Pensamento da semana


Pedro Correia,

O mundo contemporâneo, com o seu catálogo de autoflagelações, ampliou muito o decálogo dos mandamentos de Moisés e os sete pecados mortais do catecismo cristão. Há um, no entanto, que raras vezes é mencionado por antigos e novos guardiães da virtude: o pecado da indiferença. Saibamos acautelar-nos contra ele, escolhendo campo. Os lugares mais profundos do Inferno, como escreveu Dante, estão reservados àqueles que sempre se declaram neutros.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

28 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Essa não será bem de Dante, antes de Kennedy.
    Dante escreveu ‘ non furon ribelli né fur fedeli’ (eles não eram nem rebeldes nem ladrões leais).

    Zé da Silva

    1. Uau, temos aqui um especialista em italiano clássico. Até consegue inventar “ladrões”, vindos de não sei onde.
      As coisas que eu aprendo com anónimos nas caixas de comentários do DELITO.

      1. “Os lugares mais quentes do Inferno estão reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise.”, ou variações dessa frase.

        Esta foi uma declaração de John F. Kennedy, e atribuída por ele a Dante [3]. No entanto, em A Divina Comédia aqueles que “non furon ribelli né fur fedeli” — não se rebelaram nem foram fiéis a Deus — ocupam o vestíbulo do Inferno, uma região que não é quente ou fria; a parte mais “profunda” do Inferno, um lago congelado, era reservada para os traidores.”

        https://pt.wikiquote.org/wiki/Cita%C3%A7%C3%B5es_equivocadas

        mas gosto mais desta citação :Apocalipse 3:15-16

        Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente!

        16 Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.

          1. … também prefiro: (Ap 3,15) “Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! “

      2. Espero que não utilize a censura, como habitualmente, por ter vergonha de cair no ridículo.
        fur = um ladrão, em latim. Trata-se de uma frase em latim, escrita por Dante, com um “né” (nenhum) de italiano.
        Quem leu o comentário está à espera de uma resposta ao seu espanto.
        Zé da Silva

        1. Vergonha teria eu de “assinar” opiniões como «Zé da Silva».
          Enfim, lá saberá por que raio oculta a identidade. Quanto ao seu italiano macarrónico, só um conselho: evite dar o passo maior do que a perna, seja lá você quem for.

          1. inferno , canto 3

            Mischiate sono a quel cattivo coro
            de li angeli che non furon ribelli
            né fur fedeli a Dio, ma per sé fuoro.

            Caccianli i ciel per non esser men belli,
            né lo profondo inferno li riceve,
            ch’alcuna gloria i rei avrebber d’elli.”

            não foram nem rebeldes nem fieis a Deus , os anjos. foram só por si próprios. furon, fur , fuoro , verbo essere em dialetco toscano. a bem da verdade

            [LOL
            Non isperate mai veder lo cielo:
            i’ vegno per menarvi a l’altra riva
            ne le tenebre etterne, in caldo e ‘n gelo. ( leu o Apocalipse , o Dante)

          2. Sim, numa tradução livre – os neutros. Os tais que São João vomita.
            Daí o pecado da indiferença que menciono neste pensamento da semana.
            A equidistância cúmplice da injustiça. Que pode tornar-se criminosa.
            Traduzida, por exemplo, em numerosos ditados populares. “Entre marido e mulher, não metas a colher”, “Não te metas onde não és chamado”, etc.

          3. Zé da Silva, é uma abreviatura de José da Silva (é uma chatice por haver dezenas na antiga lista telefónica).
            A sua preocupação é saber quem é o Zé da Silva, e até sem saber quem é já dá conselhos à António Costa.
            Até lhe ensinei como se diz ‘um ladrão’ em latim. Talvez Dante escrevesse ‘né’ italiano em vez de repetir ‘non’ que nesse caso seria ‘eles não eram rebeldes; eles não eram ladrões de fieis’.
            O ‘né’ é macarrónico, mas é utilizado na “Divina Comoedia” com frequência.

          4. Não passa um dia sem que apareça um tontinho aqui no Delito com a sua pancada, hoje calhou este putativo Silva. Anda a implicar com o Dante desde manhã – já é noite e ele insiste no dislate.
            Amanhã há-de aparecer outro qualquer. Ou o mesmo – com outro “nome”, tanto faz – a pretexto seja do que for.
            Já estou habituado. Siga a marinha.

  2. “Os lugares mais profundos do Inferno, como escreveu Dante, estão reservados àqueles que sempre se declaram neutros.”

    Até aí, no inferno, há lugares reservados. É por essas e por outras é que eu vou para o céu.

  3. O postal de hoje parece denotar uma tentativa de profundidade mas, certamente por defeito meu, serve-me para quase tudo, o que o situa na zona da banalidade. Exemplifico:
    – Se o assunto for a guerra na Ucrânia, estou 100% de acordo e escolho os invadidos.
    – Se o assunto for a vinda de Lula à AR, sou neutro, não me interessa; talvez por achar que estão bem uns para os outros.

    1. Estas linhas estão escritas há vários dias, garanto-lhe que nada têm a ver com Lula nem com a iminente visita do Presidente brasileiro a Portugal. Seria atribuir a essa visita uma importância que não lhe reconheço.

  4. Pois por causa dessas doutas ameaças é que o nosso bom povo deu a maioria absoluta ao concentrado geringôncico.
    Merece o céu das escolhas e o inferno na terra.

    1. Pôncio Pilatos é um exemplo clássico desse pecado. O pecado dos neutros, que ficam numa equidistante indiferença entre a justiça e a injustiça, entre o bem e o mal, entre o carrasco e a vítima.
      Tanto lhes faz. Lavam daí as mãos.

  5. Com a treta do “eu não vejo nele qualquer espécie de crime” assinou a bem nítida sentença de morte.Escolheu.
    E quanto ao Apocalipse daquele S. João,nada a ver com o nosso Baptista das festas, ensinou-me o sr. prior,boa pessoa de resto,que não me metesse a ler e levar aquilo à letra,que nem os teólogos acendiam facilmente uma candeia lá dentro.Seria um pesadelo na ilha de Patmos(?).Anos depois um colega de escola quis conhecer a Grécia,trouxe-me a lenda de o S. João ter tomado algo nalguns “Mistérios” e depois escreveu aquilo.Onde vai 1967… mas mesmo já não gastando da confraria continuo a dar-lhe razão,Tal como lha dou,a si,na interpretação da Comédia Divina.Não vou cotejar,tenho a do Graça e outra antiga na Sá da Costa.Faço fé.
    E o povo escolheu daquela maneira assombrosa.Portanto tem os tributos merecidos,vai ganhar o céu por optar e levar com o inferno na terra que sofrendo se ganha o céu.

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