Por falar em ‘desprivatização’


jmmcc,

O Bloco de Esquerda continua a velar pela boa disposição das hostes. A propósito de Educação, Francisco Louçã acabou de defender que seja uma agência independente a proceder à avaliação dos professores. Mais precisamente, uma agência independente nomeada pelo Governo.

A ideia de Louçã é engraçada. E acho que assenta numa base não menos engraçada: a desprivatização da independência.

13 comentários em “Por falar em ‘desprivatização’”

  1. Um dos problemas que se põem na avaliação dos professores é que, com este modelo, os professores titulres têm a seu cargo a avaliação dos professores, o que pode comprometer a imparcialidade. E agora vou passar a traduzir, João, provavelmente Louçã referia-se a uma entidade independente nesse sentido e que fosse naturalmente tutelada pelo Minstério para assegurar a imparcialidade do processo.

    1. ” (…) naturalmente tutelada pelo Ministério para assegurar a imparcialidade do processo.”

      Desculpe, mas não bate a bota com a perdigota .

      1. Independente relativamente aos professores porque neste momento avaliamo-nos uns aos outros, há-de dizer-me onde há imparcialidade nesse processo, e naturalmente tutelada pelo Ministério porque só o pode ser, que eu saiba ainda é o Ministério com essa pasta. Faz todo o sentido para quem está dentro do sistema.

        1. Desculpe, mas não entendo o seu raciocínio.
          Os pares podem avaliar desde que tenham capacitações para o fazer e as capacitações não se medem por se ter exercido o cargo de director de turma, ser membro de um conselho executivo, ser detentor de “n” acções de formação, etc, etc.
          Porque não se volta à figura do professor metodólogo?
          É “salazarento”?

          1. Não lhe sei responder, porque acima de tudo respondo por mim e não faço a menor ideia do que se passa nas cabeças que nos governam em termos de educação. Quase tudo o que foi feito só tem sentido para travar a progressão dos professores e com isso poupar dinheiro, bem como modificar as estatísticas no caso do Estatuto do Aluno. É óbvio que não é apenas com esses cargos que refere que podemos aferir a qualidade de um professor, mas não o é para o Ministério. Foi assim que dividiram a carreira em duas partes, professores e professores titulares, contabilizando os cargos dos últimos anos de carreira. Quanto mais cargos mais pontos e quanto mais pontos maior a probabilidade de se ser titular.
            Ainda voltando à questão, julgo que aqui independente se refere a independente dos professores, uma comissão externa à Escola mas com competência em termos de avaliação para que os Muito Bons não sejam distribuídos pelos amiguinhos. Tal como está agora há uma enorme probabilidade que sejam. Cabe aos Director decidir, esse sim um cargo salazarento que muito me entristece.

    2. Entendi, Leonor. Porém, se bem percebi, a proposta de Louçã é de «uma agência independente nomeada pelo Governo» e constituída pelos professores mais valorizados.

      1. Os “professores mais valorizados” têm sido um grande mistério , João. O conceito pode ser claro, na prática é bem diferente. O Director decidirá quem são os mais valorizados.

  2. Salvo melhor opinião, o que se quer referir é que Louçã defende uma contradição insanável- ” uma agência independente nomeada pelo Governo.”….

    Um ” outsourcing ” tutelado pelo patrão, digamos assim.
    Daí a desprivatização da independência – mais um paradoxo.

  3. o que é isso comparado com o real problema do endividamento de Portugal, com o qual o Socrates Madoff se prepara aumentar, caso vença as eleições, asfixiando economicamente Portugal !!

    1. Olhe, vou ser sucinto: três pontos genéricos.

      1. Quem quer Sócrates, quere-o de qualquer modo.
      2. Quem não quer Sócrates, nem quer ouvir o que ele propõe.
      3. Quem está indeciso – e, nesta fase, é o que importa reter – tem dúvidas sobre Sócrates, pelo que compete à oposição convencê-los através de argumentação inteligente.

      Qual é o seu caso? Pertence ao ponto 2? E o que tem feito sobre o ponto 3? Boa sorte.

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