Marcos Perestrello contesta a reorganização do sector das águas porque «com este sistema, o governo esbulha as câmaras municipais que geriram bem os seus sistemas, integrando o seu património na nova empresa, onde são também integrados os sistemas deficitários em milhões de euros». Passando por cima do excesso de «sistemas», tenho de reconhecer que Perestrello tem razão; é assim como os países que geriram bem as suas economias terem de assumir os prejuízos dos que não souberam ou quiseram fazê-lo.
Por uma vez, concordo com o PS
escafandro,

O coitado do Costa que foi logo ao beija-mão ao sr. Valls, na Embaixada de França, e patet(ic)amente declarou “Somos amigos e socialistas” e “Naturalmente, somos amigos, os dois socialistas e da mesma família política social-democrata europeia”, isto quando as políticas seguidas por Valls são bem conhecidas, assim como o facto de ele querer mudar o nome do PS francês (coisa que já tinha proposto em 2007), ainda vai aprender muito com o visitante…
Escrevi apressadamente e ficou sem se perceber que “Somos amigos e socialistas” é frase de Valls, enquanto “Naturalmente, somos amigos, os dois socialistas e da mesma família política social-democrata europeia” é do Costa.
A coisa não é assim tão simples porque, na verdade, não se trata somente de boa gestão. Algumas regiões, como Lisboa, estão desde há muito servidas com sistemas de abastecimento de água que já se encontram amortizados (Castelo de Bode); outras, como Almada, têm a sorte de ter abundantes aquíferos mesmo por baixo, pelo que têm água relativamente barata. Essas regiões têm também população muito densa e concentrada, à qual é relativamente barato fornecer água canalizada. Nessas regiões a água pode portanto ser barata. Nas regiões do interior, nas quais foi necessário fazer recentemente grandes investimentos para fornecer água canalizada de boa qualidade, naturalmente que esses investimentos têm que ser amortizados e portanto a água é cara.
Trata-se portanto de uma questão de solidariedade nacional: os habitantes do litoral pagarão água excessivamente cara para apoiarem a amortização dos esquemas de captação de água do interior. É o litoral a apoiar o interior. O José António está em desacordo?
Estou sem tempos para respostas longas mas há dois ou três pontos que me parecem importantes:
– Se a questão fosse apenas essa, sim, concordaria com a “solidariedade entre regiões”; infelizmente, os problemas e os custos de muitas empresas e autarquias decorrem em grande medida de negócios pouco claros ou, no mínimo, de incompetência. Alguns dos municípios com água mais cara não propriamente no Alentejo.
– Ainda assim, apesar desta reforma apresentar tendências centralizadoras, até a consigo aceitar, considerando os erros verificados e as poupanças que – alegadamente – parece permitir; convinha era que se tivesse consciência de que ela implica efectivamente transferência de dinheiro entre regiões;
– E é aqui que o PS entra em contradição: defendendo a transferência entre países, recusa a transferência entre regiões portuguesas?
– Pelo menos no seu caso, Luís, não há contradição: continua a defender que os mais ricos (quanto mais não seja, em recursos) e/ou eficientes paguem as despesas dos restantes.