![1282214553-f[1].jpg 1282214553-f[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20945982_nSzEc.jpeg)

APARIÇÃO (1959)
Autor: Vergílio Ferreira
Realizador: Fernando Vendrell (2018)
Um dos melhores romances portugueses do século XX, e o melhor alguma vez escrito sobre Évora, permaneceu todo este tempo incompreensivelmente à margem do cinema. Vendrell colmatou a falha, mas o livro suplanta o filme por larga margem.

Ai Victória!
Victoria Guerra: um dos melhores nomes artísticos que já conheci.
Com a vantagem, neste caso, de ser um nome real.
E depois é gira que se farta. E tem o nome com um c como manda a sapatilha. Casava-me já.
Linda e talentosa. O melhor do filme.
O livro é maravilhoso. O primeiro que li do autor, que amo, e ao qual ( livro, neste caso) voltei várias vezes, a espaços largos. Sempre um prazeiroso regresso a Évora, à boa literatura portuguesa, a um autor que tanto prometia nessa “Aparição” e que tudo cumpriu.
Li e reli ‘Aparição’, que considero um dos livros da minha vida. E quanto mais e melhor vou conhecendo Évora – cidade que visito com frequência – mais gosto de reler trechos deste excelente romance.
Bendita leitura obrigatória do 12.º ano… Li-o no Verão anterior e a única coisa de que me lembro dessas férias é a confusão que a leitura me provocou. Até a capa – a amarela com as letras vermelhas – me enervava por ser demasiado viva. Foi o primeiro romance que levei “a sério”.
Acabei por relê-lo durante o ano e tive de fazer um trabalho escrito, era obrigatório. Para escapar aos existencialismos, escolhi qualquer coisa como “recursos estilísticos em “Aparição””, só que o tema dava para uma tese de mestrado, valeu-me umas noites sem dormir, conhecer o livro de uma ponta à outra e saber muitas passagens de cor.
E o “Que têm que fazer, em face da minha dor, da minha alucinação, estas árvores matinais da avenida que percorro, a branca aparição desta cidade-ermida?” passou a marcar todas as chegadas a Évora.
Acho que o vou buscar à estante outra vez.
PS: fui verificar o programa e deixou de ser leitura obrigatória. Os alunos ficam a perder.
Belíssimo comentário, Marta. Este é de facto um livro que nos permite constantes descobertas. Para além do contexto da época, da escola literária, da simbologia.
Um livro que resistiu à passagem do tempo. E que, mesmo tendo sido originariamente existencialista, vale sobretudo pelo seu imenso valor estilístico nestes dias em que o existencialismo é pouco mais do que uma relíquia histórica.
Poucos romancistas portugueses escreveram tão bem uma única obra como Vergílio Ferreira no auge do seu ciclo alentejano e eborense, bem expresso nas belas páginas desta singular ‘Aparição’.
No meu 12º ano ainda era leitura obrigatória em algumas escolas (durante alguns anos, as escolas podiam escolher entre “Aparição” e “Memorial do Convento” e a minha, a Escola Secundária de Odemira, manteve-se fiel a Vergílio Ferreira até ter desaparecido a opção e Saramago ter sido imposto nos programas). Poucos livros me marcaram tanto como este – pelo tom, pelo tema, pela prosa excepcional. Já não regresso a esta Évora há algum tempo; talvez lá volte em breve.
(agora que penso nisso, a Évora só fui uma vez… algo que também devia corrigir em breve).
Ouvi dizer que o filme é fraquito. Confere?
Boa fotografia, deslumbrante Victoria Guerra.
O resto, para esquecer.
Num filme todo passado em Évora, não se escuta um só sotaque alentejano. Mesmo pessoas supostamente das “classes populares” pronunciam “engeNHAIro”, à moda de Lisboa…
Impressiona-me perceber que o trabalho com actores, a este nível, está atrasado muitas décadas em Portugal comparado com o que fazem espanhóis, ingleses, brasileiros e norte-americanos, entre outros.
Deixa lá. Por vezes nas dobragens de filmes de animação dá-lhes para usar sotaques regionais e o resultado é sempre mau.
Pois, mal por mal… mas espanta-me como não há um trabalho competente nesta matéria.
Já vi trechos de telenovelas passadas no Alto Minho ou nos Açores sem uma só personagem a falar sequer com uma aproximação às pronúncias regionais. Tudo fala lisboês.
Eu o que gostava era da Victoria Abril, de um ou dois filmes de Almodóvar.
Eu o que gostava era da Victoria Abrila….como a anedota:
-Então, compadri, vai casar pro mês que vem, pra abrila, hein?
– Ó compadri lá está você! ! Atão queria que fosse pa fechá-la, não? ! TÁ bonito tá. ..
Eu gosto da Victoria portuguesa em qualquer mês do ano.
Esse, já cá canta!
Li o livro a primeira vez para incentivar a filha mais velha a lê-lo , porque era título obrigatório do plano de leitura. Fizemos serões de leitura. Líamos umas quantas páginas e depois conversávamos sobre o que acabáramos de ler.
Quando terminamos, soube-me a pouco e nas férias desse ano levei o livro comigo para o ler para mim e ainda bem.
Gostei bastante do filme .
É um dos meus prosadores favoritos. ‘Vagão J’, ‘Manhã Submersa’, ‘Aparição’, ‘Cântico Final’, ‘Alegria Breve’, ‘Para Sempre’. E os contos. E os ensaios. E os diários.
Um grande escritor.
Deram-me esse livro por volta dos dezoito anos,talvez. É um belo romance. E concordo, não há melhor romance sobre Évora. Não vi o filme.
Um dos melhores romances portugueses do século XX.
Não sei escolher, Vergílio Ferreira agrada-me muito.
Também gosto muito.
:).
Pedro, como sei que é um optimista, veja se gosta…e desculpe a hora adiantada…..agora lembrei-me que o Sporting está a jogar com o Porto …penalidades quase de certeza:
O Otimista Racional
Como evolui o bem-estar
de Matt Ridley
SINOPSE
O mundo está cada vez melhor. O acesso generalizado a alimentos, rendimentos e o aumento da esperança de vida alcançaram níveis muito elevados. As doenças , a mortalidade infantil e a violência caíram de forma acentuada. Embora o mundo esteja longe de ser perfeito tanto a satisfação das necessidades como os luxos são mais acessíveis; o aumento da população é mais lento; a África, depois da Asia, está a sair da pobreza; as novas tecnologias enriqueceram acentuadamente o nosso dia a dia. Os pessimistas, que dominam a opinião pública, estimam que em breve alcançaremos um ponto de não retorno e de inflexão que assinalará o final dos nossos melhores dias. Contudo, é um aviso que tem mais de 200 anos.
https://www.wook.pt/livro/o-otimista-rac ional-matt-ridley/14939565
Obrigado pela sua lembrança, caro Vlad. Mas hoje só me apetece escrever sobre futebol.
Como não fui obrigado a lê-lo em 1967(os Lusíadas sim),eu desconheci o Autor
durante décadas. Calhou-me ler depois delas o Para Sempre, a Invocação ao meu Corpo e Na tua Face.Gostei deles e acontece-me relê-los.Aparição só por Évora.Do que peço desculpa.
Em 1967 seria difícil uma obra de Vergílio Ferreira no plano das leituras obrigatórias do ensino público. Era um autor nada apreciado pelo regime salazarista.
Nem pelo cunhalismo.
O cunhalismo foi depois.
Nunca tive coragem de ver o filme. Para não me desgostar.
Perdeu muito pouco. Quase nada.