Na sequência do postal de ontem, sobre o que aos olhos dos seus clientes se está a passar na TAP, terá faltado olhar para a fotografia alargada.
O debate anda à volta da decisão de salvar a companhia aérea nacional, ou não. Quando a coisa se apresenta como se um simples interruptor nos fosse colocado à frente, em que teríamos apenas de o deslizar para um lado ou para outro, sem revelar as consequências que cada opção poderá ter, a questão é facilmente levada para o ponto de vista emocional, embrulhado num nacionalismo bacoco. Gostamos de ter ou não uma companhia de bandeira?
Muitos dos que se opõem mais afincadamente ao encerramento da empresa, manifestam-se como se isso implicasse que todos os seus aviões tivessem de ser destruídos, a experiência dos seus quadros evaporasse e a tradição de segurança desaparecesse.
Nada mais errado. Processos idênticos já aconteceram na Suíça e na Bélgica, em que a após a falência da SwissAir e da Sabena, estas foram substituídas pela Swiss e pela Brussels Airlines. Aí, as aeronaves foram repintadas, grande parte do seu pessoal foi integrado, a cadeia de fornecedores foi mantida, a experiência e o serviço não se perderam.
Se algo idêntico fosse feito com a TAP, as perdas mais significativas seriam registadas pelos seus financiadores, nomeadamente por quem atravéz do empréstimo obrigacionista de 2019, lá colocou 200 milhões de auros. As medidas tomadas pelo governo, mais do que querem manter as cores da bandeira na cauda dos aviões, quiseram, acima de tudo, assegurar que quem tomou esse empréstimo não fique com esse prejuízo.
![]()
No título do postal dou uma pista sobre quem é que está afinal a ser assistido em todo este filme, e como é que o ministro Pedro Nuno Santos acabou por fazer à nossa algibeira o que ameaçava que aconteceria às pernas dos banqueiros.
O resto é espuma.

Ou veja-se o caso mais recente, da Alitalia prestes a renascer como Ita.
Os aviões serão pintados e o pessoal de bordo vestirá uma farda nova. E os contribuintes serão poupados.
Cá preferimos salvar os bancos.
Conversamente, não deixa de ser irónico ver aqueles que em 2011 rejeitavam absolutamente que o país fizesse default a defender agora que se deve deixar a TAP fazer default.
Para o balio falir um pais é igual a uma empresa ir à falência…
A defesa da TAP recorda-me o comércio tradicional. Toda a gente quer salvar e defender o comércio tradicional. Se todos os que o fazem fizessem realmente compras no comércio tradicional, este não precisava de ser salvo.
Todos querem TAP, mas quando comparam os bilhetes entre esta e uma Swiss Air, lá se vai o patriotismo
quando comparam os bilhetes entre esta e uma Swiss Air
Há meia dúzia de anos fui à Suíça. Fui na TAP e voltei na Swiss. Que me recorde, não havia uma diferença evidente de preços entre as duas.
Isso tudo.
A Swiss e a TAP pertencem ao mesmo grupo.
Para ser rigoroso, há que ver a diferença. Pedro Nuno Santos defendeu em 2011 que Portugal pusesse as pernas dos banqueiros alemães e franceses a tremer deixando de lhes pagar a dívida. Não defendeu, nunca jamais, que Portugal fizesse o mesmo aos pequenos aforradores portugueses que investiram o seu dinheiro em certificados de aforro. Ou seja, Pedro Nuno Santos queria que a República Portuguesa lixasse os banqueiros estrangeiros, mas não os aforradores portugueses. Ora, no caso das obrigações que a TAP emitiu há dois anos, quem as comprou terão sido maioritariamente pequenos aforradores portugueses. Dificilmente Pedro Nuno Santos defenderia, em 2011 ou atualmente, que o Estado fizesse default aos pequenos aforradores portugueses.
Afora isso, o post está bem observado.
Exacto.