O salto de Pichardo para a liberdade


Pedro Correia,

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Pedro Pichardo tornou-se ontem no quinto português a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Mas este é um português especial, nascido em 1993 em Santiago de Cuba e naturalizado em Dezembro de 2017. Porque, como tem acontecido com tantos desportistas do seu país de origem, decidiu dar um salto sem retorno para a liberdade. Fugindo do opressor regime cubano, que transformou a ilha num gigantesco cárcere.

 

O principal noticiário da RTP chamou-lhe ontem “desertor”, adoptando a linguagem militar da ditadura em Havana, onde o Partido Comunista exerce o poder total desde 1959 – sem imprensa livre, sem sindicatos livres, sem eleições livres – o que já conduziu ao exílio mais de dois milhões de cubanos desde a instauração do actual regime.

Pichardo é apenas mais um entre tantos. O seu exemplo foi seguido no mês passado por Jordan Díaz: este jovem de 20 anos, um dos mais promissores talentos do atletismo cubano, abandonou o estágio em Espanha, pedindo asilo político. Foi um rude golpe para a ditadura, que transforma cada proeza desportiva em peça de propaganda. Jordan tem a melhor marca mundial no triplo salto para menores de 18 anos.

Aconteceu o mesmo com o basquetebolista Raudelis Guerra, que em Junho aproveitou uma escala da selecção cubana da modalidade no aeroporto de Barajas, em Madrid, para solicitar também asilo às autoridades espanholas. 

No mesmo mês, três elementos da selecção cubana de basebol que fazia uma digressão nos EUA decidiram permanecer lá, recusando regressar a Havana: César Prieto, Lázaro Blanco e Andy Rodríguez.

 

Trocam honrarias e medalhas pelo maior dos bens: a liberdade. Num país oprimido há 62 anos pelos tentáculos do partido único, cada vez mais militarizado e entrincheirado num obsoleto e demencial slogan político: o hiper-nacionalista “Pátria ou morte”. Como se este disjuntivo fosse a coisa mais normal do mundo.

A juventude rebelde em Cuba responde com uma canção que se tornou num hino da novíssima geração: “Pátria e vida”. Algo que faz muito mais sentido. Sobretudo num país com «hospitais em colapso, centros de acolhimento em péssimas condições, recordes diários de casos activos de covid-19, escassez de medicamentos», como relata um despacho da agência EFE, desmentindo a propaganda oficial que exalta as conquistas do regime em matéria sanitária. 

«Com 1.441 casos por cada cem mil habitantes, Cuba é actualmente o país com maior incidência de covid-19 no continente americano e um dos primeiros do mundo», lê-se nesta peça da prestigiada agência noticiosa espanhola. «Nas localidades mais afectadas do país surgem imagens de hospitais superlotados pelo elevado número de doentes, uma situação agravada pela escassez de medicamentos e produtos básicos.» Num país onde há nove meses o salário mínimo mensal era equivalente a 13 euros e um médico recebe, em média, 30 euros por mês.

Reflexos óbvios de uma economia descapitalizada e de um modelo estatal centralizado totalmente ineficaz. Que asfixia a sociedade e condena ao desterro muitos dos seus melhores filhos. Outros estão na prisão. «As autoridades continuam a reprimir todas as formas de dissidência, incluindo a detenção de artistas independentes, jornalistas e opositores políticos», sublinha o mais recente relatório da Amnistia Internacional.

Por tudo isto se entende o gigantesco salto de Pichardo para a liberdade. Um salto de campeão, que merece a maior de todas as medalhas: a de um homem que não se verga perante a tirania. Orgulho-me de que seja nosso compatriota, com ouro ou sem ele.

 

ADENDA: Inqualificável, o ex-eurodeputado comunista Miguel Viegas, ao afirmar que a medalha de ouro a Pichardo «não é 100% portuguesa». Mesmo gerada pelo mais rasteiro sectarismo político, não deixa de ser uma expressão xenófoba e contaminada de racismo. O Chega certamente aplaude.

