1. 2010 vai ser marcado pelas presidenciais de 2011. À esquerda, José Sócrates não tem estratégia presidencial: resta-lhe conformar-se com os planos de Manuel Alegre. Há erros que até os políticos medianos só cometem uma vez.
2. Francisco Louçã sonha com Alegre para fracturar o Partido Socialista. É um sonho que ameaça tornar-se realidade. As “frentes de esquerda”, como a História ensina, têm o condão de estilhaçar a esquerda ainda mais. Perguntem a Mário Soares se não é assim.
3. À direita, haverá a reposição de um velho filme, intitulado O Grande Tabu. O excesso de cálculo, em política, costuma desembocar em becos sem saída. Espera-se, por isso, que o tabu de Cavaco Silva em 2010 seja menos prolongado do que o de há 15 anos. Com a certeza de que, na sua ausência da próxima corrida presidencial, há um nome pronto para avançar: Marcelo Rebelo de Sousa. Dificilmente a direita arranjará melhor.
4. O PSD jamais conseguirá ser uma oposição eficaz ao Governo socialista sem arrumar a casa primeiro. Estranhamente, a actual líder está demissionária há três meses mas teima em permanecer em funções. Mais estranhamente ainda, apenas um militante – Pedro Passos Coelho – se prestou até agora a concorrer à presidência do partido. Sabendo, à partida, que contará com uma tenaz oposição interna, que entre ele e Sócrates prefere o actual primeiro-ministro. Nada que permita abrandar o estado comatoso em que mergulhou o partido fundado por Francisco Sá Carneiro. Balsemão, outro fundador, prefere chamar-lhe “suicídio”. Lá sabe porquê.
5. Haverá excelente previsões de “recuperação”, propagandeadas pelo Governo. Logo desmentidas pela dura realidade dos factos. E ministros que assumirão de vez o seu cansaço. Percebo-os bem. Iludir os portugueses é uma tarefa cansativa.


Em suma: de facto, a história é cíclica e/ou ninguém aprende com o passado.
É cíclica, de facto. Mas alguns aprendem, Lúcia. Sócrates voltará a cometer o erro das presidenciais de 2006, quando rejeitou Manuel Alegre como candidato.
Na mouche… Sobretudo na referência implícita à ideia de que 2010 vai ser marcado por (irritantes) tacticismos políticos. Infelizmente, atrevo-me a acrescentar. Abraço!
O tacticismo impera, tens toda a razão. E também os “estrategos” que mal são capazes de ditar a táctica.