Obviamente


Pedro Correia,

A RTP, instituição de serviço público, “não deve ser veículo dos ataques deferidos à instituição Justiça, sem dar lugar ao contraditório da parte dos magistrados e investigadores envolvidos neste processo, aliás, nas circunstâncias processuais, impedidos de o fazerem”, conclui Paquete de Oliveira, provedor do telespectador da RTP, a propósito do generosíssimo tempo de antena concedido pelo canal público a Carlos Cruz e a membros do seu clube de fãs. Obviamente, tem razão.

12 comentários em “Obviamente”

  1. Tem sim senhor.
    O probleme é que, em seguida vem a Justiça defender-se na televisão.
    E depois virão os “inocentes”.
    E depois a Justiça.
    Stop the World, I wanto to get off!!!

  2. Finalmente, já tardava essa reacção…Eu fui uma das pessoas que se insurgiu por escrito a esse péssimo serviço público – cheguei a desconfiar que mais uma vez o senhor não reagisse – enganei-me, felizmente.

  3. Há sempre uns iluminados muitos senhores do próprio nariz que tratam um penico de velha pensão como se fosse propriedade sua. Fazendo fora do dito quando a mijadela atinge a mais elementar decência não há quem lhes tire a asa e os obrigue a estar quietos com a mão?

  4. “Obviamente, tem razão”.

    Como assim, obviamente? Trata-se de um dogma, diktat ou fatwa?
    O senhor ex(?)-provedor anda por cá desde o tempo da outra senhora, que Deus haja, mas não me parece que tenha sido investido do dom da infalibilidade. Ou foi?

    1. A posição do provedor decorre do mais elementar bom senso. A RTP, enquanto televisão de serviço público, não pode nem deve substituir-se aos tribunais. Não pode nem deve tratar desigualmente as partes processuais. Não pode nem deve dividir arguidos – por mais mediático que seja um processo-crime – entre “televisionáveis” e “não-televisionáveis”. Não pode nem deve abusar do tempo e da paciência dos espectadores com doses maciças da mesma versão multiplicada por vários espaços informativos.
      Só isto. Que é muito.

      1. O que mais faltava era haver discussão da Justiça!
        Estão condenados, estão condenados! Ponto Final…
        É assim mesmo, nem que a confissão tivesse sido arrancada sob tortura, como no caso da mãe da Joana.
        A sociedade a discutir?… era o que mais faltava!
        O que defendemos é um Estado de Direito, ou melhor Extremo-Direito, se possível, onde a presunção de culpa não seja prejudicada pela inocência.
        Com agentes como o senhor Pedro Correia, vejo que o Estado de Extremo-Direito está assegurado, bem haja para o investimento externo na juventude nacional.

        1. Há quase uma década que este caso se debate na praça pública. Terminou o tempo da praça pública, a justiça foi aplicada: condenou Carlos Cruz e outros. Segue-se a fase de recursos. Cruz e outros dispõem dos melhores advogados para esse efeito: a comparação que faz com o caso Joana é totalmente disparatada.
          Os ecrã televisivos, lamento informá-lo, não são sede de recurso. Nem existem condenados de primeira nem condenados de segunda em democracia. Quem comete um crime, paga por ele. E quem decide quem cometeu os crimes são os tribunais, não os amigalhaços no “serviço público” de televisão.

          1. Foi muito bom que os arguidos tivessem sido queimados em praça pública… nós os investidores, já não víamos um espectáculo assim desde o tempo da Inquisição.
            Esperamos que isso tenha servido de exemplo aos outros famosos que julgam que podem ter vida própria.
            Esperamos que fique claro que bastam testemunhos contraditórios, que apontavam para uma bateria de figuras públicas, para que elas comecem a usar fraldas, em vez de apontar para fora do penico.
            Contamos com a sua opinião para tornar claro que a justiça é indiscutível. Deve continuar como uma elite sobre a qual o povo não se pode pronunciar.
            Aceitar sem discutir, é isso mesmo… queremos um povo obediente. Um povo que mesmo que lhe digam que 2+2 são 22 aceite sem perguntar porquê… afinal essa coisa da liberdade de expressão deve ser propagandeada, mas só quando não se levantarem ondas sobre o estado do regime e da justiça.
            Só assim, em segurança, valerá a pena investir!

          2. Há quem prefira “investir” no estrangeiro. Foi o caso do sr. Carlos Mota, ex-“assistente” de CC, que se pirou para o Brasil mal lhe cheirou a chamusco. Uma pena não podermos contar com o depoimento dele nesse “debate” sobre abusos sexuais que você propõe como alternativa aos acórdãos judiciais.

          3. Sobre o senhor que refere, e sobre o Bibi, a nossa investidura tratou que ficassem mudos ou em parte incerta, contando com a extrema diligência da nossa polícia, num caso, e no outro com um advogado que fala em nome dele. O primeiro advogado, menos confiável, pois temos pena… embrulhou-nos a coisa para o descrédito na terrinha de Elvas… seria melhor que o homem fosse da Buraca.
            Brasil, terra em progresso de investimento, é claro… nada de juventude desempregada.
            Permita que lhe diga que esse argumento, não deve fazer parte do processo judicial, apenas fará do processo difamatório, pois não parece ser hábito nacional pedir registo criminal a colaboradores (ainda que certamente o façam no Delito de Opinião).
            Assim, lamento verificar que não está a tratar tão bem a defesa do sistema judicial, pois parecerá que o seu objectivo é mostrar a culpabilidade para além dos factos judiciais. Tem sido por aí que as más línguas têm pegado, e o senhor parece confundir as coisas.
            Temos que procurar outro solícito defensor do regime.
            Passe bem, e bom trabalho!

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