![2919672407_c098540d2a_b[1].jpg 2919672407_c098540d2a_b[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20874184_K7qNH.jpeg)
Amesterdão costumava ser uma das cidades mais libertinas do planeta. Mas os tempos estão difíceis, mesmo onde os costumes libérrimos integram a paisagem urbana. As autoridades municipais decretaram ali a proibição absoluta de fotografar as célebres prostitutas do Bairro Vermelho alegando que esta medida se destina a preservar a “intimidade das trabalhadoras sexuais” expostas em montras bem visíveis a quem passe naquelas ruas.
A partir de Abril, os forasteiros não ficam apenas impedidos de fotografar ou filmar: têm também a obrigação de virar costas aos mais de 400 escaparates, em “sinal de respeito”, durante as visitas com guias turísticos, que não poderão integrar mais de 20 pessoas de cada vez. Em caso de prevaricação, o guia arrisca multas entre 190 e 950 euros, vendo revogada a licença para exercer a profissão ao fim de três infracções.
Com tanta norma censória, é caso para perguntar se o bairro manterá a cor.

Não se trata de censura, trata-se de normas de bom comportamento (com as quais se pode concordar ou não). Não se pretende eliminar a liberdade de informação nem de expressão.
É como a proibição de estacionar o carro em cima do passeio. Também é uma norma de bom comportamento social (com a qual se pode não concordar). Mas não é censura.
É a nova censura moral: é “feio”, é sujo, é pecaminoso fotografar as prostitutas. Alegando-se, hipocritamente, que se pretende “respeitar a privacidade” de quem se exibe em montras na via pública.
Alarga-se assim o conceito de “privacidade” a quase tudo. O público “privatiza-se” – mesmo que continue público. Qualquer dia é proibido também fotografar um político, na via pública, a meter o dedo no nariz. Também é feio. E sujo. E talvez até pecaminoso.
E é! Não que seja imoral fazer-se comércio com o sexo/corpo. Mas expor mulheres como se fossem animais de circo parece-me feio, sujo e pecamino.
Sendo anónimo detesto ser apanhado em fotografias tiradas, na rua, por outros ( tenho um cão que chama muito as atenções ). Tenho direito à minha privacidade mesmo em locais públicos
https://goo.gl/images/xBTKdF
Também se põe na montra, com o cão, exigindo “privacidade”?
Não. Mas quando lhe querem tirar fotos aceito se,primeiro, me pedirem licença. Uma questão de respeitinho. Coisas antiquadas bem sei….
E não entendo como uma figura pública não tem o mesmo direito à privacidade que um qualquer anónimo….
As montras não deveriam servir para expôr pessoas.
Isso é outra conversa. Quando muito, deveriam servir para expor manequins.
Acresce que muitas dessas raparigas – direi mesmo: a maioria – não estão ali expostas voluntariamente. São forçadas.
Talvez não…talvez imaginemos que sejam forçadas pois não concebemos que alguém se sujeite, àquilo, de livre vontade….assim um pouco como os civis alemães no tempo da IIGG….não poderiam saber o que se passava, porque se soubessem agiriam…..pensamos nós!
Há redes de tráfico sexual. Há mulheres e crianças obrigadas a prostituírem-se, a exporem-se, a serem verdadeiramente objectificadas.
Mas há muitas mulheres que abraçam a profissão por escolha própria. Por gosto. Por lucro. Por motivos muito delas e em nada relacionados com abusos ou carências financeiras. E que controlam as suas carreiras – o que não significa que não corram riscos específicos da profissão e riscos inerentes ao facto de serem mulheres numa profissão encarada com hipocrisia.
A moralização permite aceitar que alguém escolha vender o seu corpo como actriz, como modelo fotográfico, como bailarina, como apresentadora – mas como trabalhadora do sexo, não! Só forçadas!
E confundem-se prostitutas com actrizes pornográficas ou modelos de calendário porque é tudo sexo e por isso anormal e forçado já que o normal é a moral – mesmo que o sexo se mantenha por milénios e a moral mude a cada geração.
