Os papagaios de Putin (número extra)


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Carlos Branco de penetra.png

A série de postais dedicada aos “papagaios de Putin” (1, 2, 3, 4) é do Pedro Correia. Mas espero que ele não se incomode com esta adenda minha, cujo conteúdo é imensamente denotativo do actual “estado da arte”.

Trata-se apenas de ligar para um texto do Herdeiro de Aécio – que é um dos meus blogs preferidos desde há mais de década e meia (o outro é o Antologia do Esquecimento, já agora). Ora agora o seu autor, António Estrela Teixeira, tem a pertinente minúcia de se dedicar às comemorações do 25 de Abril e ao excêntrico estatuto assumido pelo “general Carlos Branco (assinalado na foto) [que] tornou-se mais recentemente conhecido (e contestado) por causa da parcialidade pró-russa dos seus comentários a respeito da invasão da Ucrânia.”

O texto dedicado a esse paladino do fascismo russo chama-se “O “Penetra” de Abril“. E bem justifica a sua leitura.

8 comentários em “Os papagaios de Putin (número extra)”

  1. A questão do Herdeiro Aécio é pertinente, mas mal pensada.
    O tal papagaio está naquele lugar por fazer parte da Direcção da A25A.

    1. Pelo contrário, está não só bem pensada como bem formulada – o que António Estrela Teixeira desvenda é um indito, simbolicamente significante: o que o cerimonial aponta é que no 25 de Abril a Assembleia se abre aos militares que fizeram o golpe, como tal legitimados para além das suas idiossincracias individuais. Mais, será necessário recordar que até reclamavam o direito a nele discursar (https://www.wort.lu/pt/portugal/opini-o-o-25-de-abril-da-polemica-534e3eb7e4b07e64fb8f9246), para além de usarem o recorrente argumento de “paternidade” do regime nisso reclamando algum tipo de “propriedade” (“não fizemos o 25 de Abril para isto”). Enfim, tudo isso vai sendo aceite – e é assim interessante perceber que o friso que acampa nas comemorações, simbolicamente ungido, compõe-se não pelos intervenientes do golpe mas sim de alguns desses e de uns outros, com estas características ideológicas, com os quais aqueles se vão “rejuvenescendo” mas tentando elidir socialmente esse processo de modo a manterem a influência social que tanto desejam.

    1. Percebe-se onde vai buscar o estatuto que o colocou nesta posição pública, de fascista do regime. E melhor se percebe o que é esta associação corporativa ali sentada, sempre com requebros de proprietária do regime.

  2. Certeiro o título do post de A. Teixeira: “o penetra de Abril”.
    Até parece que os nossos jornalistas andam a dormir, mas não, eles são é coniventes.

  3. Curiosamente, o Vasco Lourenço recusou-se a estar presente na assembleia da república no tempo do Passos Coelho mas não tem problema em celebrar o 25 de abril na companhia dessa personagem. Critérios.

  4. Não é só Putin o fornecedor de papagaios. Aviários desses há por cá muitos, há muitos anos, na comunicação social e fora dela.
    O 25 de Abril, os capitães e o povo.
    E foram os capitães de Abril que, apropriadamente, realmente deram o tiro de partida. Mas quem veio para a rua e ganhou o poder, naquele dia, no Terreiro do Paço e Largo do Carmo,…, foi o povo. Cada um com a sua motivação.
    -Os em 25 de Abril capitães tinham enquanto jóvens ingressado nas Academias Militares porque isso era uma boa forma de vida. E era. Anos depois Salazar ao manda-los para Angola, “e em força”, em força militar que não administrativa, extragou-lhes os projectos de vida.
    -Por outro lado o povo esse sim. Por todo o País, todas as famílias, há 10 anos sofriam com a guerra. Pais, irmãos, viúvas, namoradas, amigos….
    Hoje o poder não é dos capitães. Não é do povo. É de um grupo, os políticos, que dizem representar, democraticamente, um povo. Sabemos que não.

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