Poder de compra


Cristina Torrão,

O Paulo Sousa mostrou aqui o baixíssimo poder de compra dos portugueses, em relação à gasolina. Eu faço-o hoje em relação aos testes antigénio, que estão finalmente disponíveis nos supermercados portugueses.

Bem sei que são baratos, mas convém referir que, pelo preço de 2,79 €, um alemão, que ganha duas a três vezes mais do que um português, compra testes para toda a família.

Como referi, há dias, eles custam cerca de 80 cêntimos, na Alemanha. Se estiverem em promoção, são ainda mais baratos. Quando surgiram, no início de Maio, custavam 4,99 €, mas logo houve supermercados que baixaram o preço, provocando uma reacção em cadeia, escorregando o valor por ali abaixo.

É possível que aconteça semelhante em Portugal. Pelo menos, no LIDL (cadeia de supermercados alemã), vi os testes ontem por 2,69 €. E os leitores/comentadores deste blogue, o que já experienciaram?

 

Adenda: em relação ao preço da gasolina, tenho uma opinião muito dividida. Sei que há muita gente que depende do carro, mas também há muita (talvez mais) que bem podia prescindir dele. Além disso, aqui em Macedo de Cavaleiros, há o péssimo hábito de manter o motor ligado em circunstâncias injustificáveis, como quando se vai tomar café, por exemplo, ou mesmo lanchar, ou quando se conversa com alguém. O cúmulo foi um vizinho nosso que manteve o motor do carro ligado, enquanto lavava o veículo, operação que durou cerca de quinze minutos! Considero tal atitude uma falta de respeito pelo semelhante (já nem falo do ambiente). A que propósito tenho eu de aguentar o barulho do carro do vizinho e de lhe cheirar o escape, enquanto tomo chá na minha varanda? Quando assisto a cenas destas, peço desculpa, mas penso que a gasolina ainda não é suficientemente cara.

7 comentários em “Poder de compra”

  1. Há aqui um erro de paralaxe. Os testes são, e devem ser, o mais caro possíveis, porque são punitivos.

    Quem não quer pagar, vacina-se.

    “CNN continued its wall to wall broadcasts calling for unvaccinated people to be punished, with analysts again calling for those who haven’t gotten the COVID shots to be segregated from society and forced to pay for tests every single day.”

    [Sarcasm mode off]

  2. Um país com uma sociedade atrasada, como é a sociedade portuguesa, é necessariamente pobre.
    Na Suíça, esse comportamento dos condutores que a cronista refere, não é permitido.
    Mas por cá … atraso!

  3. Essa questão do comodismo (conheci um indivíduo que ia ao café de carro, demorando mais tempo para estacionar que a percorrer os 100mt de distância) é uma excepção, e dá jeito para manter a “narrativa”.
    A verdade é que os transportes públicos não são rápidos, fiáveis e suficientes, ou com horários adequados, assim sendo, o carro é ainda a melhor (ou única) opção, sendo por vezes até a mais barata.
    Se o autocarro/comboio for melhor que o carro, as pessoas usam. Há sempre excepções, mas são isso mesmo.

    1. A questão do comodismo é uma excepção?
      Olhe que não.

      É verdade que os transportes públicos não conseguem ser alternativa, isso é outra face da questão. Por isso, eu disse que tenho uma opinião muito dividida sobre o assunto. Estou, porém, convencida de que, se os comodistas deixassem o carro estacionado, o trânsito ficaria reduzido a quase metade.

      1. Nas grandes cidades os transportes públicos, nomeadamente comboio e metro (de superfície no Porto) têm aumentos de uso quando a oferta aumenta. É porque as pessoas aderem.
        As linhas de cascais, sintra, ou metro nao andam própriamente vazios.
        Ja aqui na terreola, dificilmente troco 10 minutos de carro por meia hora (com sorte) de autocarro.
        Em Lisboa há que destacar também a diferença de oferta semanal para fim de semana (sim, preferia o carro para “passear” a um Domingo) e os horários nocturnos.

  4. Pessoas como o seu vizinho deviam de ser obrigadas a usar uma estrela. e a cristina torrão usar o bastão, vizinhos que fazem barulho… bastão, gastam electricidade sem ser necessário multa e bastão…

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