60 comentários em “O salto de Pichardo para a liberdade”

  1. Este fugiu de avião, não teve de se meter na balsa. E teve o direito a escolher destino e tudo. Curiosamente nao se lhe vê muito activismo.
    O Nelson nao aprecia muito o rapaz, na entrevista o repórter fez questão de puxar pelo assunto, nao fossemos o país das tricas. Por outro lado nem uma questão sobre a ex pátria.
    Esta medalha de ouro tem um mérito, encavaca tanto Chega como PCP. Bem se diz que as Olimpíadas são fonte de união.
    Desportivamente, é um sentimento dúbio para aqueles que durante anos criticaram a compra de atletas por parte de turcos e árabes.

  2. Já o camarada Bessone… pode ser contra naturalizações, mas meter no mesmo saco o pichardo e o fonseca… quer dizer, isso da raça pura Já há muito se foi.
    Curioso que ninguém coloca em causa a “nacionalidade” de uma brasileira mulata de feições asiáticas ou de alta e de cabelo louro com tez escura, mas o português (ou outro europeu) que fuja ao padrão já não acontece. Há algum complexo colonizador/colonizado, em que se assume a mescla de etnias dos segundos como algo natural, ao contrário dos primeiros.

    1. Sou intransigente contra posições de índole xenófoba em qualquer tema, incluindo este. Como se houvesse uns portugueses bacteriologicamente puros e outros, supostamente impuros.
      Totalmente inaceitável.

      1. Você meteu-se agora nesta do Pichardo, o atleta do Benfica, que é criticado por o colega do triplo que acha muito estranha a sua naturalização tão rápida.
        O Pichardo quer é ter condições de treino para melhor se realizar como atleta que não tinha em Cuba por o seu treinador, o pai, ter abandonado o país. Foi o que ele afirmou na entrevista.
        Depois você mete-se em tergiversações convencido que quem lê o Delírio de Opinião não sabe sobre a covid no Brasil p.ex. e sobre os indicadores do Banco Mundial que coloca Cuba na 76ª, posição, mesmo com bloqueio, à frente República Dominicana, Peru, Colômbia, Equador, Paraguai, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Haiti, Venezuela.
        O Pichardo é o detentor da melhor marca do ano. Começou, ele e muitos outros, a treinar em jovem no desporto escolar em Cuba (parece que por lá é uma prática politica!!) e quando saem para meetings são logo assediados para abandonar o país.
        Cuba neste momento tem 5 medalhas de ouro, 3 de prata e de bronze nos Jogos Olímpicos, um país com 11,350 milhões de habitantes com bloqueios de toda a ordem.

        1. As “medalhas” de Cuba são atribuídas todos os anos por organizações como a Amnistia Internacional, o Observatório dos Direitos Humanos e os Repórteres Sem Fronteiras. Sempre em lugar de destaque, nunca falha.
          Tal como nunca falham os defensores da ditadura. Aplaudem a censura cubana, a pide cubana, os cárceres cubanos.
          Irmãos gémeos daqueles que antes do 25 de Abril defendiam a ditadura salazarista.

          Grande Pichardo, que virou costas à ditadura em busca não de medalhas mas de liberdade. Como tantos outros cubanos antes dele, cono outros que lhe seguirão o exemplo a um ritmo cada vez maior.
          “Pátria e vida”, como cantam milhares de jovens cubanos. Invertendo o sinistro lema da ditadura.

        2. “O Pichardo quer é ter condições de treino para melhor se realizar como atleta que não tinha em Cuba por o seu treinador, o pai, ter abandonado o país. Foi o que ele afirmou na entrevista.”

          Esqueceu-e de dizer que Pichardo disse que o regime pela sua natureza Comunista controla tudo. Logo ele não poderia sequer treinar em Cuba.
          Mas como voce é a favor da ditadura e contra a liberdade, censura as frases que demonstram poder totalitário que a sua ideologia defende sobre a pessoas.

