belensíadas


enlil,

E assim a comédia descamba no grotesco.

Como já toda a gente reparou, este circo das presidenciais e dos putativos candidatos não passa de pura histeria mediática.

Tal como os maridos de Sábado de Vinícius, as instituições estão “funcionando regularmente” e o maioral da oposição bem tem feito em andar calado como um totem, porque a vida, a vidinha, a viducha (à semelhança, afinal, da gestão, do direito, da política e, até, dos matrimónios) é feita de minudências e não de causas, das ventosas ou das fracturantes, aspecto “syrisamente” comprovado. Quer dizer que, por aqui, no passa nada…

Fora esta bagatela de somenos que é a governação, todos os partidos, que são quem marca o passo da charanga, andam preocupados, quiçá ocupados – é a “agenda”, estúpido… – com um pormenorzito talvez não despiciendo: as eleições legislativas de Outono de 2015. Antes disso façam o favor de não os importunar com outros assuntos.

Ora esta normalidade causa grande transtorno à corporação dos comentadores. O seu múnus especulativo é como andar de bicicleta: se pára, cai.

Daí que os papagaios televisivos, sobretudo o jongleur que palra, significativamente, antes da Casa dos Segredos, ou essoutro adolescente tardio, que tropeça em todas as esquinas políticas, tenham dado ao badalo em toque de rebate e, acto contínuo, todo o cortejo de palhaços pobres lá seguiu atrás deles, aos pinchos e aos pinotes.

Devidamente estimulada, a comunicação social nunca prescinde de patentear os seus genes de lémure, correndo em magote e com grande desenvoltura para o abismo. O qual, por definição, é o vazio.

Estamos, portanto, naquela fase genericamente caracterizada pela expressão: “ó patego, olhó balão!” Por favor acordem-me só quando estiver para começar. Obrigado.

 

presidenciável, sem dúvida

 

0 comentários em “belensíadas”

  1. Tem quer ter mais atenção aos documentários de vida selvagem da Disney. Eram os Lemings que se suicidavam em massa. Os Lémures são de Madagáscar, que é de outro estúdio.

    1. Discursando um dia no parlamento sobre as colónias, o imortal Conde de Abranhos foi corrigido por um deputado por ter dito que Moçambique ficava na costa Ocidental de África. Parafraseio a sua réplica: “Lemings ou lémures, a nossa política não muda.”

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