
Honra lhe seja feita, a deputada socialista Mara Lagriminha nem se preocupa em disfarçar ao que vem. Disse ela ontem sobre o aumento de financiamento da RTP: “Que fique muito claro que, da nossa parte, do grupo parlamentar do Partido Socialista, faremos o que for necessário, trabalharemos para poder melhorar este financiamento através do aumento da CAV [contribuição para o audiovisual]”.
O dinheiro, dizia o fundador Soares, há-de sempre aparecer. Sentindo-se incentivado pela bloquista Mariana Mortágua que afirmava, no início do costismo, ser necessário “perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem o está a acumular”, o PS actual já nem se envergonha de inventar formas de o ir buscar, para financiar a sua clientela, a quem ainda tenha algum para amostra.
Mas não se pense que o PS está sozinho. Temos também o deputado do PSD Paulo Rios de Oliveira: depois de enxovalhado pela deputada Lagriminha (parece ser este o papel a que Rui Rio limita o seu partido), afirmou-se “refrescado” por ter ouvido “a forma muito sóbria como o presidente do Conselho de Administração admitiu que a RTP tem problemas e tem problemas graves e tem que os ultrapassar.” Recordemos só, para compor o ramalhete, que este “sóbrio”, “refrescante” e fresquíssimo presidente do Conselho de Administração da RTP, que ainda a tinta das paredes do seu novo gabinete não secou já vem de mão estendida pedir (mais) algumas pazadas de dinheiro para a RTP, é o inacreditável Nicolau Santos – o mesmo Nicolau Santos impulsionador da farsa “ouçam Baptista da Silva” e que, antes da RTP, já tinha sido colocado pelo PS na presidência da Lusa.
Isto está bonito!

Soltei uma lagriminha.
É preciso ir buscar a quem está a acumular. E aos burgueses do teletrabalho
É sacudi-los bem enquanto se ouvir tilintar.
Quem serão os “presidentes”, ou de que lado alinham politicamente, das tvs estatais RTBF, YLE, FTV, BR/ARD, RTE, RAI, RTVE, SWI, BBC, ORF (da UE), não nos digam que são alinhados politicamente a favor das tvs privadas e estão naqueles lugares para minar as estatais.
Aqui chegados, secos ou molhados não deixamos de ser burlados.
O verbo com que eu terminaria essa frase seria outro.
“Isto está bonito!”
O PS ganhou louros de defensor da democracia e da liberdade em 1975 mas nada de mais falso. Em 1974/1975 a extrema-esquerda apoiada por militares, ameaçava tomar o poder. Por isso e só por isso o PS se lhe opôs.
O PS é um projecto de poder, em tudo o herdeiro histórico e legítimo do Partido Democrático de Afonso Costa. Pode o PS voltar a pôr o socialismo na gaveta se necessário, mas não abdicará do controlo da justiça e da narrativa, imprescindíveis à colocação na direcção e usufruto dos grandes interesses económicos de gente sua ou da maçonaria, por vezes não sendo claro quem manda em quem.
Desiludam-se todos que, com este PS, esperam uma alternativa pacífica de governo.
Projecto de poder pelo poder – é assim mesmo que eu penso nele. A ideologia, quando existe ali, é apenas um instrumento – não o objectivo.
Que nome tão lacrimogéneo.
Com tal nome, talvez tivesse tido nos anos oitenta uma carreira como modelo para uns quadros muito populares nos mercados populares.