Tendo em conta o resultado da primeira volta das presidenciais austríacas, a crise dos refugiados promete fazer muitas vítimas na política europeia. O vencedor da votação foi Norbert Hofer, com 36%, candidato apoiado pelo maior partido de extrema-direita (FPO) e que cavalgou o descontentamento popular com as hesitações governamentais na questão migratória. O seu adversário na segunda volta será um independente apoiado pelos Verdes, Alexander van der Bellen, que conseguiu 20%. A grande coligação de governo, semelhante à alemã (social-democratas e democratas-cristãos), foi humilhada: juntos, os candidatos do SPO e OVP somaram uns meros 22%.
Um sismo político já tinha atingido a Eslováquia a 5 de Março. A campanha das legislativas foi dominada pela questão dos refugiados, mas apesar de ser contra quotas europeias, o primeiro-ministro Robert Fico esteve perto de ser derrubado, por não ter uma posição suficientemente radical contra Bruxelas. O maior partido de centro-esquerda perdeu 18 pontos percentuais e foi forçado a organizar uma coligação instável. Uma formação tóxica de extrema-direita teve 8%. Somado este voto ao dos ultra-nacionalistas e populistas, o eleitorado eurocéptico representa um quarto do total e um dos três partidos anti-europeus entrou no executivo.
A irritação popular é evidente. Muitos eleitores pensam que não foram respeitadas as suas opiniões na crise dos refugiados, como não têm sido respeitadas as suas opiniões em relação aos efeitos negativos da globalização. Os populistas estão a avançar em cada nova sondagem ou eleição e assistimos ao aparecimento de figuras radicais. Infelizmente, em Portugal continua a pensar-se que estes países já não são democracias, basta ler as lamentáveis fantasias que se escrevem sobre Hungria ou Polónia, numa discussão que usa apenas argumentos de moralidade, que é a melhor maneira de encerrar qualquer debate logo de início. A Europa Central sentiu a crise de refugiados como nós não sentimos. Os eleitores austríacos concordaram com a tese de que a entrada súbita de dezenas de milhares de migrantes será uma catástrofe social, pois não há maneira de integrar tanta gente, “meio mundo” na propaganda de Hofer. As elites ignoraram os avisos, quiseram pôr-se do “lado certo da história” e, perante uma realidade em descontrolo, fizeram emendas piores que o soneto. Agora, chega a factura política e continuaremos a ler belas análises sobre como ignorar o óbvio “erro” dos eleitores.

Décadas a pregar o consumismo e o poder de compra como caminho para a felicidade social, misturado com a ganância dos mais fortes, o ocidente moldou um povo ao egoísmo e daí a incapacidade do europeu mesmo dos países ricos em ser solidários com os refugiados e cederem à egoísta extrema-direita que apenas transpõe para o discurso aquilo que foi semeado tanto pelo liberalismo injusto, como pela luta de classes materialista e irrealista.
A explicação do egoísmo não colhe e é apenas mais um argumento que coloca o problema no domínio da moralidade, em vez de o colocar no domínio da política. O modelo de civilização ocidental tem sido nos últimos 50 anos bastante sensível a crises humanitárias. Os países ricos financiam a ajuda alimentar internacional e pagam as agências e ONG que costumam ser tão críticas da actuação ocidental. A crise de migrantes teve, em países como a Áustria, um impacto extraordinário: imagine-se o que é a entrada de 10 mil pessoas por dia num país de oito milhões, sendo necessário alimentar, proteger, transportar e identificar esta multidão. As populações também sabem que a imigração em massa provocou graves problemas sociais, nomeadamente dificuldade de integração das minorias muçulmanas. Isto está também ligado ao financiamento do Estado social: há menos despesa em certas áreas e mais impostos para pagar subsídios a que os migrantes têm acesso. Finalmente, na discussão moralista que se estabeleceu, foi feita uma identificação entre refugiados (com direito a asilo) e imigrantes económicos, que se misturaram numa vaga que estava longe de ser homogénea.
Colhe, colhe. A prova está que automaticamente separou o inseparável, o domínio da política, do domínio da moralidade, se tivessem juntos antes de acontecer a catástrofe humanitária já teriam procurado uma solução justa para que estes povos não tivessem de fugir em vez de bombardearem uns ou reterem-nos da pobreza.
Sim o ocidente apoia financeiramente ONG sociais, tal como muitos abastados amaciavam a sua consciência com a esmola ou apoiando movimentos solidários, por vezes críticos com os ricos.
A Catástrofe Humanitária foi provocada pelo Socialismo Árabe “justo” , pela inexistência de “classes” na Síria socialista , pela sua falta “materialismo”, pela inexistência de “ganância” e pela ausência de “consumismo e poder de compra” elevada nesta narrativa paralela a condições positivas.
Claro que “consumismo e poder de compra” coisas más já são coisas boas se for escrito como “luta pela dignificação da Profissão” não é?
