Pensamento da semana


Maria Dulce Fernandes,

Se a cabeça não está no comando, se falha o entendimento, o discernimento,  a capacidade de se integrar, se o mundo nos chega com uma translucidez a raiar a opacidade, então o que fazer ao plano de traça pombalina para os dias do fim, carregado de um arrojo que ficou em suspenso? Existir e não ser, é essa a questão.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

25 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Esta é uma questão com dois pontos de vista.
    Do ponto de vista do próprio:
    – Se não tem entendimento nem discernimento penso que a própria existência será irrelevante.
    Do ponto de vista do outro, ou do cuidador:
    – Manter um ser humano na condição de vegetal será a melhor forma de executar o plano de traça pombalina para os dias do fim ou será a melhor forma de eu expiar os meus pecados?

    1. É como diz, Carlos, mas os pontos de vista não se resumem a esses dois. Tal como as opiniões e derivados, cada um tem o seu. Um ponto de vista teológico, um ponto de vista sociológico, um ponto de vista gerontológico, um ponto de vista criminológico, um ponto humorológico… e por aí fora.

      1. E já analisou a sua questão através desses pontos de vista todos? Olhe que é uma excelente maneira de relativizar um problema.

        1. Com o avançar da idade estas questões (porque são mais interrogações do que problemas e só se tornam problemas se se deixar chegar ao limite), afloram frequentemente as reflexões de cada um, com maior ou menor intensidade ou constância, Carlos.

      2. e um ponto de vista económico : muito dinheiro ganham alguns com o alimentar da doença. é o que fazem as farmacêuticas nesses casos , alimentam e fazem durar a doença e o mal estar , adiando, sem que faça qualquer sentido , o inevitável fim.
        como escrevia Machado de Assis , não tenho qualquer interesse em sobreviver a mim própria.

  2. A traça pombalina?? não conheço essa raça de traça, mas a traça vulgar domestica dou-lhe com força com bolinhas de naftalina.

    Maria José

  3. Last Will , cooperativa holandesa da sociedade civil , ajuda-nos a tratar da saúde por umas dezenas de euros.

    1. Pela Nederland proliferam empresas desse tipo há já bastante tempo. O meu tio Manuel adormeceu o seu sono sem fim através dos serviços prestimosos de uma clínica do ramo. Escolheu assim, mas nunca souberemos se o valor correspondeu condignamente ao serviço .

      1. penso muito nesse assunto , também . o ficar demente à mercê de pessoas desconhecidas , assusta-me de morte ( calhou bem )

  4. Manter cá alguém que não está em posse de quaisquer capacidades cognitivas é um exercício de egoísmo da nossa parte. Um vegetal é apenas isso (pelo menos para já, ainda vão descobrir que as cenouras sofrem ao serem cozidas a vapor).
    Aprecio o argumento de “não sermos Deus”, para decidirmos quando se morre. Assim sendo, se for o caso, é desligar as máquinas e deixar Deus decidir.
    Confesso não prestar qualquer atenção à vida depois da morte, salvo seja, nem faço especial menção de ir prestar as últimas despedidas num funeral (faço-o enquanto função social formal), o respeito para com outros serve é quando estes estão vivos, tudo o resto é mera expiação de culpa.

      1. “Deixar Deus decidir” parece uma boa solução. Mas, isso suscita tantas questões, não é verdade? Para começar, Deus existe, mesmo? Se sim, quem será, e que relação poderemos ter com ele? Se não podemos relacionar-nos, como tomará as suas decisões?
        Dá que pensar…

    1. O Anonimus é mesmo primitivo!

      Quer dizer que concorda com polvos, lagostas e caranguejos de serem cozidas vivas e tudo o que é animal senciente ?

      1. Sou um bárbaro.
        Quando as sapateiras tomarem o poder, não fugirei às minhas responsabilidades e assumirei as consequências dos meus actos perante a Justiça do Crustáceo

        1. Anonimus,
          Deviam era de te assar os tomates em lume brando para veres o que é bom para tosse, De certeza que não dizias asneiras e ficavas a crepitar da moleirinha.

          1. Gosto de pimentos assados, os tomates prefiro crus.
            Com cebola e óregãos, já se faz uma bela montanheira.

          2. Sim senhor, isto sim é Delito de Opinião que não tem azulada que lhe valha.

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