Tal como na questão dos abusos e metoos, o assunto são vários.
E tivemos o puritano Vlad, mas claro muito progressista, e cheio de virtude
Até a linguagem se aproxima dos idos tempos “feio, sujo, pecamino”.
Que tal aceitares que outras pessoas pensam diferente de ti?
Que tal aceitares o corpo da mulher, coisa que marxistas querem escorraçar da vida publica como sinalização da virtude. E claro milhões de mulheres apanham pois a guerra como em todos os movimentos revolucionários é também dentro dos próprios.
“Ai que coisa mais linda mais cheia de graça….”
Esta musica de Tom Jobim vai ser proibida. E claro nunca poderia nascer hoje.
Se está sujeita a multa não é uma “simples questão de comportamento”: trata-se de uma sanção penal, logo de uma censura normativa. Se querem que as pessoas não olhem para as montras, acabem com elas. Senão, que raio estão ali a fazer? Uma montra não serve exactamente para exposição?
Se querem que as pessoas não olhem para as montras, acabem com elas.
Não. Há muitas coisas para onde se quer que as pessoas olhem, mas não que fotografem. Peças de teatro, por exemplo. Quadros num museu, outro exemplo.
O facto de uma coisa estar exposta não significa que seja permitido fotografá-la. É que a coisa está exposta para consumo local, no momento, não para constituir uma recordação.
No Louvre podemos tirar instantâneas
Eu até já fotografei (‘mea maxima culpa’) na Capela Sistina.
Deus lhe perdoe.
É, depende do museu. Em certos museus é permitido, noutros não. É claro, mesmo onde não é permitido, há (muitas) pessoas que fotografam. Sobretudo portugueses.
Sobretudo os Amarelos!
Os encarnados só fotografam com infravermelhos.
Leia bem o texto. O problema não é fotografar: as pessoas têm de virar costas. As montras foram criadas para se expor algo (neste caso, alguém), pelo que impedir que se olhe para elas é um contrassenso.
Eu fui ensinado pela minha mãe que, quando se vê uma pessoa com uma deficiência física qualquer, não se deve ficar a olhar fixamente para essa pessoa e essa deficiência.
Quando visitei o bairro das luzes vermelhas em Amesterdão, já há muitíssimos anos (também visitei a rua análoga em Bruxelas, junto à estação de Bruxelas-Norte), apliquei o mesmo princípio, olhando para as prostitutas mas sem as fixar nem ficar especado. Trata-se de uma simples questão de urbanidade, boa educação.
Infelizmente, a boa educação é uma coisa que, nestes tempos globais, precisa de ser imposta por lei, porque há muitos países onde não há mães que a ensinem.
Já dizia o doutor Salazar.
O doutor Salazar era mui douto. Nunca ninguém conheceu tão bem a alma do ser português.
Há por aí muito carneirinho sequioso de ser apascentado (gosto deste verbo) por um novo Salazar.
Na política, sim; no desporto parece que já arranjaram quem os apascente, resta saber se querem a manutenção do status quo (ou do quid pro quo?!) Enfim, cui bono sabemos.
Desculpe, mas não resisti – e isto precisa mesmo de um emoticon 😀
Apascentar. Apeteceu-me escrever de novo este verbo. Gosto cada vez mais dele.
Sim, caro Lavoura, não vão as pu…pupilas, coitadas, sentir-se acossadas pelos circunstantes especados!!
Não é uma questão de consentimento!
Aliás não é pelo simples facto de haver consentimento que deixa de haver crime, ou censura, a um determinado comportamento.
a)Da (in)eficácia do consentimento do lesado em direito penal – Dos limites ao consentimento e elementos integrantes da declaração
b)Dos limites ao exercício de direito e da ilegitimidade do exercício ou abuso do exercício de direitos subjectivos
c)Da responsabilidade do pasteleiro pelo esplendor da mostra pública que muito ofendeu famintos e outros circunstantes passageiros que não podiam desembolsar o preço das confecções.
d) Da possibilidade do comerciante impedir circunstantes deslumbrados de se especarem prolongadamente diante das montras do seu estabelecimento comercial.
e) Da tutela dos direitos de imagem de coisa exposta ao público em lugar público ou na via pública.
