


É fácil imaginar uma agência de comunicação, das várias que trabalham para o Governo, conceber uma frase forte, daquelas que produzem efeito bombástico. Numa reunião de criativos, agora por videoconferência como é de regra, saiu a ideia luminosa: «Vamos chamar-lhe Dia da Libertação.» António Costa foi informado, deve ter sorrido e levantado o polegar. O slogan transformava-se em verdade oficial.
Coisas destas acontecem em todos os governos de todos os países civilizados. Menos normal é que os órgãos de informação acolham a propaganda e a reproduzam de modo acrítico. Mas foi isso que aconteceu. De repente passámos a ver o slogan impresso como se tivesse sido ditado por Deus a Moisés no Monte Sinai. «Dia da Libertação», a propósito do fim das medidas mais restritivas relacionadas com o coronavírus.
Não faltou quem tivesse visões de Costa numa lancha de desembarque nas praias da Normandia ou liderando uma fileira de blindados prontos a livrar Paris do jugo nazi. O primeiro-ministro de camuflado, imitando não apenas Gouveia e Melo, mas Patton ou Eisenhower. Como se viajássemos na máquina do tempo.
Nenhum criativo se atreveu a tanto. Nem era necessário: a mensagem “positiva” já tinha passado. Mesmo que muitas medidas restritivas subsistam – algumas incompreensíveis, como os jovens serem dispensados de máscaras nas discotecas mas não nas salas de aula. Mesmo que continuem a morrer portugueses com covid-19. Mesmo que os especialistas alertem para uma quinta ou sexta vaga. “Libertação” nenhuma, excepto na propaganda com tonalidades épicas e sem o menor sentido do ridículo.
Sensação reforçada de liberdade terá existido – isso sim – em diversos municípios do país, demasiado tempo submetidos à mesma sigla partidária ou até ao mesmo autarca, daqueles que vão e regressam como as ondas da praia. Um deles foi o de Coimbra, Manuel Machado, que permaneceu duas décadas na presidência da câmara. E sai sem concretizar várias promessas. O seu sucessor eleito, José Manuel Silva, já apontou o dedo ao primeiro-ministro, que andou por Coimbra sem gravata, durante a campanha, anunciando o início da maternidade para um prazo máximo de três semanas subsequentes ao dia 27 de Setembro. A promessa vai ser cobrada, adverte o novo alcaide.
Mas afinal a que se deveu o recuo eleitoral do PS nas autárquicas?
O diagnóstico mais lúcido veio de um deputado socialista: Sérgio Sousa Pinto, no programa A Lei da Bolha, da TVI24.
«A classe média continua a ser profundamente flagelada, desde logo fiscalmente. O tempo passa sem ver os seus rendimentos sofrerem um incremento digno de nota, a economia doméstica continua a ser constrangida, com salários baixos e tributação muito elevada. As famílias vivem neste aperto, com dificuldade em constituir poupanças, esmagadas por uma carrada de taxas, taxinhas, impostos, multas – tudo serve para aspirar recursos à classe média.»
Quem fala assim não é gago. E coloca a honestidade intelectual acima da fidelidade partidária.
Texto publicado no semanário Novo

O dia da libertação com os carrascos e amarras de todos os dias.
A primeira frase diz tudo do resto. “É fácil imaginar uma agência de comunicação, das várias que trabalham para o Governo”. Quais? Vindo de quem vem, a falta de rigor básico não admira, serve-se mais um linguado para a mesa do canto, que é a que paga, e está feito. Paff. .
O único dia D que a classe média celebra, cada vez mais amargamente: ia-da-libertacao-de-impostos-2021/
https://oinsurgente.org/2021/06/06/feliz-d
O senhor José Manuel Silva não conhece o Primeiro Ministro de parte nenhuma e portanto não está autorizado a fazer qualquer juízo moral sobre o seu comportamento. Agora, há uma coisa que o dito senhor tinha obrigação de saber antes de abrir a boca: é que a promessa não era uma promessa.
A C, the Big D.
Essa de ter usado Moisés como analogia da libertação não está mal. Moisés levou aquele povo durante 40 anos pelo deserto, mordidos por serpentes mas também sustentados pelo maná caído do céu e as codornizes que foram enviadas para lhes alterar o jejum.
Costa colocou-nos no deserto, sem pão e sem água, e mostrou-nos que é bem melhor construir um bezerro d’Ouro, ainda que falso como ele, para acção litúrgica diária.
Este bezerro chama-se PRR, que Bruxelas ofereceu para se poder oferecer a si mesma uns outros quantos bezerros mais farfalhudos em pêlo e bem mais carnosos e gordurosos que esse que nos pede para enfardar.
Portanto, agradeço ao Costa por seu discurso nos indicar que a mentira não liberta.
Quanto ao covid, os números não mentem e a ideia de abrir escolas e infantários só está aí para provar que é para os ir fechando alternadamente. Em Matosinhos 300 ficaram em isolamento profiláctico. Os minutos que se seguem mostrar-nos-ão a libertação da praga.
E que culpa tem o Costa quando há um maluco qualquer da DGS do norte que manda 300 putos para casa por causa de um único caso de “covid”?