          “Eu queria continuar a fazer desporto, mas em Cuba não me deixavam trabalhar com o meu pai. Em Cuba há um mecanismo que não é fácil perceber para quem está de fora. É um país comunista que tem um regime. Mau ou bom é o regime deles, é assim que eles pensam. Se não gostas, não há nada a fazer, vai-te embora. Cuba é um país onde tudo é gerido e dominado pelo Estado. Todas as instituições saem do Estado e são dirigidas pelo Estado. Lá não existem clubes como aqui. Disseram ao meu pai que ele não pertencia ao sistema, quando ele estudou e se graduou como professor no INDER (Instituto Nacional de Desporto). Despediram-no para que não pudesse treinar-me. Como não tinham mais nenhuma solução, fizeram isso. Tinha eu 19, 20 anos.”

          1. ‘mas você é favor da ditadura e contra a liberdade’
            ‘lá não existem clubes como aqui’
            ‘se não gostas, nada a fazer, vai embora’
            lucklucky, frases de quem pensa ter capacidades sobrenaturais de adivinho, de não saber explicar como é que os cubanos têm vários campeonatos de basebol p.ex. e como se lembrou de sugestões passoscoelhanas.
            Sim senhor, agora temos o Pichardo connosco e ele o que quer é ser um atleta de alta competição e recordista mundial. Podia se lembrar de outra cubana do judo, mas não, o Pichardo é o que está a dar. E vamos ver se o pisca-pisca da rtp não lhe vai perguntar: o que vai fazer com 50mil euros de prémio?, ah! e logo a seguir aparecer aquela populucharada ‘tanta gente com fome e 50mil para este salta pocinhas’

          2. Adivinhar? Voce deixa tudo claro.
            Elogia o Salazarismo pelos títulos europeus de futebol de clubes e o 3º lugar no Mundial de 66….

        1. Cá vota com as mãos nos candidatos à escolha dentro do nosso regime constitucional, com as mãos se forem dos nossos…
          Lá também escolhem os candidatos dentro do seu regime constitucional.
          Nos Emirados escolhem como? Pois por lá é tudo rico e querem lá saber de votações.
          Na China o regime que eles foram arranjar para terem todo aquele desenvolvimento.
          Nos USA arranjaram um regime que pode ser presidente quem teve menor número de votos.

          1. Lá nem sequer podíamos estar a travar este “diálogo”. A ditadura cubana cortou o acesso à internet e bloqueou as redes sociais para prevenir novos protestos em massa como os do mês passado em mais de 40 cidades do país que amedrontaram seriamente o regime e desencadearam nova onda de repressão.

            Vocês, os que aplaudem esta ditadura de partido único que há 62 anos oprime os cubanos, são saudosistas do 24 de Abril.

          2. 40 cidades? Não serão cidades a mais.
            Isso de cortar internet e cia. até acontece bem lá ao lado.

          3. Foram protestos em toda a ilha: 11 de Julho uma data já na história da reconquista da liberdade em Cuba.
            https://www.rfi.fr/br/am%C3%A9ricas/20210713-h%C3%A1-um-estado-de-terror-insuport%C3%A1vel-em-cuba-os-relatos-dos-protestos-em-havana

            Até artistas e escritores que nunca se notabilizaram por contestar o regime cubano se demarcam agora da repressão e exigem aberturas políticas no monolitismo comunista implantado há 62 anos em Havana.
            Como Pablo Milanés, Silvio Rodríguez e Leonardo Padura.
            https://www.dw.com/es/pablo-milan%C3%A9s-apoya-la-protesta-y-critica-la-represi%C3%B3n-en-cuba/a-58637186
            https://www.dw.com/es/silvio-rodr%C3%ADguez-pide-libertad-para-detenidos-en-las-protestas-del-11-de-julio/a-58586241
            https://www.reforma.com/aplicacioneslibre/preacceso/articulo/default.aspx?__rval=1&urlredirect=https://www.reforma.com/pide-padura-escuchar-grito-de-desesperacion-de-cubanos/ar2222013?referer=–7d616165662f3a3a6262623b727a7a7279703b65613a–

            É um caminho sem retorno.
            A vocês, que defendem os regimes comunistas, qualquer dia só resta mesmo a Coreia do Norte como modelo vivo.

