Diálogos ideológicos


Pedro Correia,

 

Ela – Como foi o teu dia?

Ele – Menos mal. O pior é ter de aturar a brigada politicamente correcta: preciso de duplicar as minhas habituais doses de paciência.

Ela – Falas de quem?

Ele – De algumas amigas tuas. Vegetarianas. Devotas das lagartixas e das abóboras. Esquerdistas em geral e ambientalistas em particular.

Ela – Fica sabendo que se não houvesse esquerdistas, amigos dos animais e ambientalistas, o mundo seria muito pior.

Ele – Faltou-me ainda mencionar as esquimós frustradas, sempre com afrontamentos perante o “aquecimento global”.

Ela – A direita só se preocupa com dinheiro. A esquerda preocupa-se com as pessoas, os animais, o ambiente… Enfim, essas pieguices que tu tanto desprezas.

Ele – A direita preocupa-se com o dinheiro, sem o qual não se pagaria nenhuma pieguice da esquerda.

Ela – Deixa-te desses chavões e convida-me para jantar. Eu escolho um restaurante “piegas”.

Ele – Qual restaurante?

Ela – Qualquer um. Desde que seja vegetariano. Com produtos naturais.

Ele – E quem paga é aqui o cavalheiro?

Ela – Naturalmente.

12 comentários em “Diálogos ideológicos”

      1. “A senhora parece firme” também me parece bem e o cenário é-me familiar…
        🙂

        Forte abraço e Sinceros Desejos de Boas festas.

  1. Pois eu agora estou com um problema: sou mulher, de direita* e preocupo-me com as pessoas, os animais e o ambiente…

    * O facto de dizer que sou de direita não implica que apoie o atual governo português, nem que seja contra coisas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apenas nunca serei de esquerda.

      1. Seguramente que não, caro Pedro.

        Quanto aos leões, foi pena o jogo de ontem, principalmente, por ter havido injustiça. Mas continuamos em primeiro e, para o ano, há mais.

        Saudações leoninas e Bom Natal também para si!

  2. A propósito, esta é a estória de duas famílias. Uma famiglia – Um pai, o Trica-Banqueiro, e dois irmãos, o José Sócrates de Esquerda e o Pedro Portas de Direita (todos vigaristas, pai e filhos), e outra família numerosa, a família Zé-Povinho, (esta honesta e trabalhadora).

    Um certo dia, a família honesta Zé-Povinho, decide contratar um advogado para gerir uns dinheiros e umas propriedades que tinha herdado. Para tal escolheu um dos filhos da primeira famiglia, de nome José Sócrates de Esquerda

    O advogado José Sócrates de Esquerda convenceu, de imediato, a família a entrar em negócios ruinosos com o seu pai, o Trica-Banqueiro (cuja relação familiar, o José escondeu da família honesta).

    Assim, nas propriedades, foram abertos caminhos desnecessários, construídos moinhos e celeiros desnecessários, e feitas plantações de produtos agrícolas que não eram próprios para aqueles terrenos, tudo a custos muito superiores ao que seria razoável. Todos estes investimentos foram feitos com empréstimos do Trica-Banqueiro a juros usurários.

    Nem é preciso dizer que, passado pouco tempo, a família honesta Zé-Povinho estava falida e a pagar empréstimos enormes, a juros a agiotas, a Trica-Banqueiro, por investimentos completamente inúteis.

    Irritada, a família honesta Zé-Povinho, decide dispensar os serviços do advogado José Sócrates de Esquerda e contratar os serviços de outro advogado, o Pedro Portas de Direita (que ninguém sabia ser irmão do José), para tentar ver se equilibrava as suas finanças e repunha a normalidade nas suas propriedades.

    Mas, como seria de esperar, em vez de pôr em tribunal o pai e o irmão (que ninguém sabia que o eram), o Pedro Portas de Direita foi a tribunal defender que a família honesta Zé-Povinho devia pagar todas as dívidas a juros criminosos ao seu pai – o Trica-Banqueiro (que todos desconheciam ser pai dele) -,assim como vender-lhe propriedades ao peço da uva mijona. O Juiz , curiosamente, deu-lhe razão.

    Desta forma, as trafulhices do José Sócrates de Esquerda somadas às aldrabices do irmão, Pedro Portas de Direita, permitiram ao pai, o Trica-Banqueiro, apropriar-se de quase toda a riqueza da família honesta Zé-Povinho.

    A certa altura, a família honesta Zé-Povinho, começou a passar fome, a não ter dinheiro para mandar os mais novos à escola e a não poder comprar os medicamentos de que necessitava.

    Felizmente, passados meses, o puto reguila da família honesta Zé-Povinho, descobriu, por portas e travessas, que o Trica-Banqueiro era pai do José Sócrates de Esquerda e do Pedro Portas de Direita. E que tudo não tinha passado de uma monumental fraude. O puto correu a contar toda a marosca à família.

    De posse dos factos, a família honesta Zé-Povinho partiu à procura da famíglia de vigaristas. Apanhando-os, relaxadamente, a pescar, agarraram nos trapaceiros, levaram-nos para um moinho e meteram-nos debaixo da mó.

    Quanto ao final desta estória, apenas se sabe que as paredes do moinho ficaram completamente salpicadas de sangue, a famiglia composta pelo pai, Trica-Banqueiro, e os filhos, José Sócrates de Esquerda e o Pedro Portas de Direita, nunca mais foram vistos. Quanto ao juiz, que deu razão aos vigaristas, meteu reforma antecipada…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *