Os conselheiros de Cavaco


Pedro Correia,

 

Cavaco Silva nomeou recentemente os membros do Conselho a que tem direito por prerrogativa constitucional. Manteve quatro que transitaram do seu primeiro mandato em Belém e decidiu substituir o quinto. Este é António Bagão Félix, que foi membro de um dos seus executivos e se tornou entretanto um dos políticos mais próximos de Paulo Portas. Embora não seja filiado no CDS, Bagão Félix preenche uma quota informal deste partido no Conselho de Estado, tanto mais que substitui o democrata-cristão Miguel Anacoreta Correia. Os outros conselheiros (re)designados por Cavaco são Leonor Beleza, Marcelo Rebelo de Sousa, João Lobo Antunes e Vítor Bento. Os dois primeiros da área social-democrata (Leonor Beleza foi ministra de Cavaco e Marcelo chegou a liderar o PSD), os outros dois em representação da chamada “sociedade civil”.

O critério de Cavaco é estreito. E confirma que o actual chefe do Estado perdeu atributos revelados noutros tempos, em que fazia pontes para sectores políticos muito para além do partido que comandou. Falta neste elenco designado por Belém alguém claramente conotado com a esquerda. Cavaco teria revelado rasgo político se pelo menos uma das personalidades que indicou para o Conselho de Estado fosse desta área política – e porque não até próxima do PCP, que não tem qualquer representante directo ou indirecto neste órgão em representação da Assembleia da República?

Não seria pedir de mais a alguém que procura não ser confundido com um líder de facção. Procura sem o conseguir. Por vezes dir-se-ia até que não faz qualquer esforço nesse sentido. É uma indicação clara do que devemos esperar dele neste segundo mandato. Ou do que não devemos esperar.

5 comentários em “Os conselheiros de Cavaco”

  1. O srº cavaco é um embuste, tentou construir uma imagem de estadista do tipo salazarista, mas há muito deixou cair a máscara. As patifarias que tem feito ao 1º ministro demonstram bem o seu carácter, assim como, o caso BPN. É surpreendente como ainda enganou algumas pessoas, ditas informadas, nas últimas eleições.

  2. Oh meu amigo!
    Não ser chefe de facção não é ser falho de ideologia ou de opinião.
    A esquerda é o Portugal do consenso, sempre resolvido em dizer o que não se faz, e em gastar o que não se tem!

  3. Percebo o que quer dizer mas também entendo que Cavaco (ou outro presidente qualquer) deseje ouvir pessoas cujas opiniões, à partida, respeite. De resto, antes de tomar decisões é forçado a ouvir os partidos e no próprio Conselho de Estado já existem, por inerência ou por nomeação da Assembleia, elementos que asseguram alguma divergência de opiniões.

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