– Como vai?
– Assim-assim.
– E a família?
– Mais ou menos.
– E lá no emprego?
– Uns dias melhor, outros dias pior.
– Deixe andar, que as coisas melhoram.
– Talvez sim, talvez não. E você e os seus?
– Cá vamos andando, como Deus manda.
– Vou pôr-me a caminho. Desejo-lhe muita saúde, que é o que é preciso…
– Até um dia destes. Gostei de conversar consigo.


Este País é assim, nada a fazer… Ou não?
(A propósito, parecem-me contrários à natureza do DO “posts” sem direito a comentários dos leitores. Veja lá isso, Pedro Correia!)
Cada autor do blogue é soberano nessa matéria.
E eu a pensar que aqui ninguém tinha medo das opiniões alheias, imagine…
Conversa portuguesa, com certeza (adenda)
(…)
– Cá vamos andando, como Deus manda.
– Vou pôr-me a caminho…. olhe vou para longe!
– Para longe?
– É verdade, vou emigrar que isto não tem cura… arrasaram com tudo, roubaram-nos tudo e ainda querem que lhes paguemos os luxos… não, comigo não, vou-me embora para que os filhotes e os netinhos não morram à fome.
Pois, João. Era assim na década de 60, volta a ser assim agora. Lamentavelmente.
Faltaram 20 linhas sobre as queixas das doenças e dos males que afligem a pessoa, mas vou acreditar que não havia tempo para mais 🙂
Pois não, Sara. Eles estavam com pressa. E essa matéria das doenças e achaques vários é mais frequente em senhoras do que em cavalheiros. Mas está muito bem observado, sem qualquer dúvida: a partir de certa idade, esse é o assunto número um. Ou mesmo único.
Eu ia dizer o mesmo que a Sara… falta ali as queixas das cruzes, do rómático, da carestia de vida, do patrão, etc. Sem uma desgraçazinha qualquer não há conversa possível entre portugueses.
Estes já conversaram muito, Pedro.
Uma amiga minha (linda!!) tinha um namorado, piloto na Força Aérea, que, literalmente, só grunhia.
– Olá, boa noite. Como está?
– Hum…
– Vai passar aqui o fim-de-semana?
– Ah….
Falta uma fantástica que eu costumava ouvir nos autocarros quando as pessoas voltavam para casa do trabalho:
Perguntava um:
“Vai-se chegando?”
E o outro respondia:
“Tem que ser…”
Caro Pedro Correia,
Fiz link deste (delicioso!) post.
Obrigado.
Abraço.
O meu patrão em Espanha irritava-se profundamente com a tipica resposta dos funcionários portugueses “mais ou menos”. Sempre se perguntou porque é que que nós nunca estamos bem.