Isto noutra narrativa paralela.
Carlos Faria como Marxista quer destruir a Civilização Ocidental logo qual a surpresa. Veja-se o ódio que lhe tem.
Nem gastou uma linha a escrever sobre o Socialismo Sírio e os seus resultados…
Apoiando culturas de violência só porque são contra o Ocidente usa as tácticas Marxistas de envergonhar a Burguesia ao falar de solidariedade.
Para o objectivo de destruir a civilização ocidental ajuda ter culturas violentas na Europa, e claro não importa um aumento exponencial de discriminação e violência na Europa com um aumento ainda mais exponencial contra mulheres.
Silenciada por jornais e jornalistas.
Imigrantes que vão levar ao aumento exponencial do neo-nazismo o que permitirá reforçar o Pacto Molotov-Ribbentrop já em vigor entre a Esquerda Marxista e o Islamismo.
E, perante tudo isto, o que diz Obama, que, tanto quanto julgo saber, não recebeu um único refugiado, estando os EUA bem na raiz do problema?!
Diz que a Europa tem de assumir mais e melhor as suas responsabilidades de segurança relacionada com o Médio Oriente!
Nem mais, nem menos…
Mais uma visão racista e discriminatória dos outros povos. Nunca têm responsabilidade sobre coisa alguma.
A responsabilidade do que se passa é do Socialismo Árabe e o seu estrondoso falhanço e da intolerância de base da cultura e civilização Islâmica.
A última oportunidade que a Europa teve para influenciar positivamente o Médio Oriente foi na Invasão do Iraque. 95% da esquerda Europeia e 95% dos jornalistas apoiou os inimigos.
Note-se que não disse que estiveram neutros. Não escreveram não concordo mas espero que dê resultado a Democracia no Iraque. O que seria algo que uma pessoa de boa fé diria.
Ao invés tentaram sabotar a missão, apoiaram cada ataque da Al Quaeda num mercado Iraquiano ou numa Mesquita escrevendo e dizendo que a culpa era dos Americanos. No fim até resultou com Obama e Biden a dizerem que era um dos sucessos da Administração…
Deve ser das únicas pessoas que acha que a invasão do Iraque foi feita para implantar a democracia.
Mas que grande gargalhada…
Tinha de vir a ignorância ou má fé Marxista-Mercantilista…
Se o Pacto Molotov-Ribbentrop estivesse em vigor no Dia-D dirias o mesmo não é?
Conhece algum país democrático que seja inimigo dos EUA?
Descontando os chavões (que definem melhor quem os profere do que o seu objecto) o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
Ainda assim, posso lembrar-lhe o Chile de Allende, eleito em eleições e derrubado com o apoio dos EUA.
Numa democracia os diversos partidos têm o direito e o dever de ter diferentes posições, mesmo que essas posições sejam minoritárias. As pessoas que são contra o fecho das fronteiras têm o direito de ver essas opiniões representadas no espetro político. Não é função dos partidos tradicionais austríacos, ou de qualquer outro país, modificarem a sua posição lá porque o povo austríaco modificou a sua opinião. Se agora o partido populista austríaco passar para o poder, pois muito bem, os partidos tradicionais passam para a oposição.
O Luís Naves parece defender, neste post como em outros antes dele, a curiosa tese de que as “elites” devem, de alguma forma, modificar os seus pontos de vista para se aproximarem do ponto de vista da arraia miúda. Mais especificamente, os partidos mainstrem deveriam, sugere o Luís Naves, modificar as suas posições para as tornarem mais próximas das posições dos partidos populistas.
Eu acho que isso é um erro. Em democracia deve haver opiniões diferenciadas. As elites têm o direito e o dever de pensar de forma diferente da arraia miúda (sejam quem fôr, exatamente, as elites e a arraia miúda). Em democracia há espaço para todas as opiniões.
Obviamente, não defendo e nunca defendi que “as elites” mudem de opinião para se acomodarem ao que pensa a “arraia miúda” ou que os partidos burgueses se tornem populistas. Acho sim que as elites políticas têm de ouvir o seu eleitorado e têm de sentir a sociedade que dirigem. Não acredito numa democracia dividida entre iluminados e arraia miúda, nem numa sociedade dirigida por uns sabichões que desprezam a opinião pública. Acho que a realidade é muito diferente. Para mim, o populismo está a ser alimentado pelo crescente fosso entre as burocracias que nos governam e a população, que não se sente representada por políticos cada vez menos ligados à vida comum dos eleitores, ou pior, por burocratas não eleitos. Há outro factor: a crescente interpretação intelectual da realidade em termos morais, ou seja, entre bem e mal. Para os comentadores, a política está a ficar religiosa, no sentido de ser matéria de fé e combate entre opostos absolutos, entre forças bondosas e maléficas. Não é nada disso, claro: o que está em causa é o interesse comum de uma sociedade.