
Confesso: andava há muito tempo com vontade de voltar a Óbidos. Ainda bem que o fiz, num destes fins de semana, ainda antes das previsíveis enchentes de Natal – embora nos tempos actuais nada seja previsível. A “vila-presépio”, como lhe chamam justamente nesta quadra, engalanou-se a preceito para receber os forasteiros.
Merece que a desvendem, seja em que época do ano for. Para quem vive na zona de Lisboa os acessos são fáceis, ali pela A8, entre o Bombarral e as Caldas: cerca de uma hora de viagem.
Devo dizer que foi uma visita que nunca me decepcionou. Aqui há sempre um recanto a descobrir, uma perspectiva diferente a vislumbrar, um novo fragmento de paisagem urbana ou rural que observamos pela primeira vez. Casario envolto em estética muito própria, exibindo uma atmosfera de burgo medieval retocado por séculos de sereno embelezamento. Um panorama deslumbrante, a perder de vista, quando subimos às ameias do castelo.

Vale a pena vir pelo conjunto do património histórico. Com destaque para a Igreja de Santa Maria, edificada no século XVI, na bela praça que lhe recebeu o nome. O chafariz da Vila, mandado construir por D. Catarina, rainha-regente durante a infância de D. Sebastião. Os majestosos solares, como os do Aboins ou os dos Brito Pegado. Ou os antigos paços do concelho, transformados em museu.
Vale a pena vir também pelos livros. Há sedutoras livrarias em Óbidos, que alguns conhecem só pelos chocolates ou pela ginjinha, ignorando que serve de palco a um festival literário com reputação internacional. A paixão pelos “papéis pintados com tinta”, como lhes chamava Fernando Pessoa, é tanta que aqui existe até um hotel forrado a livros de lés a lés, além de um restaurante igualmente coberto de lombadas. The Literary Man, o primeiro. The History Man, o segundo. Pena os nomes “amaricanos”: ninguém parece desprezar tanto a língua portuguesa como os próprios portugueses, sobretudo os mais letrados.


Foi no Homem da História que almoçámos. Tem uma acolhedora esplanada na Praça de Santa Maria e um vasto espaço interior, mas pedimos para nos instalarem a mesa no jardim traseiro para melhor desfrutar o sol. Foi lá que saboreámos com todo o vagar do mundo a raia frita com arroz de grelos e o polvo salteado com migas e feijão, devidamente acompanhados de um fresco branco da região Oeste.
A “vila-presépio” está bem e recomenda-se. Com um encanto que jamais passa de moda.


