Paroles, paroles


Teresa Ribeiro,

Gosto de assistir a um bom diálogo entre homens. Daqueles em que não dizem absolutamente nada e o essencial da comunicação se fica pela respiração das frases – se é que se pode chamar frases a certos alinhamentos monossilábicos – e a linguagem corporal. Esta relutância em verbalizar o que lhes vai na alma tem a ver, já se sabe, com os rigores dos códigos masculinos que aconselham a máxima prudência com as palavras. Todos sabem, porque é atávico, que as palavras falam sempre demais, seja porque desvendam ou porque mentem. Homem que é homem guarda silêncio. Guarda-se. Daí as conversas de surdos, os diálogos avaros quando não há assunto ou o assunto é pessoal e portanto intransmissível.

Esta reserva é tanto mais curiosa quanto se sabe que às mulheres não se aplica. Em contraste com o estilo adoptado entre machos a comunicação com as mulheres é muitas vezes caudalosa, impudente, sentimental. Nos seus jogos de sedução os homens revelam-se surpreendentemente hábeis na retórica, desmentindo a ideia de que são ineptos na comunicação verbal, sobretudo quando versam temas sensíveis.

Será que é porque desdenham das palavras que tão bem as sabem usar para expressar tantas vezes o que não sentem?

12 comentários em “Paroles, paroles”

  1. Talvez:
    Os homens querem seduzir as mulheres e isso implica, na medida das capacidades de cada um, entusiasmo, humor e inteligência (isto é um elogio às mulheres); não querem revelar-se inferiores (mais fracos) do que outros homens e isso implica prudência e fuga de temas que exsudem demasiada sensibilidade – ou então, quando perante mulheres na companhia de outros homens, até uma certa boçalidade. Evidentemente, as coisas têm vindo a mudar.

    P.S.: Como será fácil de perceber, apenas alinhavei este comentário por teres sido tu a escrever o post, Teresa, e não um homem.

    P.P.S.: Já agora, e então as conversas entre mulheres? São caudalosas porque as mulheres fazem questão de exprimir todos os seus pensamentos (até para exorcizarem alguns medos – enquanto os homens retêm os seus) ou porque nelas a competitividade se exprime avançando primeiro e pensando depois?

    1. Hum… Não digo que a competitividade entre as mulheres também não se exprima através do verbo, mas é no visual que quase tudo se joga, como não podia deixar de ser. É que ao contrário das mulheres, que respondem especialmente aos estímulos auditivos, os homens reagem sobretudo ao que vêem.
      Baseadas nesse conhecimento ancestral, as hostes femininas agem em conformidade.
      Só que uma mini-saia é uma mini-saia, enquanto que um “I love you” pode ser uma grande treta. É certo que também se pode fazer batota com soutiens push up e enxertos de silicone, mas nada se compara com as ilusões que se criam com as palavras. Estamos por isso muito mais sujeitas a golpes baixos. Essa é que é essa!

  2. A mulher ao favorecer a fala muda o campo de batalha para uma área onde tem menos desvantagens ou tem mesmo vantagens.
    Como as mulheres têm menos força física tiveram de desenvolver mais a fala também como instrumento de violência, seja de agressão ou defesa. E muitas vezes como agressão indirecta.

    http://www.nytimes.com/2013/11/19/science/a-cold-war-fought-by-women.html?_r=0

    http://www.cbsnews.com/news/women-use-indirect-aggression-to-succeed-study-says/

  3. Os homens estão programados para agir e as mulheres para falar. Antigamente quando se misturava isto dava em bebés, actualmente está mais complicado, a mistura é feita no cérebro e depois sai cada coisa…

  4. é curioso ler uma analise de como somos(sou da tribo dos homens) dito por outra visão. não concordo nada mas é curioso/interessante na mesma.

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