  3. Não é surpreendente, boa parte do jornalistas portugueses queriam uma variação do regime Cubano por cá..
    Por isso é que Fídel foi sempre o “Líder Cubano” nunca o “Ditador Cubano” no jornalismo português. O objectivo foi sempre legitimar a Ditadura Comunista.

    Por isso Pichardo não é “refugiado”. É “desertor” , o mesmo que lhe chamam os Comunistas.
    Será interessante ver se e como o PCP congratula Pichardo.

  4. o opressor regime cubano, que transformou a ilha num gigantesco cárcere

    Que eu saiba, isto não é verdade. Os cubanos não estão presos na ilha. Podem sair à sua vontade para o estrangeiro. Desde que tenham dinheiro para pagar a viagem, claro. Mas, o regime não os proíbe de sair.

    Eu tenho um colega cubano, que saiu livremente da ilha para vir trabalhar para Portugal e que desde então cá está. Quando quer volta a Cuba e depois regressa. Ninguém o impede nem de ir a Cuba nem de dela sair.

    1. O seu colega se calhar é membro da bufa cubana, vários dos quais agem no estrangeiro sob ordens do partido. Isso é paleio de bufo. Se foram na mesma proporção dos que bufavam para a Stasi no tempo da ditadura comunista leste-alemã haverá pelo menos milhão e meio de bufos cubanos.

  5. o opressor regime cubano, que transformou a ilha num gigantesco cárcere

    É curioso que o Pedro Correia se preocupe com o alegado gigantesco cárcere em que o regime cubano terá transformado a ilha – o que é falso, dado que qualquer cubano pode tomar um barco e rumar nele em direção à Florida, sem que as autoridades cubanas o impeçam de o fazer – e não se preocupe, por exemplo, com o gigantesco cárcere em que a União Europeia de facto transformou (com a cumplicidade das autoridades desses países) a Turquia, a Líbia, Marrocos e outros países. Países nos quais, se uma pessoa tomar um barco e pretender nele rumar à Europa, é aprisionada pelas autoridades desses países, dos quais se encontra efetivamente prisioneira.

    1. Não vejo fluxos migratórios para Cuba. Vejo contínuos fluxos migratórios para a União Europeia.
      Isso deve significar, pela sua lógica, que Cuba é um oásis de liberdade e a UE é um “gigantesco cárcere”.

      Aguardo, em consequência, que nos comunique em que data tenciona embarcar para Havana com bilhete só de ida.
      Já vai tardando.

      1. Pedro Correia
        Essa até parece dos putos no recreio da escola..
        Bom, e essa pq não vai para Cuba? merece uma resposta de não gostar de passar férias no estrangeiro.
        O Pichardo é o que está a dar, mas não deve ser por muito tempo, deve estar mesmo à espera para se atirar ao Benfica como é que conseguiu “trafulhar” rapidamente a naturalização, pelo menos é o que o diz o N. Évora.

          1. Lamentável, a declaração do Nelson Évora. Qualquer xenófobo do mais bacoco teria dito algo semelhante. Nem parece de alguém conotado com o Bloco de Esquerda.

    2. Já só falta o balio dizer que uma mulher(ou homem) recusar sexo é equivalente a violação…
      Ou que um trabalhador ser impedido de ter liberdade, logo um escravo é equivalente a recusar emprego a um trabalhador.
      Ou que uma mulher(ou homem) ser impedida de divorciar-se é equivalente ser recusado um pedido de casamento.

  6. “Pedro Pichardo tornou-se ontem no quinto português a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Mas este é um português especial, nascido em 1993 em Santiago de Cuba e naturalizado em Dezembro de 2017.”

    Portanto o seu homónimo Pedro Pichardo é um oportunista. Um mercenário do desporto que apenas procurou quem lhe desse condições para o praticar, neste caso o Estado Português à revelia dos contribuintes que com os seus impostos contribuiram para a medalha. Tem tanto de português como podia ter de Espanhol, Francês, Italiano, etc. – um passaporte.

