Os cinco estágios da dor


Rui Rocha,

 

De acordo com Elisabeth Klüber-Ross, perante uma catástrofe iminente, passamos por cinco fases diferentes:

Negação – a situação não é levada a sério. A dimensão do sofrimento é tal que afastamos totalmente esse cenário;

Raiva – quando finalmente tomamos consciência da situação, cresce em nós um sentimento de injustiça (“eu não mereço isto!”) que provoca uma fúria que dispara em todas as direcções e sentidos;

Negociação – perante a evidência de que a raiva não é solução, o instinto de sobrevivência orienta-nos para uma estratégia em que oferecemos (tudo) o que estiver ao nosso alcance para obter mais algum tempo ou condescendência de quem supostamente tem o poder (o agressor, Deus, ou o destino, para quem acreditar nestes últimos);

Depressão – falhada a negociação, entramos num estado de prostração marcada que se caracteriza pela perda de energia e de interesse por actividades habitualmente percepcionadas como agradáveis;

Aceitação – compreendemos finalmente que não há nada a fazer, encarando com resignação o que nos está reservado.

Não é este o sítio adequado para discutir a validade científica do modelo. Parece-me, todavia, um enquadramento que pode, por exemplo, ajudar a:

a) perceber o que até aqui se passou no contexto da grave situação económica social e política que o país atravessa;

b) lançar alguma luz sobre o que aí vem.

Em qual dos cinco estágios se encontram o Governo, a opinião pública, os parceiros sociais, os empresários, o Primeiro-Ministro, eu próprio ou o leitor perante esse grave problema? No meu caso, vou pensar nisto.

 

* – Foto de Emery Way, aqui.

7 comentários em “Os cinco estágios da dor”

  1. “…lançar alguma luz sobre o que aí vem.”… Duvido muito. Dá-me ideia que já estamos no fim do último estágio.

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