«A apetência pelo emprego público é muito anterior e já no século XIX um grande escritor a registou. Antes ainda, no século XVIII, a nobreza portuguesa tinha 12 ou 15 Casas ditas “puristas” que casavam exclusivamente entre si e constituíam a nobreza mais exclusiva da Europa; em compensação tinha uma nobreza de serviços (como o nome indica, serviam o Estado ou seja, tinham empregos públicos) num número sem comparação com qualquer outro país europeu.
Esta situação era tão expressiva que mereceu de um conde (não recordo quem) o desabafo que o aumento do números de nobres era tal que em pouco tempo a única distinção possível era não ser nobre e para isso era necessário não servir o Rei (o Estado) em circunstância alguma..»
Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do Paulo Sousa.
……………………………………………………………………….
«O mais escandaloso, a meu ver, é que num mundo onde se pede desculpa (e/ou se é demitido) por mariquices como escrever a palavra “mariquices”, ninguém, em todo o colossal edifício do Estado Português, se lembrou de dar uma palavrinha à família de um cidadão que foi morto enquanto se entrava à guarda desse Estado.»
Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

Não me seleccionaria para o “Comentário da Semana” mas uma vez que o fui, senti-me obrigado a rever a fonte que é “O Crepúsculo dos Grandes – A Casa e o Património da Aristocracia em Portugal (1750-1832)” de Nuno Gonçalo Freitas Monteiro.
As Casas eram puritanas e não puristas, como disse por falha de memória e por ser esse o sentido (pureza de sangue). E o conde era o de S. Vicente.
Nunca selecciono anónimos para o comentário da semana.
Esqueci-me de me identificar.
As minhas desculpas
Ah, é você. Assim já faz sentido. Sem a assinatura não se percebia aquele comentário.
«A apetência pelo emprego público é muito anterior e já no século XIX um grande escritor a registou.»
“Francisco Almeida”, julgo que até seria interessante saber a sua definição de “emprego público”… só para os outros o percebermos, é que, no mínimo, quando se descobre que, tendo recorrido à História do século XVIII, para nos revelar que já então havia «uma nobreza de serviços (como o nome indica, serviam o Estado ou seja, tinham empregos públicos) num número sem comparação com qualquer outro país europeu», eu até fiquei baralhado: será que hoje, um advogado, não deixa de exercer um “emprego público”? E que tal um jornalista mesmo que até apenas se encontrou com o seu ego, limitando-se a um blogue onde ele passou a ser o seu ditadorzeco? Talvez, quiçá, qualquer um dos condutores de autocarros do “Barraqueiro” ou a Da. Joana da Taberna Típica de Sacavém? E já nem menciono os deputados da Esquerda – porque esses, sabemos que sim, que têm “emprego público”! – mas todos os outros da Direita! E os da Direita não-Direita: O Ventura? Bom, ainda estamos para ver! Já o Cotrim (o de Figueiredo! É que “cotrins” é como os chapéus do outro: há muitos!), esse sabemos que até nunca teve um “emprego público”!
———————–
«(…) ninguém, em todo o colossal edifício do Estado Português, se lembrou de dar uma palavrinha à família de um cidadão que foi morto enquanto se entrava à guarda desse Estado.»
JPT, é que ele não era um “cidadão” mas apenas mais um, como hoje os “marxistas culturais” gostam de chamar, “migrantes” (sim, sem o “i” ou o “e”! Uns transgénicos!) e depois, por isso, até é natural que alguns de nós, “tugas” assumidos e que se julgam dotados de uma qualquer especial “autoridade”, demonstrem uma natural dificuldade em diferenciar o necessário tratamento reservado a um piedoso cristão ucraniano, ao do obrigatório reservado aos “jihadistas” mafarricos marroquinos que até, como sabemos, têm vindo a invadir as nossas praias e, evidentemente, essa dificuldade resulta dessa “mariquice” escandalosa de que até V. se apercebeu: o de vivermos «num mundo onde se pede desculpa (e/ou se é demitido) por mariquices como escrever a palavra “mariquices”»! Graças ao altíssimo, aqui no DO, nós podemos dizer “mariquices”, e “mariquices”, e mais “mariquices” quantas as vezes que quisermos! E sem desculpas exigidas! E, até ter a ver, de qualquer modo, sem que os «“tugas” que se julgam dotados de uma especial “autoridade”» sejam contrariados: é que a inocência é a “marca registada” deste blogue!
PS. Eu que vivo com uma asiática, das minhas experiências nas fronteiras europeias, até devo dizer que os franceses são, de facto, mais obtusos do que os portugueses e que estes, julgo eu, apenas exercem uma forte concorrência aos britânicos – não me pronuncio sobre os germanos porque, em resultado das minhas muitas paranóias, até me tenho recusado a visitar, ao longo dos últimos 40 anos, esse estado bárbaro.
No geral, o que tenho a dizer é que mesmo apesar da minha companheira ter um visto de entrada no espaço de Shenghen, ela continuou a ser tratada como uma espécie de “migrante”: em Paris, fomos sujeitos ao tratamento de suspeitos traficantes de droga; em Londres, a de candidatos a imigrantes ilegais… e, em Portugal, quando nos roubaram os nossos documentos em Viseu, quase fomos apontados como membros de uma máfia de falsificadores de documentos internacionais. No SEF, a funcionária a quem pedíamos mais uns dias em Portugal, para tratarmos dos documentos necessários para regressarmos a Macau, insistia que queríamos era ficar em Portugal… e foi preciso eu levantar a voz para que ela percebesse a nossa situação.
A partir do oitavo assunto no comentário, deixei de os contar. Mas parte são disparates, outros são incompreensíveis e alguns são inanidades narcisistas.
Felizmente para si, as asiáticas são reconhecidas pela paciência, se não erro, uma das virtudes budistas.