    “… onde o Partido Comunista exerce o poder total desde 1959 – sem imprensa livre, sem sindicatos livres, sem eleições livres -” ao contrário do que acontece na China com o Partido Comunista Chinês, está-se mesmo a ver, situação que todos os Pedros, Paulos e muitos apóstolos calam com medo que lhes cortem a energia eléctrica.

    “Trocam honrarias e medalhas pelo maior dos bens: a liberdade.”

    Não, não trocam como a medalha do Pichardo mostra. Agora que preferem a liberdade, acredito. Só não percebo porque não vão para a China onde a liberdade é total.

    “«Com 1.441 casos por cada cem mil habitantes, Cuba é actualmente o país com maior incidência de covid-19 no continente americano e um dos primeiros do mundo», lê-se nesta peça da prestigiada agência noticiosa espanhola.”

    Cuba figura no 97º lugar no número total de casos por milhão de habitantes, a prestigiada agência não o informou ou é apenas um caso de miopia?
    E é o 115º país no número total de mortos por milhão de habitantes, para sua informação e porque a prestigiada agência o omitiu.

    O enviesamento, o facciosismo, a miopia e a prestigiada selectividade é tão evidente que nem vale a pena continuar.

      1. Quando começa por escrever “… nos Jogos Olímpicos. Mas este é um português especial, …” pensei imediatamente que ia sair asneira. E não me enganei.
        Na minha modesta opinião eventualmente delituosa, a sua resposta ao meu comentário confirma que não me enganei.

        Facto: o seu homónimo tem tanto de português como podia ter de Espanhol, Francês, Italiano, etc. – tem um passaporte, tem uma cidadania. O que é que não percebeu para confundir este facto com racismo e xenofobia? Por acaso sabe o que significam racismo e xenofobia? Ele está cá há quatro anos e por isso “é um português especial”? Há uns portugueses que são especiais de corrida?

        A sua resposta ao meu comentário, na minha modesta opinião eventualmente delituosa, é asneira prestigiada em cima de prestigiada asneira. Uma asneirada que, entre outras patologias cognitivas, cérebros eventualmente contaminados com priões costumam produzir (veja a relação entre o espigão do vírus e priões de que se fala algures e que as prestigiadas agências omitem).

        Valha-o Deus. Muito sinceramente, valha-o Deus e eu até sou agnóstico.

        1. Mais que agnóstico: é anónimo. Com um “nome de guerra” fajuto.
          Mas faz bem em ocultar o verdadeiro nome. Lá muito no fundo deve sentir vergonha de si próprio por ser racista e xenófobo. “Patologia cognitiva” é isto.

    1. Quem lhe paga é o slb. Que está acima do Estado.
      Sim, procurou melhores condições, foi Portugal como poderia ter sido Espanha ou Alemanha. Fez uma opção, não é refugiado, nem deve ter medo que lhe dêem tratamento a la lukashenko. Mas é um dissidente, por não concordar com o regime. Se lá ficasse nao teria voto na matéria.

      1. Não é “dissidente” e muiro menos “desertor”, como ontem dizia estupidamente a RTP.
        É hoje um cidadão livre, acolhido livremente em Portugal. Um compatriota nosso, com os mesmos direitos e deveres.
        Encontrou aqui o que jamais conheceu em Cuba: o doce sabor da liberdade.

        1. Os e as atletas da RDA e Roménia também ganhavam medalhas. Aposto que as trocavam por uma sessão de salto com vara em Berlim.
          Desportivamente, estas naturalizacoes sao duvidosas (ele podia ter competido pela equipa de Refugiados, como o Keletela), e os portugueses nisso são bem hipócritas (nao estão sós, os gringos nao acham que o Duplantis seja sueco, mas ainda hoje ganharam uma medalha importada do Quénia), apreciam umas e criticam outras.
          Politicamente, o Pichardo é livre de não querer viver sob democracia popular.

          1. O Eusébio também ganhou medalhas, taças, campeonatos e até troféus europeus no tempo do Salazar.
            Os nossos amigos comunistas que aqui vêm defender Cuba com base nesse argumento acabam por legitimar o salazarismo, pela mesma lógica.