Bons temas para esmiuçar, caro Vlad!! É como as cerejas!!
Pela extensão da temática já deve estar recuperado dos dedos….
Quer dizer que se deve ver ( já foi a dois bairros/ ruas típicas, caramba!) , mas não se pode olhar? Qual é então o sentido de ir lá em visita?
É arranjar umas palas. Em caso de reincidência, só serão autorizadas visitas aos portadores de vendas. E, naturalmente, aos invisuais.
Mas as mulheres expostas nas vitrines do BV costumam ter deficiências físicas? Engraçado … não me pareceu, quando por lá passei, por razões de “obrigação turística” … vivendo e aprendendo.
Uma delas é ligeiramente estrábica, o que apoquentou o nosso bom LL.
Nãooo … como pode dizer isso …?
Sabemos que ele não as olha nos olhos.
Mas, para onde olhará, então? Eu me pergunto …
Vê-lhes a alma. Com os olhos da dita.
O “Matabicho” já se pronunciou sobre o assunto.
Depois disso… está tudo dito.
João de Brito
Os censores nunca tiveram falta de apoio. Há sempre gente pronta a aplaudi-los.
Pedro, o que lhe parece a pedofilia? No tempo dos gregos, romanos , dos bravos espartanos, a homossexualidade /pedofilia era consentida ( assim como o incesto). Mas depois tornou-se crime, não porque se quisessem proteger, de facto, as crianças ( a Infância ainda não tinha sido descoberta – séc XX) mas sim porque o Cristianismo queria censurar práticas pagãs /bárbaras. O mesmo sucedeu com a prostituição sagrada (templos de Ísis )…..isto da proibição, dos costumes, é complicado….
O que tem a pedofilia a ver com isto?
As donzelas em exposição nas montras são crianças ou adolescentes?
Sim….sim….bem sei…mas condenei a exposição da carne humana e agora já não tenha tanta certeza….. não existe uma razão cientifica (no sentido de inalterável no tempo e lugar) para uma prática ser considerada imoral, ou censurável….parece ser apenas uma questão de gosto!..É proibido /censurável porque sim.
Proíba-se espreitar a exposta montra da corrupção. É feio.
Tem a certeza? Olhe que não: a corrupção é “gira”, está na moda.
Meter o dedo no nariz é que não. Coisa feia.
Não me importava que desaparecesse. Sinceramente nunca percebi a atracção do sítio.
Nem eu.
A questão é essa mesma: é que para muitos turistas é um sítio a visitar porque é diferente, para elas é um local de trabalho.
As prostitutas são trabalhadoras do sexo e estão nas montras para venderem o seu produto – o corpo e, suponho, a arte e engenho que com ele desenvolvem; não estão nas montras para serem atracção turística.
As montras surgiram para proteger as prostitutas dos riscos de exibição nas ruas e dar segurança às trabalhadoras e aos clientes, não para tornar popular esta ou aquela rua ou bairro.
Compreendo o objectivo, mas não gosto da multa e abomino a proibição: a defesa de uns não se deveria particularizar na proibição de outros. Ou, pegando nas palavras do título, há mesmo que ter cuidado porque os censores andam aí e, da esquerda à direita, acreditam que os fins justificam os meios.
E agora, Pedro, deixo-lhe o desafio de escrever um texto sobre o mesmo assunto mas visando o fim e não o meio.
OK. Vou ali a Amesterdão e já volto.
Até acho bem. As senhoras são para comprar , não é para turista fotografar. Em alternativa podiam cobrar pelas fotos e visitas guiadas sem óbvia intenção de compra.
Exatamente. Concordo.
As mulheres estão ali expostas para serem “consumidas” no momento. Não para o turista as fotografar e depois ir para o seu quarto de hotel masturbar-se perante as fotografias. Isso só lhes estragaria o negócio.
