«Será que revivemos o passado como ele deveras aconteceu, ou como pensamos que ele aconteceu? Ou deveria ter acontecido? O passado como que vestido pelas mãos do presente. O passado visto pelo passado nunca parece ser tempo irrepetível.
Com o passado poderia suceder o mesmo como quando escolhemos a nossa música favorita. Foi deveras a música, a letra, que nos cativou, ou o sentimento, uma emoção, que nos acompanhava quando a ouvíamos? Um sentimento apanhado na rua que em nada se relacionava com o que escutávamos? Ou uma emoção, bem singela, como quando comemos uma fatia de bolo?»
Do nosso leitor Porfírio Tinto. A propósito deste meu texto.
«Tenho algures dois livros de Virginia Woolf que nunca li não sei porquê. Mas gostei da sua recensão e vou procurá-los para ver se é desta. Creio que um deles é precisamente To The Lighthouse. Mas tenho dificuldade em ler livros hoje em dia — qualquer coisa que a “net” ou o “espírito do tempo” transformaram radicalmente, já não sinto a mesma tranquilidade ou apelo. A verdade é que com os computadores passamos o dia inteiro a ler isto e aquilo e sei lá mais quê. Se calhar é disso.»
Do nosso leitor V. A propósito deste texto do José António Abreu.

Esse Porfírio devia estar bem encharcado! Que trapalhada proustiana.
Também tenho bastantes interrogações em
relação ao passado.
O meu passado ocupa metade da minha ” memória “
A outra metade reservo-a ao presente e uma insignificância
Ao futuro .
E mais… não é o único a ter dificuldade em
encontrar o momento certo para continuar a
ler ( é o meu caso ) Virgínia Woolf.
Será medo?