Alguns comentadores descobriram agora que Mário Centeno é o homem mais poderoso do país, sendo o único político que não pode ser demitido e que não se pode demitir, pois em qualquer desses dois cenários Portugal ficaria sem a presidência do Eurogrupo. Esta circunstância permite ao ministro das finanças aplicar finalmente a receita financeira que o PSD de Passos Coelho defendeu, ou seja, atacar de forma mais agressiva a dívida pública, o que é uma mera questão de bom-senso perante os problemas que o Pais terá inevitavelmente de enfrentar quando subirem as taxas de juro. Enquanto o PS faz aquilo que durante anos jurou ser um erro, o PSD (em vez de elogiar a mudança) começou a defender tudo o que criticou durante os últimos seis anos: já não gosta dos cortes na despesa do Estado e pede aumentos na função pública. Rui Rio mostra que é um simples táctico, fala como um socialista do tempo da bancarrota e renega o passado do seu partido, dando a entender que tudo o que se fez durante a crise foi embaraçoso. Na realidade, as políticas que o PSD defendeu em matéria financeira são finalmente as que estão a ser aplicadas pelo PS, mas o novo bloco central que se desenha é uma pantomina efémera, onde os sociais-democratas não têm influência e onde a esquerda, que devia partilhar o lado confortável do poder, será forçada a engolir sapos até 2019. Isto não tem grande futuro, claro, como se verá mais à frente, mas Centeno será o político mais poderoso do país até ao fim de 2019.
Poderes de Centeno
Luís Naves,

Assino por baixo. Gente que navega à vista não tem futuro e nós que dependemos do que eles decidem fazer, também não.
O que Rio percebeu é que se pode aumentar a receita fiscal aumentado a despesa pública, via impostos indiretos. E assim o pessoal ilude-se que pelos aumentos de salários e pensões a austeridade finalmente ficou para trás independentemente do mês, cada ano, acabar mais cedo.
Truque de Ilusionista….
Por muitas cativações e calibrações enquanto a divida não chegar aos 60% basta um espirro lá fora para irmos de cama.
Receita do Estado, queria dizer
Centeno será o político mais poderoso do país até ao fim de 2019
Centeno não é um político. Ele é um técnico, que nunca fez política e até já demonstrou não ter especial jeito para ela.
Os que lá ficou mais tempo nunca são políticos
..ainda bem que faz tal precisão! Ufa!
Eu estava verdadeiramente atemorizado, “sconvolto”, com a parte “mais poderoso” – pensava que se de facto lusó-“poderosos” politicos se calibravam usando como “benchmark'” tão “poucochinha” figura […parafraseando o outro habilidoso…] ainda ficavamos mais tramados do que habitualmente..
Ou sera que se calhar já estamos…. 8-(??
Jorg
Mário Centeno é o único político que não pode ser demitido e que não se pode demitir, pois em qualquer desses dois cenários Portugal ficaria sem a presidência do Eurogrupo
Isso não é muito grave (aliás: não é absolutamente nada grave), ficar sem a presidência do Eurogrupo. Centeno pode perfeitamente ser demitido. Portugal nada ganha em que o presidente do Eurogrupo seja o ministro das Finanças português.
Tenho preconceito básico contra gente com todos os poderes. E, pelo caminho que leva, Centeno está todinho dentro da categoria. E pensávamos nós que nos tínhamos livrado do sufoco.
Um Costa morbidamente desavergonhado é o que me indigna.
E o empastelado de Belém ainda mais.
No fundo Rio está a seguir a mesma tática que Passos seguiu em 2010.
Depois de lá estar marimba-se nas afirmações que fez e segue em frente.
Talvez tenha sorte, o outro teve.
E os que criticaram Gaspar batem palmas a Centeno. Curiosamente Gaspar fez o que o governo PS assinou, e nem tudo, e Centeno foi muito mais longe por iniciativa própria. A outra diferença, que diz mundos sobre este país, é que ainda ninguém cuspiu em Centeno no hipermercado.
O PSD vive com o trauma de não ter sabido evitar a asfixia que produziu e também não ter conseguido, por essa via, atingir as metas a que se propunha. Claro está, é sabido, que a um longo período de retracção sobrevém sempre uma taxa de crescimento que se julga impressionante. Porém sobejariam os “cacos” para contabilizar. Os períodos latino-americanos da intervenção do FMI mostraram exactamente isto.
Na vertente em apreço, as reversões mostraram estímulo à economia, pois há mais dinheiro disponível. Porém, com a política de cativações e o baixo investimento público, os aumentos e/ou reversões, acabam por ser comidos pela inflacção.
O que certamente acontecerá em 2019, caso esta política prossiga, será o início do cair da inflacção, por via da redução do consumo, e a necessidade de se acautelar para 2020 mais défice primário para tentar sustentar a dívida.
Resumindo, isso que o Luís aceita como bom será uma ruína.
Ou Bruxelas aceita uma renegociação da dívida ou deverá oferecer mais estímulos ao investimento público.
É o mais poderoso porque o regime e as circunstâncias assim o decidem. Centeno não é grande. É tão pequenino como o capitalismo que o sustenta e justifica.