  7. Ok, pode ter razão. Mas para mim a prata de Patrícia Mamona e o bronze de Fernando Pimenta na canoagem e de Jorge Fonseca no judo, me souberam melhor. Talvez não devesse pensar assim, pode ser preconceito, que o esforço do ouro suponho que tenha sido ainda maior e o garoto mais todos os que o apoiaram, merecem. Esteve muito bem.

    1. Para mim não há portugueses de primeira e de segunda: são todos de primeira.

      Nem relativizo ditaduras: são todas más.

      Mais: sinto orgulho ao ver Portugal acolher quem foge de ditaduras.
      Os portugueses, que tiveram uma ditadura quase tão longa como a cubana, deviam ser ainda mais sensíveis a estas questões.

      Lamentavelmente, no entanto, alguns entoam hossanas a certas ditaduras e lançam anátemas a quem foge delas. Tudo ao contrário, portanto.

      Nunca entenderei nem aceitarei isto. É como se antes do 25 de Abril elogiassem o Salazar e diabolizassem (por exemplo) o Humberto Delgado e tantos outros opositores que encontraram refúgio no estrangeiro.

  8. Um problema não justifica o outro: que uma pessoa por qualquer motivo peça asilo a um determinado país não justifica que esse país ou uma sociedade possa ser invadida por milhares de estrangeiros diariamente, nem que se coloque em causa a sua homogeneidade cultural. E isto também não se pode confundir com uma ocupação propriamente dita, como a dos Otomanos ou dos Godos em Roma. Aí é um acto de invasão. E antecipando alguns argumentos idiotas, podemos esclarecer já que ocupar militarmente uma terra é diferente de ir lá bater ao portão. E isto é diferente de pressupôr, por inerência estúpida, que o direito à singularidade não existe.

  9. cuba é um absoluto sucesso de sobrevivencia.

    E um país onde alguns nao enriquecem. Mas isso nao é conforme ao espirito do post.

    1. “Um absoluto sucesso de sobrevivência”? Só se for para uma das mais longas ditaduras da história do último século. A dos manos Castro, implacáveis opressores do próprio povo. Apregoam “igualdade” mas a família está acima de tudo o resto. Mais de 60 anos de poder total. Cada vez mais asfixiante, cada vez mais militarizado, cada vez mais pidesco.

      Vocês, comunistas que lhes batem palmas e lhes fazem vénias por fanatismo ideológico, deviam perguntar ao campeão Pedro Pichardo o que pensa desse “absoluto sucesso de sobrevivência” a que virou costas em busca de liberdade. E ao Jordan Díaz, que fez o mesmo no mês passado. E ao Raudelis Guerra, ao César Prieto, ao Lázaro Blanco e ao Andy Rodríguez, que tinham agido assim no mês anterior a esse.

      Raio de “paraíso” do qual afinal todos fogem. Como sempre aconteceu e acontece nas tiranias comunistas.
      Não é paraíso, é inferno. Fazia-vos muito bem experimentar ao vivo um regime desses para provarem do veneno que tanto apregoam.

      1. O autor do post nao tem paixao democratica, liberdade, ou direitos humanos.
        Mas existe n gente assim, nada me preocupam, tao só denuncio o que escondem.
        Com excepao de hitler, quanto os tempos eram tao excepcionais que se permitiu incinerar uma etnia de milhoes de pessoas, nunca chega nenhum conseguiu tomar o poder. E para seu governo, relembro-lhe o que só pode saber : muitos desiludidos ou mesmo revoltados, reagem, sao do contra, mas quanto se chega ao pormenor, e lhes toca, tá queto. Alias, aconteceu com salazar, quando democraticos varios e tambem sindicatos, estiveram com a golpada.
        Nao sou votante do chega, quanto a voce, voce sabera. O que estou a dizer é que entre os tais, encontram-se chegas, pessoas pouco exigentes, apenas sedentos de ordem.
        (estranhamente nao aplaudem a ordem em cuba)

        A sua narrativa, no post, é arcaica, do tempo da pedra, e ainda assim permite-se. Mas omite . Vou explicar : um dia cuba caira, digamos de velhice, as arvores morrem de pé, bal bla bla, mas nao sera motivo de triunfo para si, pois durante estas decadas voce imaginava cuba deserta, pois só com cemiterio e sem ninguem vivo para cuidar de enfeitar as campas.