Bom dia Pedro Correia
É, para mim, um “lugar” muito aprazível, e não passa de moda, “to say the least”! Tenho dezenas e dezenas de fotografias tiradas em Óbidos, e nos arredores, onde se encontram coisas também muito interessantes. Mas, mais importante, ar puro, caminhadas, gente hospitaleira, e almoça-se bem em vários sítios. E património edificado maravilhoso. E quase tudo bem cuidado. Saúde e bom Domingo.
António Cabral
Grato pelo seu testemunho, caro António Cabral.
Boa semana e saúde, sempre.
gosto muito da terra da Zefa
An oppidum (plural oppida) is a large fortified Iron Age settlement. Oppida are associated with the Celtic late La Tène culture, emerging during the 2nd and 1st centuries BC, spread across Europe, stretching from Britain and Iberia
Se a Zefa era quem eu penso, só poderia orgulhar-se desta terra.
Se não é, poderia orgulhar-se também.
exactamente
Saúde e Fraternidade
Obrigado, igualmente.
Óbidos a “vila-presépio”? Bem podia ser se tivesse declives mais acentuados.
Mas, Alenquer é que conhecida como a “vila-presépio”.
Já não me referindo, há 50 anos chegar de navio de madrugada ao Funchal (Ilha da Madeira) com a iluminação pública, ainda acesa, serpenteando ilha acima entre as verdes bananeiras, casas e igrejas.
Falo em Óbidos e vem um anónimo dizer que devia ter falado em Alenquer.
Eis a tugulândia no seu esplendor.
Não, não — o Piódão é que é a aldeia presépio
Os presépios de Natal são como os cogumelos na estação apropriada: quantos mais, melhor.
Qual tugulândia qual quê?
Você é que não sabe (agora não vá rectificar às escondidas como fez na casa da Ericeira) que Óbidos nesta quadra é conhecida como Vila Natal.
Você chama-lhe “vila-presépio” e ainda é multado por Alenquer.
Continua a dar sarrafas e atirar a bola para canto, não se aguenta com uma jogada limpa.
Estes anónimos andam cada vez mais ressabiados na blogosfera.
Tem remédio? Talvez.
https://www.rennie.pt/
Toma disto e vai-te curar da azia, pá.
Em vez de tretas arranje lá quem lhe chama justamente “vila-presépio”.
Prontus já não é você o da ideia mas concorda com o baptista misterioso.
Experimente isto. mg-2-comprimidos/p-896160
https://www.panvel.com/panvel/viagra-50
Talvez resolva o seu problema principal.
Gosto mais do fim-de-semana…
Experimenta dar explicações para ganhares uns trocos.
A intenção não era a de promover qualquer actividade.
Não esperava essa reacção de um opositor ao AO90.
A sua intenção é meritória. Mas deixe lá estar o meu título, propositadamente ambíguo sem os hífens. Porque há o fim do ano (cada vez mais próximo), o fim do mês (cada vez mais curto) e o fim da semana (cada vez mais dilatado do que o clássico fim-de-semana).
Exactamente. Cada um tem o seu idiolecto.
Isso. E alguns idiotas têm idioleto.
Isso são os consoanticidas…
Consoanticidas é a definição perfeita. Com a devida vénia, vou anotar no meu dicionário de neologismos.
Há um artigo do Nuno Pacheco, no Público, com o termo consoanticídio.
Grande jornalista (e bom amigo), o caro Nuno Pacheco.
Também partilho dessa opinião.
https://www.publico.pt/2021/11/11/cultur aipsilon/opiniao/consoanticidio-doenca-i nfantil-adulta-acordismo-1984231
Obrigado. Uma vénia ao Nuno também.
Não sei quem chama vila-presepio, mas pode ser que sim.
Local magnífico, ideal para quem gosta de passeios a pé em zonas urbanas (pese nem todos apreciarem o “asfalto”). Excepto no festival do chocolate.
No festival do chocolate, dispenso também. No resto do ano não. Seja em que estação do ano for.
Também tenho andado com vontade de voltar a Óbidos mas tenho temido as enchentes do Natal. Acho que vou aguardar que passe esta época natalícia.
Obrigada pela partilha! Belas fotos!
Não me parece que haja enchentes, Ana. Aliás nos tempos que correm não creio haver enchentes em lugar algum. Excepto nos centros comerciais, que estão lotados. E aí ninguém pede certificados digitais de dupla vacinação nem exige testes à entrada.
Muito obrigada pela informação, Pedro!
Não tem de quê.
A mim Óbidos sempre me pareceu um bocado abonecado. Parece-me basicamente uma vila para turista ver. Não é real.
Ademais, sempre que lá fui estava à cunha. Parece a rua central de Albufeira no verão.
Que pena você não gostar dela. Óbidos deve sentir-se inconsolável.
Eu não escrevi que não gostasse. Gosto de Óbidos, mas não dos imensos magotes de gente que a frequentam. E parece-me um bocado artificial, abonecado, arranjado de mais.
Prefiro Marvão, que no entanto fica muito mais longe – e por isso não tem magotes.
Resultado da sua imensa popularidade. Quando você lá vai, aquilo enche-se de gente.
Ainda que seja bastante menos queque (o que é bom) Marvão não tem a piada que Óbidos tem. E comparando com terras mais isoladas e penduradas lá no cimo dos montes, nem sequer tem a piada que têm Monsanto, Linhares da Beira ou Castelo Rodrigo. Marvão é mais parecido com Penela, que é tipo Portalegre (na zona do castelo).
Sempre que lá volto é como se fosse a primeira vez.
É lindo, Teresa. E quem lá vai tem uma vantagem suplementar: não encontra lá o Lavoura.
Anda a sair muito da zona de conforto, ainda vai ter a senhora Graça Freitas à perna.
Antes essa senhora do que a maluquinha de Arroios.