas muito pouco habituada a observar em redor). A solução seria, neste Natal, recorrer a um MB num bairro popular, têm menos fila.
Bom Natal.
Há sempre um multibanco às moscas que espera por nós nesta época em que as agências bancárias se multiplicam como cogumelos.
Agradeço e retribuo os votos de bom Natal. Sem stresse.
Essa senhora pertence certamente ao grupo de portugas que, para levantarem dinheiro no Multibanco, fazem pelo menos três operações, a saber:
a) consulta do saldo
b) levantamento
c) consulta de movimentos
Pelo meio, ainda costumam “enganar-se” duas vezes no código. E só não se “enganam” mais porque, à terceira, ficam sem o cartão.
Entretanto, os que estão atrás que se lixem.
Este país é mesmo um colosso!
Conheço bem o género. O que não percebi foi o motivo por que os outros não deram meia dúzia de passos para rumar ao multibanco que não tinha ninguém. Preferiram ficar ali a enervar-se. Vá lá a gente entender isto.
São, também, esses episódios do quoditiano de Lisboa que me fazem pensar quanto é bom viver aqui, nos Açores. Não é que não haja gente impaciente, intolerante, mas, o que não há é, talvez, tanta pressa a transtornar-nos:))
Que saudável inveja que me provocou, Maria. Espero e desejo que tenha um Natal tranquilo e quentinho.
Caro Pedro, desejo-lhe a si e a todos os autores do Delito, um Feliz Natal!
Um Abraço
Obrigado, Alexandre. Votos retribuídos. Um grande abraço.
É sabido, os portugueses adoram uma boa fila (eu digo sempre “bicha” mas aqui caía mal, de facto). E adoram ainda mais um bom motivo para se queixarem. Aposto que, no fundo, estavam todos contentes. Só assim se explica que a outra caixa multibanco estivesse às moscas.
Talvez, talvez. É verdade que os portugueses adoram uma boa fila. Quanto à bicha, a doutrina divide-se.
Como eu me ri com este seu flash que não pode ser, é mesmo, um recorte fiel do quotidiano português 🙂 Nem imagina as vezes que eu trago à baila cenas semelhantes, sempre a acontecer. Aqui há dias sucedeu-me em Coimbra B: ia cheia de pressa trocar um bilhete comprado via internet e ia stressando quando vi uma fila descomunal na bilheteira. Meti-me nela a espumar e enquanto olhava para os dísticos (sempre a mudar), vejo noutro guichet um tranquilo funcionário a apanhar moscas. “Alfa, IC”, rezava a tabuleta. Li uma vez, duas, três, duvidando se era eu a maluquinha do sítio, ou antes todos os outros. Mas como para grandes males, grandes remédios, saí temerariamente da fila e plantei-me à frente do ocioso, disparando o pedido à espera do pior (uma daquelas respostas abstrusas que podem acontecer em Portugal, tipo “pois, mas falta o amanhã no dístico. Sim, é alfa- intercidades, mas só para o dia seguinte. Hoje é ali naquela fila…” Mas qual quê, receios infundados. Era ali, sim, dizia candidamente o homem. Também podia trocar, sim senhora.
E pronto! Troca feita em 3 tempos, e eu a sair diligente porta fora, sentindo dois ou três olhares inquietos cravados nas minhas costas.
Eheh, tipicamente português, esta atracção fatal pelo sofrimento 🙂
PS- um bom Natal para todos os DO
Simplesmente deliciosa, a sua história, Chloé. Sinto-me outra vez miúdo, a trocar colecções de cromos…
Continuação de boas festas!
Olhar à volta dói muito, Pedro.
Boas Festas
É verdade, Fátima. Muitas vezes o que surge escancarado à frente dos nossos olhos é a última coisa que queremos ver.
Agradeço e retribuo os votos de Boas Festas.
Quantas e quantas vezes não assisti a filas intermináveis nos Expressos quando existiam bilheteiras vazias ou com poucas pessoas. Depois, não foram nem uma nem duas as vezes em que ao avançar para comprar o bilhete, pessoas de outras filas mais longas exigiam que eu lhes deixasse passar à frente, isto quando o engano fora da sua inteira responsabilidade.
Felizmente apareceram os bilhetes comprados na net : )
Felizmente. Embora assim fiquemos com menos histórias ‘interessantes’ de tugas para um dia contar aos netos.