
Se o PCP não fosse assumidamente materialista, já haveria por lá quem se supusesse vítima de bruxedo ou mau-olhado. Têm sido tempos difíceis para o mais antigo partido português: em poucos dias viu o secretário-geral forçado a sair de cena devido a inesperado problema cardíaco e um dos seus indigitados substitutos, João Ferreira, afastado da recém-iniciada campanha eleitoral por ter contraído covid-19. No momento em que Portugal regista o quarto posto entre os países infectados à escala europeia e o sexto lugar a nível mundial.
Em menos de uma semana, João Oliveira avançou como suplente de Jerónimo de Sousa apenas para os debates entre líderes partidários mas acaba de chegar-se à frente também como substituto de João Ferreira no comando da caravana comunista que percorre as estradas do país. Quando seria mais necessário que nunca apenas em Évora, distrito onde é o cabeça-de-lista da CDU sem garantia prévia de eleição. E ainda houve uma manhã em que foi Bernardino Soares – antecessor de Oliveira como líder parlamentar do PCP – a protagonizar uma acção de campanha, desenrolada em Loures. Quatro homens em foco. Num partido em que as mulheres desempenham papéis secundários.
Por tudo isto, João Ferreira desta vez só é notícia pela negativa. Mas estão-lhe reservados altos voos, ninguém duvida. No reduzido núcleo que toma as decisões de fundo na Rua Soeiro Pereira Gomes é ele o ungido para o posto principal, faltando apenas marcar lugar e data. Talvez na próxima Festa do Avante!, cenário apropriado para a transição suave num partido avesso a qualquer mudança.
Ao ser confrontado pelos jornalistas nos seus dois breves dias de intervenção na campanha, o vereador comunista na Câmara de Lisboa, biólogo de formação, foi parco nas palavras. «Preferia que estivesse Jerónimo de Sousa no meu lugar», declarou, especificando que o mais antigo deputado português, agora em recuperação da delicada operação cirúrgica a que foi submetido, é «apenas o rosto mais visível desse imenso colectivo» que ainda se proclama representante «da classe operária e de todos os trabalhadores».
João Manuel Peixoto Ferreira, 43 anos, não assumirá tarefa fácil como secretário-geral num futuro próximo. O PCP definha de escrutínio em escrutínio, tem um eleitorado muito envelhecido e enfrenta o espectro da pandemia que no próximo dia 30 poderá reter em casa milhares de militantes e simpatizantes, receosos de contraírem infecção por irem às urnas. O que traz um problema adicional ao partido, hoje com a menor representação parlamentar e autárquica de sempre.
O relacionamento com o PS, passados os anos de euforia da geringonça, é outra questão de fundo. António Costa não ilude as sérias divergências com os comunistas e provoca-os até garantindo que o seu programa eleitoral resume-se ao Orçamento do Estado que o PCP chumbou há três meses. Se na sede da Soeiro acreditassem em maus-olhados, Costa seria o suspeito principal.
Texto publicado no semanário Novo

colecionador de DERROTAS
a poia kosta M-L
Peças sem desgaste mas com fim de vida util de uma engrenagem a vapor.
O PCP definha de escrutínio em escrutínio
Sim. Mas definha muito, muito devagarinho. Ainda tem uma longa vida pela frente.
Sim, ainda tem 19 das 308 presidências de câmara. E 10 dos 230 deputados.
Mas já não resta muito mais para encolher.
Há 40 anos tinha 55 presidências de câmara e 41 deputados.
Basta comparar para se perceber como o PCP tem minguado.
Os seus próprios dados confirmam aquilo que eu digo. Observe que em 40 anos o PCP desceu o número de deputados para um quarto. O que significa que o PCP demora, em média, vinte anos a perder metade dos deputados. Ou seja, em termos de radioatividade, tem uma meia-vida de vinte anos. É muito. Por este andar, daqui a vinte anos o PCP ainda terá cinco deputados.
Compare com o Bloco, que em menos de três anos (de 2019 para 2022) fez cair para metade o seu número de deputados.
Isso era dantes, noutro século. Agora é tudo mais rápido.
O votante do PCP não fica em casa. Não será um vírus burguês liberal de direita que amedronta a força da classe operária.
Não façamos já o funeral ao PCP (lembra-me o PdC, outro que segundo previsões já estaria mais que enterrado, mas que teima em por cá andar… desportivamente falando, claro), mais depressa se finam Bloco e Livre.
Isso já não é assim. Desde que começou a geringonça, ainda menos.
Os votantes do PCP estão muito envelhecidos e fragilizados. O que aconteceu ao Jerónimo de Sousa tocou-os muito. E até ao relativamente jovem João Ferreira, também afastado da campanha por Covid.
Sentem medo. Até porque muitos vivem em zonas mal servidas por serviços sanitários.
“quem quer uma maioria absoluta talvez devesse começar por não desmerecer a única que o Partido Socialista teve na sua história”, diz Sócrates!
Sócrates veio dar uma “ajudinha” a ‘son ami’ Costa.
“Quando seria mais necessário que nunca apenas em Évora, distrito onde é o cabeça-de-lista da CDU sem garantia prévia de eleição.”
“sem garantia prévia de eleição”, o que significa que há outros que têm “garantia prévia de eleição” muito antes do primeiro voto cair nas urnas. Na verdade, serão cerca de 80% os candidatos que estão imediatamente eleitos após a dilvulgação das listas fechadas à odenação dos eleitores. De facto, o nosso sistema eleitoral possui um carácter fraudulento porque a maior parte dos candidatos têm “garantia prévia de eleição” antes das eleições terem ocorrido. Não restam dúvidas de que, com este sistema eleitoral, as eleições são um processo viciado e uma farsa.
Não é farsa nenhuma. É o modelo que vigora desde 1975. Nunca houve antes eleições genuinamente democráticas em Portugal.
Felizmente fazemos parte da metade dos países do mundo onde existem eleições livres. Metade dos países e mais de metade da população do planeta não têm esse privilégio.
É pena tão pouca gente, por cá, pensar nisto. Como se fosse a coisa mais normal do mundo. Infelizmente não é.
Brilhante! Umas eleições tão livres, mas tão livres, que os eleitores até podem eleger aqueles que têm “garantia prévia de eleição”. Que inteligência!
Na mesma linha de pensamento já Henry Ford dizia a propósito do modelo T: “E podem escolher a cor que quiserem, desde que seja preto”.
O Ferreira é tipo cassete de Ferro. Relembro que mesmo antes de se extinguirem as cassetes já havia cassetes de Dióxido de Cromo. A música era a mesma mas tinham um bocadinho mais de qualidade.
errata: crómio
“cromo” é em Brasileiro, como não poderia deixar de ser — estão sempre errados.
Também não sabe o que foi o Gulag, ou diz que foi um “erro” sem a emoção e acusação
que os Comunistas usam quando falam dos outros?