        Se disser, se conhece algum desportista de top rico em cuba, provavelmente para sí será suficiente o excell , mas seguramente nao para os leitores.

        Prova , desnecessaria, que as pessoas nao fogem por falta de liberdade. Como nao foi por falta de liberdade que os portugueses fugiram para trabalhar noutros países.

        Repare : as nossas aldeias estao desertas de jovens. E se amanha abrisse um big brother tao grande que os incluisse a todos, lá cairiam. Nao tem nada a ver com liberdade. E os jovens cubanos, tambem cidadaos do mundo atraves da internet, só podem desejar Morangos com açucar, onde tudo é colorido, paixao, prazer.

        Nao sei, nem para o caso interessa, se a taxa de suicidos nos adolescentes é maior ou menor em cuba que a de espanha. Mas a de espanha é grande. Isso nao o incomoda, a mortandade assim de jovens nossos vizinhos ? Percebe o que estou a dizer ou quer que explique : os jovens suicidas nao sao vitima de sufoco da liberdade que o Pedro alardeia. Se só acontecesse em cuba, lá estaria aqui o senhor a afirmar que a falta de liberdade assassina

        1. Que salada russa. Mete Hitler, Chega, suicídios em Espanha…
          Coisa confusa, caramba.

          Acaba de perder uma excelente oportunidade de dar os parabéns ao novo campeão olímpico português, Pedro Pichardo.
          O fanatismo ideológico deve impedi-lo de fazer tal gesto, por ser comunista e considerar Pichardo um “inimigo”. Porque a vossa pátria não é geográfica, é ideológica:

          Já vos restam poucas: Cuba, Bielorrússia, Coreia do Norte… Qualquer dia não sobra nenhuma.
          Deve ser chato.
          Depois irão prestar vassalagem a quem?

          1. deve deve, é um fartote de riso.

            Bom, comecemos : usa a tal l a linguagem de salazar, que nem o chega usa. Fantastico !!!. A que se deve o desnorte ?

            V/Ex anteontem tinha 30 anos de idade, ontem 40, hoje 50, e continua a sonhar com d. sebastiao e as cruzadas.

            Tenho a certeza que os chegas tiveram varios orgasmos ao ler a sua linguagem. Nao vou voltar a falar em credibilidade, mas os outros leitores nao deixarao de questionar.-se a que se deve tao “apaixonada” linguagem (desnorte)
            Um abraço de uma antifascista. .

          2. Outra vez o Chega? Que obsessão por esse partido. Não há dúvida: os extremos tocam-se.
            Ao menos em Cuba não é preciso escolher. Só existe um partido. O mesmo que está no poder há 62 anos. Desde o tempo do Salazar em Portugal.
            Vocês, comunistas, adoram partidos únicos. Iguais aos fascistas, farinha do mesmo saco.

          3. sim, estou confuso

            O Pedro está a colocar-se em bicos de pes a tentar que o chega o inclua numa lista, ou está só a mostrar militancia

          4. Mais uma vez. Que obsessão, até muda de sexo, sempre a falar do tal partido político. Há pouco, ao despedir-se, afirmou-se “uma antifascista”, dando a entender que era mulher; agora afirma-se “confuso”, dando a entender que é homem.
            Percebo agora porque “assina” SOS. Anda a precisar de ajuda urgente. Mas vá bater a outra porta porque eu não sou psicoterapeuta.
            Que tal uma viagenzinha até Cuba?

          5. obrigado (ou sera obrigada ? ) , mas vou seguir a sugestao…amanha parto para cuba (no alentejo )-

            Pensando melhor, é melhor nao, existe um alentejo pejado de chegas. Além de os jornais de extrema direita terem la o maior numero de assinantes, a AD do cavaco conquistou a principal camara –
            Mil vezes prefiro a cuba original…

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