Pense-se o que se pensar, a decisão está tomada no parlamento. Independentemente dos juízos de valor que possamos fazer, a solução apresentada por Costa é fraca (o que tem para apresentar é poucochinho como referem o Pedro Correia e o João André aqui mais abaixo), mas é melhor do que qualquer alternativa: um novo governo da PàF está fora de causa, naturalmente, um governo de gestão ou um executivo de iniciativa presidencial terão sempre menos legitimidade democrática e autonomia política do que um alicerçado na maioria parlamentar esboçada à esquerda. Cavaco deve, portanto, dar a oportunidade a Costa de governar. Depois, cada um assumirá as suas responsabilidades e mais tarde ou mais cedo os eleitores serão chamados a pronunciar-se. São assim as regras da democracia.
O que se segue
Rui Rocha,

O que se segue:
Um falhado a 1º Ministro com o apoio de 2 cobardes que não os têm no sítio para ir para o governo!!
O resto são divagações
Extremando a linguagem, é assim. Mas não são divagações, é a democracia. Um sistema com muitas imperfeições, mas menos mau que as alternativas. Concedo que não era preciso era ter tantas imperfeições.
Rui
Democracia já nós vivemos desde 25/11/75 e nem o falhado nem os cobardes vão conseguir acabar com ela.
O seu texto tem o meu total acordo mas… o que se segue é 1 falhado a 1º Ministro com 2 cobardes a apoiar!!
E eu concordo no essencial com essa análise.
(Troca de SMS)
Catarina: O que se segue?
Jerónimo: Cegue-se o Costa, com este sucesso.
O que se cegue, portanto.
Há também a regra não escrita de pagarmos os sucessivos descalabros nas contas públicas desde o fim da longa noite fáxista.Vamos em três,venha mais um para pagarmos já.
É verdade. É o que temos. Podemos sempre seguir o conselho de Passos Coelho e emigrar.
É o que já teria feito se pudesse.Eu e muitos.
Pois é. Estar aqui tem custos. E não são poucos.
Tendo a concordar (por muito que me custe).
Mas ainda tenho algumas dúvidas sobre se Cavaco “tem” mesmo de indigitar AC. Sei que pode. Mas se achar que o governo PS é instável (que é), se achar que é mau para o país (que pode ser), não pode ele, enquanto PR, ter outras hipóteses? Ainda não pergunto se seriam melhores ou piores, mas só saber quais seriam outras possíveis. Pergunto com honestidade, poque não sei. Nenhuma é particularmente boa, temo. Mas essa vai em particular contra os discursos presidenciais…
Bom, se souber e puder explicar, fico agradecida.
As que existem são genericamente aquelas que citei. Governo de gestão, governo de iniciativa presidencial… Nenhuma delas beneficia Portugal.
Não vejo como resulta mais prejuízo um governo de gestão ou de iniciativa presidencial, com um mandato para 6 meses, e que faça aprovar um Orçamento e que se demite na primavera, permitindo ao novo Presidente uma reavalição dentro dos poderes constitucionais.
Em Itália, foram multiplos, e alguns deles – Amato, Monti – ainda que com muitas pechas, minimizaram danos.
O Presidente não podia demitir-se e marcar eleições para as duas coisas?
Se tudo é novidade… não poderia haver mais uma?
Inteiramente de acordo, Rui.
Apreciemos mais ou menos o processo que nos trouxe até aqui, é o que nos impõe o bom-senso, Pedro.
É mesmo assim. Pena são os 5 ou 6 mil milhões de juros a mais que vamos ter de pagar.
Quem tiver acções que se as venda.
A nossa democracia não é nada barata, não.
5 mil milhões de euros para continuar a ouvir os anúncios do BES – depois na versão do Novo Banco.
Os génios publicitários foram os mesmos, com um estilo mentecapto inconfundível. Quanto aos pró chenetas que os empregavam, é sempre a capitalizar com o Estado Amigalhaço.
Olhó peixinho dourado:
Artur é um peixinho-dourado
Sem muito espaço para viver.
Com vidro por todo o lado,
Pouco se consegue mexer.
Tivesse o Artur mais memória
E mais vezes se lembraria:
“Tão feliz era a minha história
Se aqui coubesse companhia”.
Pobre Artur, apertado e só,
Sem mãozinhas nem PC
Num aquário que dá dó
E sem novobancoimoveis.pt.
Olha, afinal lá vem o PC…
Concordo. Com duas opções péssimas (uma delas, a do “governo de iniciativa presidencial”, nem se devia pôr), antes a muito má.
Espetáculo por espetáculo -e lembremo-nos que toda a plateia está envolvida no drama via empregos e impostos- até será curioso assistir à interpretação do personagem ” O PM” por A. Costa. Os últimos protagonistas já cansavam.
Até agora os 4 estiveram de cordo: derrubar a direita.
A partir de agora o guião continuará a ser o mesmo do último governo e será ainda o assinado pelas “instituições” ex-Troika.