O sexo e a EMEL


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Descubro este “Inquérito aos Hábitos de Mobilidade em Lisboa”. Presumo que tenha algo a ver com isto das bicicletas, e é feito pela EMEL, aquela empresa predatória dos rendimentos dos cidadãos. Leio esta pergunta sobre se “o sexo [dos hipotéticos ciclistas lisboetas] atribuído à nascença coincide ou não com a identidade de género” e, para além de outras questões menores, surge-me uma memória recente.

 

Na quinta onde estava, há algumas semanas acolhi uma jovem gatinha, algo desamparada, miando naqueles hectares pejados de simpáticos mastins. Acolhi-a, resguardei-a. E dada a sua atitude lânguida e mimosa, nomeei-a – inscrevendo-a sob os meus ancestrais – com a graça de Flávia. No que foi um evidente reflexo de “machismo estrutural”, como fui recentemente denunciado por uma bloguista sportinguista. E logo a anunciei aos vizinhos – e, depois, nas “redes sociais”, o que foi modo de lhe arranjar lar apropriado (aqui narrei o caso). Lá na quinta a primeira pergunta que os vizinhos me fizeram foi “é gato ou gata?“. Ao que eu respondi “sei lá!“. Então o dono da quinta, meu amigo, que é professor (e nisso excelente) foi até ela, pegou-lhe, virou-a e disse “é gata“. E explicou-me que há diferenças entre gatos e gatas, e quais são elas e como se detectam. E eu aprendi. As tais diferenças de sexo.

 

Agora o meu problema é ideológico. Pois há uma empresa municipal (o Estado) que nos pergunta “se o sexo que foi atribuído à nascença corresponde…”. Ora, que pergunta é esta? O sexo foi “atribuído” por quem? Que entidade atribui sexo? Entenda-se bem, Portugal é um Estado laico. Não é um Estado secular, nem confessional, é laico. E como tal não é legítimo que uma empresa pública (sob Medina ou qualquer outro) ande, de modo vicioso, a aludir a entidades metafísicas. A liberdade de culto é um bem fundamental, um direito inalienável. Mas o proselitismo metafísico, uni ou multilateral, está vedado aos órgãos estatais.

 

Ou seja, isto tem que ser já retirado. E algum responsável, seja lá de que género for, tem que ser demitido.

23 comentários em “O sexo e a EMEL”

  1. Está visto que o inquérito foi feito por uma equipa de rabetas da Câmara, secundados ferozmente pelas fufas da Biblioteca Municipal. São os donos da cidade.

  2. A EMEL esqueceu-se (ou talvez não) de uma resposta possível: “Não quero responder”.
    Para que interessa o sexo naquela situação?
    Será para concluir que a maior parte dos respondentes são transgénero? PQP.

  3. a empresa predatória dos rendimentos dos cidadãos

    Não. É uma empresa que fornece um serviço (espaço para estacionamento) e que, naturalmente, cobra uma taxa por esse serviço. Quem não desejar o serviço, não precisa de pagar.

  4. O título do post deveria ser “O género e a EMEL”. Esta mania de pôr “sexo” como chamariz em todo o lado…

  5. Em breve se iniciará o censo. Vamos ver se o INE também terá o cuidado de diferenciar entre sexo e género, cis e trans. Sem omitir @s não-binári@s.

  6. Antes retirarem o inquérito gostava de saber o que quer dizer o ” outro ” na pergunta.
    Cisgénero percebi, transgénero também percebi, o outro não percebi.
    Uma pessoa nasce com um sexo, pode mudar de sexo, o que é que pode ser mais?
    Nascer com os dois sexos? Nascer sem nenhum?

    1. “Nascer com os dois sexos? Nascer sem nenhum?” Pois, até pode ser nado-morto.
      Não pode é ser anormal porque as palavras que se foram inventando impedem impedem isso.

    2. Pode-se ser não-binário. Que é uma pessoa que, seja o que fôr que tenha entre as pernas, recusa identificar-se com qualquer género.

  7. O circulo com “outro” deve ser para híbridos. Quiçá para tartarugas, pois andam em terra e no mar. Creio que é a teoria de Darwin aplicada à qualidade de serviço a prestar ao cidadão.
    A palavra trans veio para responder às questões metafísicas existências. Se eles colocam esse questionário, certamente que deve ser algo relacionado com o selim. Pode ser uma qualquer adaptação ergonómica.

  8. Este censo é importante para legislar a obrigatoriedade da utilização do selim no uso da bicicleta em via pública.

  9. Para queimar “étapes” : por estas, e muitas outras, é que que a Frau foi enxovalhada , sem quaisquer consequências, ali para os lados do Bósforo…
    É que isto anda tudo ligado, como dizia o outro…
    Será esclarecedor verificar quais os países em que estes “modismos” anti-naturais ainda têm patente de corso… e , olhando para um planisfério, ver de que lado , num futuro já presente, vai soprar o vento..
    JSP

  10. A EMEL fica a saber quantos (e quem são) os ciscirculantes e transcirculantes que circulam em Lisboa. E os outros, claro. Indispensável para regular o circular por aquelas bandas?. Realmente o que faltava para se poder bem circular.
    Forçosamente coisa de cisautoras(os) e transautores(as) que não sabem, (ainda não escolheram?) o que são, sexualmente e tudo mais, diga-se. Tadinhos.

  11. Já esteve mais longe — o dia em que as pessoas brancas normais que não são de esquerda vão ter de se refugiar na Rússia.

    Portanto tratem bem o Putin porque mais cedo do que se julga vamos precisar dele.

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