A prova de que já ninguém tem ilusões sobre Sócrates pode constatar-se pelo modo como o termo «inverdade» desapareceu do léxico político nas últimas semanas, substituído pelo velhinho e muito mais claro «mentira». É certo que «inverdade» era mais usado pelos próprios socialistas, sublimes utilizadores do ataque-que-nunca-é-pessoal-nem-excessivo. Seja como for, das ruas ao comentário televisivo, passando por aqui mesmo, já ninguém se dá ao trabalho de evitar dizer que Sócrates mente. O que, na minha opinião, é saudável, para além de exacto. Ou melhor: é saudável porque exacto. Recolocar um mentiroso compulsivo no lugar de Primeiro-Ministro é que seria pouco saudável.
O regresso das palavras claras
escafandro,

O problema das lideranças de natureza auto-socrática é esse mesmo, José. Quando a autoridade é questionada, a derrocada é inevitável.
Nem mais, Rui. E vai ser interessantíssimo ver muita gente tentando ignorar o passado e o seu próprio papel nele.