E que culpa tem o Costa quando anunciou o fim das máscaras e a malta continua a usá-las em todo o lado?
O Costa tem muitas culpas, sem dúvida, mas pode crer que se lá estivesse o Rio estávamos muito pior. Lembre-se do governo do Passos quando já se estava a preparar para tirar 600 milhões à Segurança Social e 300 milhões às reformas.
que culpa tem o Costa quando há um maluco qualquer da DGS do norte que manda 300 putos para casa
Costa tem culpa por não pôr o maluco na ordem. Ou por não mandar a maluca-mor pôr o maluco na ordem.
É inadmissível que as crianças estejam entregues aos caprichos de malucos que podem fazer o que lhes apetece sem serem postos no olho da rua quando se portam mal.
Costa tem muitas culpas, sem dúvida, mas pode crer que se lá estivesse o Rio estávamos muito pior
Disso não pode haver qualquer espécie de dúvidas. Nesta coisa da epidemia, quando o PS diz “mata”, o PSD aplaude e diz “esfola”.
Rui Rio ao pretender ser sério e civilizado cometeu o pecado infantil de lidar com Costa nesse patamar de decência transparente.
Sem pretender ser exaustivo basta lembrar que este quando perdeu as eleições, enquanto simulava conversações com Passos Coelho andava nos subterrâneos sombrios a pescar muletas, inimigos de véspera, para resgate do próprio cadáver político prestes a descer às profundezas.
Como foi possível dar confiança a um homem que tanto na oposição como já no poleiro, proclamava aos quatro ventos que não queria nada com o PSD, adiantando mesmo que se um dia precisasse deste partido para governar deixaria de ser governo.
Para terminar, dizer apenas que às vezes é preciso “em terra de lobos uivar como eles”.
Carlos, repare bem: O que Passos fazia, e mal, não justifica o mal que Costa faz. Aquilo que Passos chamava de tirar, o Costa dá-lhe o nome de cativar. Em matéria de gestão económica e financeira a única deriva é a semântica.
Vou ali abaixo responder ao balio sobre o bichinho e sobre a política em nome deste.
os números não mentem e a ideia de abrir escolas e infantários só está aí para provar que é para os ir fechando alternadamente
Você defende que não se tivesse reaberto as escolas e infantários?
Ou defende outra coisa?
O que eu defendo, balio, é que na área metropolitana de Lisboa e Porto, zonas onde o tráfego e os transeuntes são mais incontroláveis, devia existir telescola e teletrabalho até ao final da próxima primavera, no minímo, mantendo-se tudo o mais aberto, e manter-se ainda o regime de coorte em unidades fabris ou pecuárias de grande e média dimensão.
Esta proposta tem fundamento científico e económico, porque os custos de paralisação serão superiores ao funcionamento no regime que preconizo.
Por outro lado: sobe o R(t), sobe ainda as infecções e sobe também a mortalidade face às infecções.
A ciência, mesmo com vacinas, ainda não é capaz de explicar o comportamento do vírus; e as vacinas estão aí para criar a ilusão de que os governos fazem alguma coisa pêlos cidadãos, isto é, que delapidam o erário público para pagar a farmacêuticas produtos ineficientes e que ninguém, ninguém mesmo, até agora apresentou estudos credíveis na relação entre a vacina e a diminuição da propagação e/ou dos danos por esta provocados a quem sempre provocará danos.
Porém quem quiser vacine-se. Pessoalmente sinto-me mais seguro (eu disse seguro e não invulnerável) sem vacinas e vacinados, porque me torna mais precavido. Com vacinados fico ainda mais cauteloso, porque os perigos vêm de muitos destes.
O que eu defendo é precisamente o contrário daquilo que Você defende. Eu defendo que tudo deve abrir e que, quem ficar doente, que fique.
Acima de tudo, não se deve, nunca jamais, fechar as escolas, porque as crianças são imunes ao vírus e não têm nada que ser prejudicadas por causa dos velhos.
Portanto estamos, rigorosamente, em polos opostos.
Ainda bem que estamos. As crianças podem passear em jardins e continuar a ser crianças ao lado dos velhos e não por causa dos velhos, como você refere. A telescola é para todos, incluindo para universitários que teriam as excepções em aulas práticas. Portanto, eu defendo que tudo pode continuar aberto, incluindo os organismos de ensino, mas em modo remoto. a-e-melo-diz-que-farmac-uticas-querem-va cinar-bebes
Que eu saiba as medidas tomadas não foram por causa de velhos, mas por causa de não existir um sistema de saúde com pés e cabeça. E de não existir uma política de saúde que evite a deambulação de médicos entre o público e o privado. Portanto, foram tomadas medidas para manter a corrupção do sistema.
As pressões comerciais a que os políticos e cientistas de meia tigela têm vindo a dar voz também se podem encontrar em alguns excertos que se encontram aqui:
https://sol.sapo.pt/artigo/749262/gouvei
“Acima de tudo, não se deve, nunca jamais, fechar as escolas, porque as crianças são imunes ao vírus e não têm nada que ser prejudicadas por causa dos velhos.”
