DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Lima: «Lembram-se daqueles livros que, há alguns anos, toda a gente lia, do género “As Brumas de Avalon”? Pois foi exactamente naqueles ambientes que pensei ao visitar, no Inverno passado, esta quinta onde as árvores (pinheiros, carvalhos e castanheiros) se misturam com grandes penedos. A beleza do local, digo-vos, é imensa. O mesmo devem ter achado os habitantes da região que, há muito tempo, ali encontraram abrigos naturais. De facto, através de algumas sondagens arqueológicas, concluiu-se que aquele sítio teve ocupações humanas desde o início do Neolítico.»

 

José António Abreu: «Chega a grande velocidade num Audi prateado quarenta e cinco minutos depois da hora marcada. Avança de mão estendida e pede desculpa pela meia hora de atraso. Diz que estava numa reunião mais de cinquenta quilómetros a norte, onde reside e tem a sede do grupo, e que quando nos deixar há-de ir para um local a sul ainda mais distante, onde possui outra empresa.»

 

Luís Menezes Leitão: «O parlamento eslovaco cuida dos interesses dos cidadãos eslovacos e não quer saber do resto dos europeus. Talvez por isso fosse altura de o parlamento português se preocupar com os interesses dos nossos cidadãos em vez de tudo fazer para contentar os credores internacionais. Porque no resto da Europa ninguém se vai preocupar com a situação dos portugueses, como ninguém se preocupa hoje com a situação dos gregos.»

 

Eu: «Tanto se fala e se escreve sobre o pequeno mundo da política. Mas pouco se escrutina o pequeno mundo da cultura. Às vezes, no entanto, vale a pena reparar nele. Porque é uma outra forma de percebermos melhor uma certa maneira de ser e de estar em Portugal. Espreitem, por exemplo, a caixa de comentários deste texto da excelente Maria do Rosário Pedreira e vejam até que ponto se ramifica o fio de polémica nele desencadeado. Não me pronuncio sobre o fundo da questão, até por desconhecer as obras dos dois nomes mais mencionados, mas sugiro um olhar atento a muitos comentários aduzidos. Mostram-nos melhor que mil discursos o que somos e como somos.»

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