DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «Valha-me 2012, que graças a vários regressos promete ser um excelente ano cinematográfico. Ridley Scott regressa ao seu melhor género, a ficção científica, e ao universo de Alien com Prometheus, a prequela-que-não-é-uma-prequela da obra-prima de 1979. Cristopher Nolan regressa a Gotham City e ao universo de Batman – o único super-herói que passou bem da banda desenhada para o grande ecrã – com The Dark Knight Rises, o capítulo final da sua trilogia sobre o sombrio alter ego de Bruce Wayne. E, por fim, resta o muito aguardado regresso de Peter Jackson à Terra Média, com a adaptação de The Hobbit, onde poderemos ver como Bilbo Baggings, entre muitas outras aventuras, encontrou o Anel que colocou em marcha os acontecimentos de The Lord of the Rings.»

 

João Carvalho: «É pouco frequente encontrar mulheres a jantar fora no Dia dos Amigos, tal como os homens ficam mais por casa no Dia das Amigas. Nas ilhas mais pequenas, os amigos vão para as adegas e tascos já preparados para os receber e, na semana seguinte, é a vez das amigas escolherem este ou aquele restaurante para se divertir.»

 

José Navarro de Andrade: «Somos o único bicho incapaz de dormir ao relento. Somos também o único animal que lê na cama. Um livro bom de se ler deitado há-de ser suficientemente cativante para impedir que nos deixemos distrair por outras solicitações que possam surgir, como por exemplo, enfim, isso, mas também suficientemente magnânimo para nos permitir que deslizemos em paz para dentro do sono.»

 

Laura Ramos: «Maria Adelaide de Bragança é uma mulher extraordinária. É o triunfo do espírito. É a racionalidade que vence o azar de nascer numa família ostracizada e marcada pelo estigma, às mãos de um Portugal inculto, provinciano e tacanho. É a racionalidade tão sábia que procura o anonimato. É a racionalidade que faz do dever muito mais do que um destino ditado pela educação, que sempre lhe estaria reservado mas, porém, não necessariamente assim.»

 

Patrícia Reis: «Amanhã chegam os 111 anos da morte deste compositor maravilhoso [Verdi]. Por favor, deixem-se de merdas e de queixas, larguem tudo e oiçam ópera. Para contrariar a onda, para mandar tudo para o raio que os parta, para ouvirem com prazer, sei lá, para terem uma vidinha. Digo eu com presunção admitida e sem me sentir em pecado.»

 

Rui Rocha: «O isolamento alemão pode estar a abrir portas para uma alteração da abordagem europeia à crise. A união dos Estados excluídos momentaneamente da condução dos destinos da Europa em torno da necessidade de adoptar políticas que não se reconduzam à austeridade parece estar a ganhar consistência. A substituição de Berlusconi por Monti alterou o valor facial da Itália. A nova credibilidade adquirida torna-a fundamental na definição dos novos equilíbrios. Poderá ser esse o empurrão necessário para alterar o equilíbrio de poder na União Europeia.»

 

Teresa Ribeiro: «Podia ser um filme de terror. Algures, numa cidade obscura do planeta, de dois em dois dias resgatavam-se, de banais prédios de habitação, cadáveres de velhos. Essa cadência imprimiria o ritmo adequado à narrativa, realçando-lhe a sordidez. De dois em dois dias, bum, bum, como um coração que se parte, retiravam-se de apartamentos silenciosos destroços de gente. Podia ser um filme, mas não é. Podia ao menos acontecer num ponto obscuro do planeta, bem longe da nossa vidinha, mas não. Passa-se em Lisboa.»

 

Eu: «Há que resistir à tentação de disparar sobre o mensageiro quando surgem as más notícias.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Somos o único bicho incapaz de dormir ao relento.

    Que disparate.

    Eu quando era jovem fiz uma vez uma excursão de uma semana pelo Alentejo e Algarve em que dormi ao relento todas as noites. Nem tenda levava. E às vezes dormi em sítios perfeitamente descobertos (lembro-me de uma noite dormida no fundo seco da albufeira do Arade).

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