👍🏻
“Sério, o robalo era deste tamanho. Não estou a mentir.”
Muito bom!!!

«A classe média continua a ser profundamente flagelada, desde logo fiscalmente. O tempo passa sem ver os seus rendimentos sofrerem um incremento digno de nota, a economia doméstica continua a ser constrangida, com salários baixos e tributação muito elevada. As famílias vivem neste aperto, com dificuldade em constituir poupanças, esmagadas por uma carrada de taxas, taxinhas, impostos, multas – tudo serve para aspirar recursos à classe média.»
Essa é uma parte, mas parece-me ser mais profundo do que dinheiro.
Temos de recuar aos anos 80 e as propag… oops! promessas dadas para a aceitação da entrada na CEE e depois a União. Portugal seria um país “Europeu” em contraste com os miseráveis resultados quase 40 anos depois.
A sensação de tudo bloqueado, de que não é possível fazer nada sem um penoso calvário com o Estado e posterior punição pelo mesmo Estado por ter feito algo.
Temos um regime que pela sua ideologia socialista destroí capital em vez de o criar.
É difícil libertar os tolos das correntes que eles veneram.
Voltaire
A propósito do recente escarcéu levantado pelas Ordens – infelizmente, por razões de exercício profissional, vejo-me obrigado a pertencer a uma -, a propósito de uma proposta de despacho de alteração legislativa promovida pelo grupo parlamentar do PS, constata-se facilmente o quanto este país é totalitário, corporativo e estatizado e a velha senhora ainda manda em todos os azimutes da sociedade, com o povo benevolentemente sempre à espera que as ordens sejam transmitidas e acatadas sem reservas nem contestação. Sou e sempre fui contra a existência de ordens profissionais, na questão que se cinge à “obrigatoriedade de pertença”. Que existam não me apoquenta, desde que devidamente enquadradas como “associação” ou similar e cuja inscrição seja meramente facultativa. Porque não a existência da “Ordem dos Padeiros”? O pão continua, por razões económicas óbvias, a ser o bem alimentício mais relevante da pátria e se, mal confeccionado, pode acarretar graves consequências generalizadas. Neste caso, não vela a ASAE pelos padrões de qualidade e o cumprimento dos normativos legais? Ou, porque para padeiro não é exigida formação superior, nem sequer pós-Bolonha? E a Ordem dos Trolhas, não teria igualmente cabimento? Por exemplo, onde está o parecer negativo emitido pela Ordem dos Médicos, acerca da vacinação covid a crianças com idade inferior a 15 anos, caso noticiado uma única vez? Quem, alegadamente, na estrutura (principescamente paga!), da ordem o sonegou e porquê? No resto, as irónicas favas que parecem cerejas no topo do bolo e que eu forçosamente tenho que comer e calar: foi precisamente o PS, seguramente para salvaguardar interesses dos seus apaniguados e acólitos, o responsável pela criação do maior número de Ordens Profissionais neste país!
As famílias vivem neste aperto, com dificuldade em constituir poupanças,
afirmou Sérgio Sousa Pinto. Mas ele não tem razão, como se verificou agora durante a epidemia, durante a qual as poupanças dos portugueses cresceram muito substancialmente. O que isso significa é que os portugueses não têm dificuldade em constituir poupanças – desde que os proíbam de comer e fazer férias fora. Os portugueses não têm dificuldade em constituir poupanças – a apetência pelo consumo é que é demasiada.
Há glovo e Amazon. Essa não cola.
Pode é fazer contas ao dinheiro poupado no petroil para encher o depósito.
“durante a epidemia, durante a qual as poupanças dos portugueses cresceram muito substancialmente”
Talvez seja verdade se substituir a palavra “portugueses” por “funcionários públicos”. Aqueles que foram impedidos de trabalha ou cujas empresas entraram em layoff dificilmente terão conseguido aumentar o nível de poupanças.
Mas a verdade é que cada vez mais portugueses são funcionários públicos. Idealmente, para o socialistas, todos os portugueses seriam funcionários públicos ou pensionistas.
Quando eu digo que as poupanças dos portugueses cresceram muito substancialmente, estou-me a reportar a dados que foram tornados públicos sobre o montante total de depósitos à ordem e a prazo nos bancos. Trata-se portanto de dados bem objetivos. Naturalmente que não sei (nem ninguém sabe) se essas poupanças foram constituídas por funcionários públicos, ou por padres, ou por trolhas, ou por seja quem fôr. Agora, lá que o montante total das poupanças cresceu, isso é um facto objetivo.
Há que olhar para os dados e saber interpretá-los. É como a velha história do frango: se um de nós comer um frango e outro não comer nenhum, os dados dizem que comemos em média meio frango cada um. Mas na verdade um empanturrou-se e o outro ficou com fome. O dinheiro que sobrou nas contas de alguns provavelmente faltou nas mesas de outros.
https://www.youtube.com/watch?v=dBd2KJm sZnU
Afinal não vai ser nem o medina nem nuno, vai ser o sérgio o substituto.
O rio, o rangel ou quem aparecer que se cuidem.