Da mesma forma que, se você vai ver uma peça de teatro, é proibido filmá-la. Caso contrário haveria pessoas que iriam lá, filmariam, e depois mostrariam aos amigos em casa.
Oh, meu Deus!
Que alarvidade, caramba!
Dulce, desconfio que o caríssimo Lavoura cedeu ao auto erotismo após tamanho dislate.
Sério candidato a “cumentário da semana”.
Essa foi forte.
“Trata-se de uma simples questão de urbanidade, boa educação.
Infelizmente, a boa educação é uma coisa que, nestes tempos globais, precisa de ser imposta por lei, porque há muitos países onde não há mães que a ensinem”
LL Dixit.. enfim…
A solução para o problema do Luís Lavoura é obviamente fechar as mulheres em casa – atenção, sem poderem ir à janela.
Ou colocar-lhes um trapo que não revele nenhuma curva em cima.
Este Lavoura é… – verdadeiramente nem sei como classificá-lo.
Comparar uma prostituta, exposta numa montra, com uma peça de teatro, não cabe na cabeça de um qualquer.
As peças de teatro têm direitos de autor e, para fotografar algumas cenas, os fotógrafos interessados carecem de autorização, como facilmente se entende. O mesmo se passa nos museus, onde a proibição está, frequentemente, apenas relacionada com os prejuízos que os flash das máquinas provocam nas peças expostas. Isto também é fácil de entender.
E por falar em entender, parece-me que os dislates do Lavoura também merecem, pelo seu ineditismo, ser protegidos pelas leis que defendem os direitos de autor. De facto, onde encontraremos outra pessoa a escrever enormidades como as que ele, de vez em quando, escreve?
Portanto, para si os direitos de autor são mais importantes do que o direito de uma pessoa à sua privacidade, em particular, a que a sua imagem não ande por aí a passear nas redes sociais?
Curioso. Muito curioso.
Eu diria que os direitos mais importantes, primordiais, de uma pessoa são os ligados à sua própria identidade e à sua preservação dela. Os direitos de autor vêem muito, mas muito depois na minha escala de prioridades.
Então uma pessoa que se expõe numa montra tem direito à privacidade quando está na montra.
Nada como uma montra para desnudar a intimidade. Ou aí ou no Rossio à hora de ponta.
Fui de lua de mel a Amsterdam em 1980. Ir visitar o Bairro Vermelho, era não só atracção como também tradição. As Senhoras nas montras eram simpáticas e algumas faziam a sua pose de modo a poderem ler. Mais tarde soube que muitas faziam faculdade e tinham estatuto de estudantes trabalhadoras, e que consideravam aquele emprego como um trabalho bem remunerado, inclusive com mais regalias em termos de sistemas de saúde do que muitas outras profissões consideradas de desgaste.
Mas é normalíssimo o regresso da censura nesta época de jihad feminista.
Tantas vezes a conquista de igualdades é exacerbada ao ponto de fomentar imparidades, que já faltou mais para podermos ver a Senhoras nas montras vestidas com as burkas que os hastags lhes impõem e que coagidas aceitam para que não as ostracizem.
Alguns dos novos censores adoram burcas. E não é por terem qualquer interesse na indústria têxtil.
Dulce, afinal a mãe de LL não lhe ensinou tudo, o que foi uma pena …
De uma forma geral educações demasiado conservadoras dão asneira….veja a Isabel Moreira, por exemplo….
Bem observado.
Neste particular, muito mal conservada, Vlad e Fátima
Com tanto disparate sobre sexo, qualquer dia a queca é proibida. Ou passa a pagar imposto e tem de se declarar no IRS em quantas se participou durante o ano. E qual o prato!!
Em estados progressistas como a Califórnia, EUA o melhor é assinares contrato para teres alguma esperança de defesa.
http://dailycaller.com/2015/07/08/sexual-c onsent-contracts-are-now-a-real-thing-yo u-can-buy/
http://www.nationalreview.com/article/42 0870/students-told-take-photos-consent-c ontract-they-have-sex-katherine-timpf
O que seria dos queques se proibissem a queca?